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No cativeiro da pornografia

O que você vê determina o que você quer

Eu tenho observado inúmeras vezes que a ética, e crescentemente as leis, que rodeiam o comportamento sexual estão começando a se basear exclusivamente na ideia de consentimento. Como uma formiga que pode aparentemente carregar cargas inúmeras vezes mais pesadas do que seu próprio peso, é esperado agora que o princípio do consentimento seja o único suficiente provedor de uma fundamentação moral para a sociedade em geral.
Em um artigo recente sobre o custo psicológico do sadomasoquismo, Aaron Kheriaty levanta a questão de que consentimento é um ponto complicado. Obviamente, isso tem um contexto social e é tipicamente conformado pelo poder existente nas relações. Em resumo, consentimento pode ser manufaturado, o outro pode ser persuadido de fato. Isso é, portanto, uma fundação bastante dúbia para a ética social.
O problema é ainda agravado por uma conexão que Kheriarty não torna tão explícita em seu artigo, mas oferece evidências para ela. Ele menciona uma pesquisa sobre a plasticidade dos caminhos neurais, que demonstra que o cérebro tem a capacidade de mudar dependendo do tipo de estimulação que recebe. Aprender a tocar um instrumento ou a falar uma segunda língua quando se é jovem, por exemplo, cria algumas habilidades mentais por literalmente alterar a maneira como a pessoa pensa. O lado ruim é que isso significa que a exposição à pornografia transforma as expectativas e o comportamento sexual das pessoas.
Em sua maioria, a moralidade sexual tem sido transformada pela estética da cultura pop, com suas narrativas retoricamente carregadas de liberdade aos marginais e de dar voz às vítimas. Tendo em vista a moralidade sexual tradicional, isso deve ser levado em conta. Porém, é claro que mesmo o desmanchar dessa estética não seria o suficiente. Pornografia não é simplesmente a mudança de nossas preferências por meio da representação de sexo como uma atividade auto-dirigida e recreativa; pornografia é, literalmente, mudar a forma como nosso cérebro pensa. Isso faz com que a tarefa de defender a moralidade tradicional em âmbito público torne-se muito mais difícil.
Isso também expõe a natureza enganosa dos argumentos morais construídos sobre o princípio do consentimento. Eles assumem que a natureza do consentimento é constante, absoluta e facilmente estabelecida. Como Kheriaty pontua, consentimento não é nada disso, ele sempre se torna complicado por depender de um contexto específico. Além disso, o princípio do consentimento assume, no mínimo, que os indivíduos têm direitos soberanos sobre toda a extensão de propósitos e usos sob os quais o próprio corpo deles pode ser posto. Contudo, a evidência do impacto da pornografia no cérebro indica que o indivíduo não está conscientemente no controle de determinar a natureza dessa extensão. Pornografia altera os desejos sexuais e transforma o entendimento do propósito do corpo não por causa da ética ou mesmo da persuasão estética, em vez disso, ela faz isso alterando a fisiologia do próprio cérebro, um processo que está além do controle consciente do consumidor de pornografia, e o qual, desta forma, subverte as suposições do princípio do consentimento.
Ninguém permitiria que alcoólicos tivessem a palavra final sobre leis referentes à bebida, ou que viciados em crack regessem a política sobre drogas. Porém, quando o assunto é moralidade sexual, esse é o tipo de  mundo em que vivemos agora. A disponibilidade de pornografia e a quase universalidade de seu consumo hoje são fatos da existência humana, pelo menos no Ocidente, e parece que continuará assim. Isso significa que o pensamento moral está à mercê da indústria cujos interesses não estão baseados em promever o bem comum, a não ser que esse bem comum seja entendido em termos de licença sexual desenfreada. Ainda pior que isso, estamos presenciando a criação de uma difundida ética de imoralidade como oferta para a qual o princípio de consentimento não conseguirá estabelecer limites significantes. De fato, se o único padrão ético prático usado é o princípio do consentimento, então em um mundo permeado pela pornografia, a ética sexual da sociedade provavelmente será tão plástica quanto os nossos caminhos neurais.

por e fonte: Carl Trueman

Traduzido por Fernanda Vilela | Reforma21.org | Original aqui
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