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As Línguas Estranhas na Igreja de Corinto. 1Co.12, 13 e 14

Introdução

       As línguas no Pentecostes (cf. At.2:1-12) eram idiomas falados em alguma parte do mundo e tinham um objetivo: falar das grandezas de Deus. Não havia necessidade de interpretes; cumpriu cabalmente o objetivo para a qual foi destinada.
       As línguas faladas na igreja de Corinto eram diferentes da que foram faladas no Pentecostes. Estudaremos esses três capítulos, 1Corítios 12, 13 e 14 de forma que o leitor perceba que o objetivo do apóstolo Paulo ao doutrinar aquela comunidade era de incentivar a profecia e limitar o fenômeno das línguas estranhas. Algo que não edifica deve ser deixado de lado e segui o amor procurando os melhores dons.
       O fenômeno das línguas em Corinto está mais relacionado com as práticas pagãs e de certa forma com o emocionalismo. Se fosse algo para ser usado na igreja o apóstolo teria incentivando sua prática. Mas, ao contrário, ele limitou. Por quê? Porque era uma língua que ninguém entendia (cf. 1Co.14:2, 5, 9, 13, 19)[1]. Apesar do termo “estranha” não se encontrar nos originais, uma língua que ninguém conhece, que precisa de interprete é desconhecida, ou seja, estranha. Portanto, a insistência do apóstolo é para que seja falado na igreja algo que se entenda, ou seja, profetizar



A CERCA DOS DONS ESPÍRITUAIS
1Coríntios 12

1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2 Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. 3 Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, se não pelo Espírito Santo” (1Co.12: 1-3).

“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1Co.12:1).
“περι δε των πνευματικων αδελφοι ου θελω υμας αγνοειν” (1Co.12:1).
       Aos coríntios, não faltava nenhum dom (cf. 1Co.1:7)[2]. Porém, eles eram ignorantes quanto a sua verdadeira utilização. Os dons devem ser usados de forma proveitosa, para edificação da igreja, e não em benefício próprio, egoísta (1Co.14:4)[3]. Quando usado dessa forma, perde o seu propósito, ou seja, os dons sem o amor é como um metal que soa ou o sino que tine (1Co.13:1)[4].

“...deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos...” (1Co.12:2).
“...ητε προς τα ειδωλα τα αφωνα ως αν ηγεσθε απαγομενοι...” (1 Co. 12:2).
       Antes eles eram gentios, guiados pelos ídolos mudos (1Co.12:2), viviam na ignorância e cegueira espiritual. Cada um buscando seus próprios interesses. Agora não, a graça de Deus os havia alcançados, portanto, aquele modo de vida deveria ser deixado para traz, eles eram novas criaturas em Cristo Jesus e não poderiam continuar vivendo como antes. Era preciso praticar o amor “para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co.1:8). Fiel é Deus que os havia chamado a comunhão de Deus Filho. Todavia, a ignorância a respeito dos dons deveria ser dissipada através da doutrina, e foi justamente para isso que o apóstolo Paulo escreveu essa carta: Trazer luz a respeito de como proceder corretamente para o crescimento da igreja.
“...ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema[5], Jesus!...” (1Co.12.3).
“...ουδεις εν πνευματι θεου λαλων λεγει αναθεμα ιησουν...”
(1 Co. 12:3).
       São muitas as interpretações a esse respeito. A Bíblia de Estudo de Genebra, por exemplo, acredita que não era alguém realmente proferindo maldição contra Jesus[6]. Na verdade, a maioria dos comentários são superficiais, não traz nada de concreto sobre se alguém convertido do paganismo estava em êxtase chamando Jesus de maldito ou não. O comentário de David Prior é muito importante:
Será que Paulo o está colocando em oposição à confissão cristã verdadeira, Senhor Jesus, a fim de lembrar aos coríntios o tipo de expressão que eles poderiam muito bem ter ouvido quando eram pagãos e assistiam a cultos locais (“Maldito Jesus”)? Nesse caso, ele estaria dizendo que, em contraste, o Espírito (pneuma) do Deus único e verdadeiro exalta Jesus como Senhor (2001: 206, 207).

