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Santo Sansão

Seguindo a minha tentativa de ressuscitar a reputação de Jefté, eu dirijo a minha atenção agora para Sansão. De certa forma, Sansão é ainda mais difícil de ser reabilitado por causa da sua popularidade  (Ou devo dizer, “infâmia”?) nas Bíblias de histórias infantis. Estamos todos familiarizados com a narrativa e a moral: “Não seja como Sansão que cometeu adultério, assassinato, e suicídio.”

A caricatura popular é também sustentada por vários comentaristas, como esta seleção de citações demonstra:

“Sansão era dominado por lascívia, orgulho, e uma paixão por vingança.”

“Sua vida parece que foi cercada de relacionamentos ilícitos com prostitutas e mulheres de vida fácil.”

“Suas façanhas demonstram as ações de um jovem delinquente incontrolável.”

“Seu último ato envolveu uma recusa de deixar Deus operar sua própria vindicação por meios legais, o qual sua oração de morte permanece em triste contraste à oração de morte do nosso bendito Salvador…”

Até mesmo o geralmente confiável Don Carson sucumbe:

“Mas ele nunca foi totalmente capaz de aceitar a sua vida de separação. Ele sempre quis secretamente ser como outros homens para desfrutar dos prazeres que eles gozavam (uma tentação que é sem dúvida comum aos cristãos hoje). Em Dalila, ele viu a chance, talvez, sua última chance, para a felicidade que ele sempre quis. Ao ceder ao pedido dela, Sansão praticamente convidou Dalila à libertá-lo do seu voto nazireu; para fazê-lo o homem normal que ele sempre quis ser.”

Uma causa perdida?

Ressuscitar Sansão é uma causa perdida? Eu não creio que seja, pelas seguintes razões.

Primeiro, Sansão teve o chamado divino mais claro de todos os juízes, um chamado que ele também cumpriu (Juízes 13.5).

Segundo, ele julgou Israel fielmente por 20 anos (Juízes 15.20; 16.31). Somos informados disto duas vezes para ressaltar o significado deste longo, solitário, fiel, e heroico serviço — derrotando os inimigos de Israel e os libertando dos seus opressores.

Terceiro, apesar da maior parte do relato bíblico cobrir somente o verão antes dos vinte anos de Sansão liderar Israel (Juízes 13-15) e o último ano da sua vida (Juízes 16), ainda assim, é um tempo relativamente curto comparado aos seus 20 anos de fidelidade. Ao contrário desta valente tentativa de dar uma explicação para o comportamento de Sansão no capítulo 16, eu não subestimo a gravidade do pecado de Sansão no último ano da sua vida. Mas ainda não anula o tom predominante da sua vida como uma de coragem e leal serviço à Deus e ao país.

Quarto, a Bíblia relata o Espírito do Senhor descendo sobre Sansão mais do que sobre qualquer outro juiz (Juízes 13.25; 14.6; 15.14).

Quinto, e mais importante, Deus o coloca na Galeria da Fé, na mesma ala de Davi, Samuel, e os profetas (Hebreus 11.32). Isto nos dá o prisma mais importante com o qual vemos Sansão. De fato, quando lemos os seguintes versículos, nos admiramos se o Apóstolo tinha Sansão, e especificamente Juízes 16, em mente:


Os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos… Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

Em seguida, escute as palavras centrais do Apóstolo na sua revisão de todos os Heróis da Fé. Ele diz que o mundo não era digno deles (v. 38), e que “todos estes obtiveram um bom testemunho pela fé” (v. 39). Ainda, não vejo razão alguma para não aplicar à Sansão as palavras que descrevem heróis anteriores da fé em Hebreus 11: “Todos estes morreram na fé” (v. 13).

Morte Desorientadora

O qual nos traz à sua morte desorientadora. Como todos sabemos, Sansão acabou numa prisão dos filisteus tendo-se desviado nos braços e na cama de Dalila. Mas, lá, o seu cabelo começou a crescer novamente, indicando um retorno ao voto nazireu de total compromisso com Deus. Então, quando exibido em desfile e zombado diante dos filisteus blasfemadores, ele clamou à Deus em oração, usando o Seu nome de pacto, SENHOR. Ele não mais está confiando na sua própria força, mas está buscando Deus para ajudá-lo a julgar uma última vez.

Aqui é importante lembrar que Sansão não é somente um indivíduo particular, mas um juiz, apontado por Deus para julgar em Seu nome. Como diz o comentarista, Luke Wiseman:


Nesta oração, não encontramos referência a si mesmo como um indivíduo particular, mas somente como o reconhecido servo de Jeová. Se isso não for lavado me conta, a oração é pouco inteligível… Isso não foi uma expressão motivada por vingança pessoal, pois libertar Israel dos filisteus era a missão de Sansão desde o início… Na qualidade de servo e representante de Jeová, ele ora para que ele seja vingado neles.

C J Goslinga coloca da seguinte forma: “Ele morreu pela honra do seu Deus e pelo benefício do seu povo sendo assim, um tipo de Cristo, cuja morte igualmente significou a derrota dos inimigos de Deus e a salvação do Seu povo.”

Aquilo não foi suicídio, mas um ato de auto-sacrifício no campo de batalha para o benefício de Israel e a glória de Deus. Como explica Matthew Henry, “Não foi um auto-assassino por se dizer; pois não foi a sua própria vida que ele visou… mas a vida dos inimigos de Israel, pelos quais ele bravamente renunciou a sua própria vida, não a considerando preciosa a si, para que ele pudesse terminar o seu percurso com honra.”

Santo e Salvador

O qual tudo indica que Sansão foi não somente salvo por Cristo, como também salvou como Cristo, o Juiz final. Como aqueles escritores mais Cristocêntricos do Antigo Testamento, Robert Gordon, escreve:


E aqui, novamente, quem deixa de lembrar o propósito e modo da morte de Cristo? Foi pela vindicação da honra do Seu pai como o Legislador e o Juiz, que ele se submeteu a insulto, ignomínia e morte; e quando, em aparente fraqueza, e cheio com provocações e insultos de homens ímpios, ele abaixou sua cabeça e entregou o seu espírito, ele, naquele momento alcançou uma vitória mais que gloriosa, tanto em sua natureza como em suas consequências, na medida em que ele deteriorou principados e potestades, e fez deles espetáculo aberto, triunfando sobre eles na Sua cruz.
Por David Murray
Fonte Reforma 21 

1 comentários:

Esdras Neemias dos Santos disse...

Caro blogueiro, boa noite! Em Hebreus 11 e verso 32 diz literalmente ... Sansão...

Pois é...

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