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O culto da sua igreja está de cabeça para baixo?

Nossos cultos de adoração devem ser receptivos e compreensíveis para os incrédulos que estão presentes, mas muitas igrejas tem estruturado todo o culto em função deles. Não há um precedente bíblico sólido para isso e, além do mais, não é a forma mais efetiva de alcançar os perdidos, de qualquer forma. Se a sua igreja orienta sua reunião semanal em função dos “interessados”, é bem possível que ela tem adotado alguns dos princípios que serão listados aqui; arranjos funcionais que eu quero argumentar que, na verdade, viram a forma bíblica de evangelismo e missões de cabeça para baixo.
Como sua igreja pode estar virando o culto de cabeça para baixo?
Enfatizando sentimentos antes e acima da doutrina
Eu sei, eu sei. Muitos de nós vieram de igrejas onde a doutrina era só o que importava e as pessoas eram frias, fechadas ou até apáticas. Essa também é uma forma de estar de cabeça para baixo. Mas em muitas igrejas evangélicas hoje o que vemos é uma desvalorização da verdade teológica e doutrinárias para abrir espaço para sentimentos pessoais e cultivo de relacionamentos. Os problemas com essa abordagem são diversos, mas os maiores que eu citaria são:
  • Sentimentos a respeito de Deus desconexos de conhecimento de Deus tendem a revelar na verdade que adoramos sentimentos ou nós mesmos.
  • Tão sério quanto, talvez, é o problema de esperar que os perdidos cantem músicas sobre seus sentimentos sobre um Deus que elas não acreditam. Muitas das músicas de nossos cultos colocam o carro da afeições à frente dos bois da fé.


Além disso tudo, ainda há o problema constante de cantar músicas teologicamente rasas ou doutrinariamente vagas. Mas apenas em termos de estratégia missional ou evangelística, levar as pessoas a cantar sobre como um Deus que elas (ainda) não creem lhes faz sentir é um equívoco. Está de cabeça para baixo.
Dando dever de casa religioso para pessoas perdidas
O estilo dominante de pregação dos cultos ditos “atraentes” (“seeker-sensitive”) é do tipo “aplicação prática”. Nesses sermões, os pregadores tentam fazer com que a Bíblia seja mais relevante (como se ela fosse, de alguma forma, irrelevante, sem a nossa ajuda) oferecendo um conjunto semanal de passos ou dicas para tornar o cristianismo mais aplicável à vida diária. Você frequentemente verá sermões individuais ou séries inteiras de sermões devotadas a como “fazer a vida funcionar”, “ter um lar feliz” ou “ser umalguma-coisa melhor”.
Não estou dizendo, é claro, que a Bíblia não é prática ou que não haja muitas coisas para se fazer, nela. A Bíblia tem muitos mandamentos! Ela é iminentemente prática e aplicável à vida diária. O problema que enfrentamos, entretanto, é que a praticidade do cristianismo é voltado para, bem, você sabe, os cristãos. O que eu quero dizer é, a expectativa de obedecer e agradar a Deus é colocada sobre aqueles que já tem tanto seus corações mudados em direção a um desejo de obedecer quanto o poder do Espírito para fazê-lo.
No ensino seeker-sensitive, entretanto, nós direcionamos uma dieta constante de “como fazer” a pessoas que ainda não receberam um coração de “querer fazer”. Incrédulos devem ouvir os mandamentos e aplicações dos desígnios de Deus, certamente. Mas o efeito primário que essa aplicação da lei tem sobre os descrentes é de convicção de pecado, não de empoderamento. De fato, os mandamentos da Bíblia – sejam do tipo “não adulterarás” ou do tipo “ame o próximo” – não tem poder, neles mesmos, para nos ajudar. Eles apenas nos dizem o que (ou não) fazer; eles não nos ajudam a fazer.
A única coisa que a Bíblia chama de poder (para nos salvar, transformar e motivar) é o evangelho de Jesus Cristo. Assim, é um pouco estranho que a coisa que nos certificamos que as pessoas perdidas que estão na nossa igreja ouvirão no culto é uma lista de coisas a se fazer, ao invés da coisa que já foi feita!
Se a instrução do seu fim de semana se baseia em listas de afazeres para os perdidos, você está dando dever de casa religioso para um bando de cadáveres espirituais. Você pode até estar aumentando o pecado na sua igreja, com tal prática. De qualquer forma, isso está de cabeça espiritual e filosófica para baixo.
Oferecendo o convite do evangelho após uma mensagem legalista
Essa é, provavelmente, uma das formas primárias em que a pregação da igreja seeker-sensitive está de cabeça para baixo. O pastou já gastou de 30 a 45 minutos encorajando a pessoa perdida a fazer um monte de coisas que agradam a Deus, então ele adiciona um convite para aceitar Jesus.
Esse tipo de pregação “legalismo pesado + evangelho” cria um tipo de “coice espiritual”, conforme o pastor convida alguém a crer em algo que ele não passou muito tempo falando sobre e que, na verdade, ele passou a maior parte do tempo agindo como se não fosse necessário. Como eu já disse antes, a Bíblia assume que o tipo de obediência a Deus que o agrada vem após nosso coração ser transformado pela graça. Simples mudança de comportamento religioso não glorifica a Deus; glorifica a si mesmo. Se pregamos um sermão sobre mudança de comportamento e depois tentamos convidar as pessoas a receberem a graça, parece que algo está fora do lugar. É como se você tivesse mudado de assunto repentinamente.
Eu me lembro de um pastor seeker famoso pregar um sermão direcionado a mulheres, no qual ele disse repetidas vezes que Deus as acha fascinantes (o tom da mensagem era como se Deus as adorasse). Então, ao final, em seu apelo para que aceitassem Jesus, ele disse que Deus iria cobrir a feiura e vergonha delas. Foi uma mensagem muito estranha, concluir um sermão no qual ele elaborou o quanto Deus achava aquelas mulheres belas e atraentes dizendo agora que elas eram feias e precisavam dele.
Esse é um exemplo estranho, mas eu penso que é apropriado, dado o quanto da pregação evangélica atual trata seus ouvintes como se eles fossem “bons o suficiente, inteligentes o suficiente e que as pessoas gostassem muito deles”, como se cada um fosse um belo e único floco de neve com potencial infinito, e depois deseja conectar isso ao grande vazio e a grande necessidade que temos quando estamos longe de Deus. Espera um pouco, podemos pensar, você passou um tempão falando do quanto eu sou bom. Agora está dizendo que eu não sou mais? Isso está de cabeça para baixo!
Esse tipo de esquema de sermão também está em desacordo com a proporção do ensino bíblico. Nas cartas de Paulo, por exemplo, ele sempre começa com algum tipo de proclamação do evangelho. Em termos de tamanho, é sempre proporcional ao tamanho da própria carta. Assim, por exemplo, em Romanos, a narrativa do evangelho leva mais capítulos do que em Colossenses ou Filipenses. Depois, ele se volta para os assuntos práticos, porque as questões práticas fluem com base na nossa justificação. Fazer flui de ser. Mas, em muito da pregação seeker, o apelo enxertado faz parecer que ser é apenas um aspecto curioso de fazer.
E isso está de cabeça para baixo.

por Jared Wilson

Fonte: Reforma 21

Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui
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