       Werner de Boor pensa da mesma forma, os gentios que se convertiam ao cristianismo ouviam os judeus pronunciarem que Jesus era “anátema”[7]. Possivelmente o apóstolo Paulo estava mostrando que os judeus que acusavam Jesus de maldito não falavam pelo Espírito Santo, porém, quando alguém na igreja afirmava conscientemente que “Jesus era Senhor”, falava pelo Espírito Santo. Era uma confissão de fé[8] e isso exaltava e glorificava a Jesus como Senhor. O Imperador era considerado um “deus”, “benfeitor” e “senhor”, mas os cristãos diziam: “não, Jesus Cristo é quem é o Senhor”.
       Os irmãos na igreja de Corinto estavam falando em línguas estranhas, ninguém entendia nada e Cristo não estava sendo glorificado como Senhor. Os judeus em suas Sinagogas proferiam maldição a Jesus e não era pelo Espírito Santo, Jesus era desonrado por eles, da mesma forma os que estavam falando em línguas ininteligíveis na igreja, também não glorificavam a Jesus como Senhor.
A verdadeira “espiritualidade” não conduz a pessoa a um êxtase, ao individualismo ou a um outro mundo, mas para dentro da vida da igreja local, numa expressão do compromisso pessoal com Jesus como Senhor e com o seu corpo aqui na terra (PRIOR: 2001: 208).

4 “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 5 E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7 Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” (1 Co. 12:4-7).

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (1Co.12:4).
“διαιρεσεις δε χαρισματων εισιν το δε αυτο πνευμα” (1Co.12:4).
       O Espírito Santo capacitou à igreja primitiva com uma variedade de dons extraordinários. Porém, a ênfase maior estava sendo direcionada ao dom de língua, porque chamava a atenção, e eles se achavam mais espirituais do que os outros irmãos. Por isso o apóstolo Paulo diz que não existe apenas um dom, são vários, e o Espírito é quem opera em todos eles para um fim proveitoso, visando o crescimento da igreja, e não, o individualismo.
       Da mesma forma, “há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (1Co.12:5). Cada um tem o seu ministério e Deus é quem abençoa a cada um, portanto todos eles são importantes ao crescimento espiritual da igreja. Acontece o mesmo na diversidade de operações, pois é Deus que opera tudo em todos (cf. 1Co.12:6)[9]. Por mais simples que seja o dom, é de grande importância ao crescimento da igreja.
“A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (1Co.12:7).
“εκαστω δε διδοται η φανερωσις του πνευματος προς το συμφερον” (1Co. 12:7).
        O Espírito Santo dá o dom a cada um conforme a necessidade que surge na igreja. Essa distribuição é feita e operada por Ele (1Co.12:6)[10] visando um fim proveitoso (1Co.12:7)[11] e não para ser usado egoisticamente para nossa própria edificação (1Co.14:4)[12]. Em Corinto, os dons de línguas estranhas estavam sendo usados para satisfação própria, e não para o crescimento da igreja que glorifica a Cristo no culto. Se o dom é concedido pelo Espírito Santo visando um fim proveitoso, o que podemos concluir das línguas estranhas, faladas na igreja de Corinto, as quais não tinham um fim proveitoso? Será que o Espírito concede um dom em que ficamos com a mente infrutífera?[13] Um dom que é preciso interpretar[14], sabendo que o Espírito pode falar diretamente para edificação da igreja? Por exemplo: as línguas faladas no Penstecostes tinham um fim proveitoso porque era uma língua inteligível, não precisava de interpretes cada um ouvia falar das grandezas de Deus em sua própria língua (Cf. 1Co. At.2:1-12). Nesse caso, houve edificação.

8 Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; 9 e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; 10 e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. 11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co.12:8-11).

       As línguas que o apóstolo Paulo menciona aqui não eram ininteligíveis, como aquelas que os coríntios estavam acostumados a falar; eram, na verdade, um dialeto humano como tantos outros que havia no mundo.
“Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co.12:11).
“παντα δε ταυτα ενεργει το εν και το αυτο πνευμα διαιρουν ιδια εκαστω καθως βουλεται” (1Co. 12:11).
       Dos Vs. 8-10 o apóstolo Paulo menciona nove dons que são repartidos particularmente pelo Espírito Santo e dado a cada um como quer. Portanto, os crentes não têm os mesmos dons, nem todos os dons. Eles acreditavam que por falar em línguas estranhas, eram batizados com o Espírito Santo e os outros irmãos que não falavam, não eram. Por isso o apóstolo Paulo esclarece:
28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 29 Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagre? 30 Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos? 31 Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (1Co.12:28-31 – negrito meu).

        Os versículosde 28, 29 e 30 são conclusivos. Nós, como corpo de Cristo, temos ministérios e dons diferentes. Assim como cada membro do corpo tem sua utilidade, pôs Deus na igreja cada um também com uma função específica. Portanto, são todos apóstolos, tem todos o dom de curar, falam todos em línguas, todos são intérpretes? Não. Da mesma forma que existe hoje nas igrejas Pentecostais, naquela época, na igreja de Corinto, já existia, provavelmente, o desejo de serem alguns tão espirituais quanto os que falavam em línguas estranhas pensavam que eram. Na verdade, o apóstolo os chama de carnais, crianças em Cristo (cf. 1Co.3:1)[15].


“Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (1Co.12:31).
“ζηλουτε δε τα χαρισματα τα κρειττονα και ετι καθ υπερβολην οδον υμιν δεικνυμι” (1Co. 12:31).
       Segundo Werner de Boor[16] existem dons maiores do que outros. Mas, eles não devem ser usados para nos exaltarmos. Entretanto, o apóstolo dos gentios faz uma analogia com o corpo humano mostrando que ele tem vários membros e cada um tem sua importância específica para o bem estar e funcionamento correto. Da mesma forma é com a igreja de Cristo (Seu corpo); cada dom exercido pelos irmãos, com sabedoria e amor, para o crescimento da igreja, é tão importante e honroso em sua essência que nem um é melhor do que o outro, pois o Espírito distribui de acordo com a necessidade que surge dentro da igreja e quando o dom é exercido com amor é tão importante como qualquer outro dom que esteja sendo exercido por outra pessoa, porque todos têm o mesmo objetivo, o crescimento da igreja. Assim deve a igreja honrar a Deus com os dons Espirituais[17]. Então, porque o (1Co.12:31)[18] nos manda procurar com zelo os melhores dons?[19] Será que temos a capacidade de escolher o dom que quisermos? Ou é o Espírito Santo que distribui como lhE agrada? (1Co.12:11)[20].
       O apóstolo Paulo fala dessa forma porque está ocorrendo um fenômeno estranho na igreja de Corinto, que são as línguas. E ele chama a atenção daquelas pessoas que se achavam espirituais para que elas refletissem em tudo quanto o apóstolo havia falado nos versículos anteriores a respeito dos dons.
Por que era um fenômeno estranho?
  • Era algo que não aconteceu em outra igreja. Pelo menos, o apóstolo Paulo não trata desse assunto nas outras cartas;
  • Era uma língua que ninguém entendia (14:2, 5, 9, 13, 19)[21];
  • Não há línguas angelicais, porque os idiomas que os anjos falavam eram compreendidos pelos ouvintes a quem eles se dirigiam: Em Juízes 6:11-13[22] o anjo do SENHOR fala com Gideão, e ele entende perfeitamente porque o anjo fala em hebraico, na sua própria língua.
Lucas 1:26-38[23], relata o anúncio do nascimento de Jesus. Esse anúncio é feito no próprio idioma de Maria (aramaico).
Os anjos, em Lucas 24:1-6[24], anunciaram a ressurreição de Jesus Cristo no idioma das mulheres que foram ao túmulo. Portanto, quando Deus falava por anjos ou profetas, não era preciso de interprete, Ele falava diretamente no próprio idioma da pessoa. Atualmente, Ele fala através das Escrituras (Seu Filho); portanto, toda revelação extra bíblica não vem de Deus.


 "Por que falar com Deus em uma língua desconhecida ou em estado de êxtase, quando Deus entende português — ou qualquer outra língua que pode ser a sua própria? Por que usar uma suposta 'língua' para se comunicar com outras pessoas, se eles entendem a nossa língua 'natural'?”
  

FONTE: The TRUTH about TONGUES and the CHARISMATIC movement, by Hugh F. Pyle, Sword of the Lord Publishers, Murfreesboro, TN 37133; 1989; ISBN: 0-87398--846-9; pg. 94 



                                                            O Amor é o Dom Supremo
1Corínitos 13

A introdução de (1Co.13) é feita com o final de (1Co.12) que diz:
 “Kai eti kaq uperBolhn odon umin deiknumi”. “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente”.
Ainda que eu fale as línguas (gr. glwssaiz, glossais) dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine”(1Co.13:1 – negrito e parêntese meu).

Glossais. Dialetos humanos falados no Pentecostes[25]. “Ainda que fale as línguas dos anjos” trata-se de uma “hipérbole” intencional para chamar atenção daqueles que usam os dons sem a prática do amor ágape, o qual ultrapassa todos os dons, que por sua vez, os membros da igreja devem aspirar. Deus é amor (Jo.3:16)[26]. Nada podemos afirmar, sobre a expressão empregada por Paulo que as “línguas dos anjos”[27], tenha sido usada, ou seja, que o Espírito Santo tenha se manifestado com línguas celestiais para ministrar edificando a igreja nascente. Todavia, Paulo diz que vai mostrar um caminho mais excelente (gr. ύπερβολήν), ele faz comparações e a hipérbole é um exagero de palavra. Vejamos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos”, a palavra “ainda” significa que ele não falava; “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas [...]”. Só quem conhece todos os mistérios e tem todo conhecimento é Deus; “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado [...]”. Ele não possuía nada para dar aos pobres, para se sustentar fabricava tendas. O que ele deixa claro é que os dons sem o amor é como o sino que soa.
       Na igreja, devemos utilizar os dons para o crescimento do Corpo de Cristo e não para nos promover como espirituais diante dos irmãos. Só algo inteligível como profetizar pode trazer conhecimento à igreja.


  “Se o principal propósito das línguas (línguas conhecidas) era sinal para o Israel descrente, conforme 1 Coríntios 14:21-22, então a única ocasião em que línguas poderiam ter significado para o crente seria quando elas fossem traduzidas. Dizer que o dom bíblico de línguas é a linguagem extática usada hoje pelos carismáticos em suas devoções particulares é forçar um significado no texto bíblico que não esta lá”.
Fonte: Extraído do excelente livro Os Carismáticos, John F. MacArthur Jr., Editora FIEL, pág. 156-157.



 O Dom de Profecia é Superior ao de Línguas
(1Coríntios 14)

“Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (1Co.14:1).
“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios” (1Co.14:2).

“διωκετε την αγαπην ζηλουτε δε τα πνευματικα μαλλον δε ινα προφητευητε” (1Co.14:1).
 “ο γαρ λαλων γλωσση ουκ ανθρωποις λαλει αλλα τω θεω ουδεις γαρ ακουει πνευματι δε λαλει μυστηρια” 
(1 Co. 14:2).


       Na igreja, o correto é falar aos homens para o crescimento do corpo de Cristo (a igreja). Por isso, o apóstolo Paulo exorta os coríntios a buscarem principalmente o dom de profetizar (cf. 1Co.14:1)[28] que é compreensível e edifica a igreja porque fala aos homens. Quando Paulo diz que eles falam a Deus, o próprio texto já responde: “porque ninguém entende”. Quem poderia entender uma língua que não é um dialeto (1Co.14:7, 10)?[29] Só Deus mesmo poderia entender o que estavam os espirituais de Corinto pronunciando. Essas línguas são desconhecidas porque não fala a homens (1Co.14:2)[30], é um mistério (1Co.14:2).
O mistério[31] era algo que estava oculto, porém, o Evangelho estava sendo propagado, era as boas novas, o mistério de Deus que estava sendo revelado. Assim, os discípulos não falavam em mistério, ao contrário, revelava o mistério de Deus aos homens. As línguas que estavam sendo faladas em Corinto era um mistério que só Deus sabia o que era. E a mensagem de Paulo é: fale aos homes algo que eles entendam e sejam assim edificados.
“Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando” (1Co.14:3).
“ο δε προφητευων ανθρωποις λαλει οικοδομην και παρακλησιν και παραμυθιαν” (1Co. 14:3).
         Profetizar aqui é fazer uma aplicação do “Antigo Testamento”. É isso que o apóstolo Paulo vem tratando, a importância do dom é quando o corpo é edificado: “...exortação e consolação” (1Co.14:3).
“O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja” (1Co.14:4).
“ο λαλων γλωσση εαυτον οικοδομει ο δε προφητευων εκκλησιαν οικοδομει” (1Co. 14:4).
       Quando o apóstolo Paulo diz que os que falam em línguas edificam a si próprios, ele está ironizando, ou seja, edificar a si próprio é egoísmo, mas, o que profetiza edifica a igreja porque fala coisas compreensíveis, inspirada por Deus. Todavia, a edificação que os coríntios pensavam ter era puro emocionalismo e carnalidade, pois eles eram carnais, crianças na fé (1Co.3:1)[32].
Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação” (1Co.14:5).
“Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas...”(1Co. 14:5).
“θελω δε παντας υμας λαλειν γλωσσαις...” (1Co. 14:5).
       Será que o apóstolo Paulo estava incentivando os coríntios a falar em línguas desconhecidas que não edifica a igreja? Não. Paulo não iria incentivar uma língua sem proveito,[33] que não traz edificação. Então qual o propósito dele desejar que todos falem em outras línguas? Em primeiro lugar, Paulo não proíbe o falar em línguas[34], mas, limita, doutrina, e o Espírito Santo aplica essas verdades no coração dos crentes, daqueles que realmente nasceram de Deus. Em segundo lugar, o verdadeiro dom de língua que existia, e que ainda hoje é utilizado era dialetos (língua falada por algum povo). O apóstolo falava mais línguas do que todos os irmãos: hebraico, aramaico, latim, grego e vários dialetos. Esse dom falava aos homens, porque era inteligível, uma profecia. Porém, as línguas, faladas na Igreja de Coríntios, eram um balbuciar sem sentido como se falasse ao vento[35] e não edificava a igreja[36].
Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis...” (1Co.14:5)
“θελω δε παντας υμας λαλειν γλωσσαις μαλλον δε ινα προφητευητε...” (1Co. 14:5).
       Na verdade, quando o apóstolo diz: “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas...” não está incentivando algo que ele mesmo vem trabalhando contra. Ele não proíbe, mas usa um artifício de linguagem com muita educação. Qual o termo que tem mais força? “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas...” ou “...muito mais, porém, que profetizásseis...”? Se falássemos educadamente aos nossos filhos: “Eu quero que vocês viagem, porém, muito mais que vocês fiquem”. Essa é uma forma de dizer não sem agredir, sem deixar os filhos irritados, sem que eles tenham forças para resistir ao nosso pedido. Com certeza, se forem filhos obedientes não irão viajar. Os verdadeiros filhos de Deus, sem sombra de dúvida, ouviram a mensagem e pararam de falar em línguas estranhas e passaram a profetizar, obedecendo a vontade do Pai Celeste.
“...salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação”(1 Co. 14:5b).
“...εκτος ει μη διερμηνευηινα η εκκλησια οικοδομην λαβη” (1 Co. 14:5b).
      Paulo diz que só se deve falar em línguas se puder interpretar; ele sabia muito bem que não tinha quem interpretasse aquele tipo de língua, pois não era um dialeto humano[37]. Será que Deus iria dá um dom a alguém que não pudesse ser utilizado na igreja para a edificação dos irmãos?[38] Não. Já pensou, alguém na igreja dizendo: -“Deus me deu o dom de línguas mas eu não sei interpretar”. Não é estranho? Deus não dá um dom sem utilização[39].
       Quando Deus faz algo, Ele faz bem feito, completo. Se Ele dá o dom de línguas não é preciso interpretar, pois seria no próprio idioma do ouvinte como aconteceu no dia de Pentecostes:

“E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At.2:4-6).



“Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?” (1Co.14:6).
“νυνι δε αδελφοι εαν ελθω προς υμας γλωσσαις λαλων τι υμας ωφελησω εαν μη υμιν λαλησω η εν αποκαλυψει η εν γνωσει η εν προφητεια η εν διδαχη” (1Co. 14:6).
        Estamos diante de outra limitação. Para os que estão falando em línguas estranhas devem buscar algo que seja de proveito: “revelação, ciência, profecia e doutrina”. Qual proveito trará as línguas estranhas na igreja? Nenhum. Porém, é por meio de “revelação”, “ciência”, “profecia” ou “doutrina” que a igreja será abençoada para um crescimento espiritual sadio.
Revelação. Alguns teólogos acreditam que era uma revelação vinda direta de Deus. Todavia, Deus falou através do Seu Filho Jesus Cristo e os apóstolos ensinaram movidos pelo Espírito Santo tudo o que foi dito por Jesus Cristo. Nem uma revelação paralela ao que estava estabelecido pelos apóstolos deve ser recebida como algo que veio diretamente de Deus conforme aconteceu no Antigo Testamento. Como eles poderiam profetizar sem receber uma revelação diretamente de Deus, como aconteceu com os profetas, sem ter a Bíblia como a temos hoje? Muito embora o “Canon do Novo Testamento” ainda não estivesse completo, havia a tradição oral, ensinos de Jesus Cristo, frases e histórias do que aconteceu durante Sua passagem aqui na terra, os milagres, as curas, a morte e ressurreição de Cristo, seu retorno para estabelecer o Estado Eterno e etc. Essas verdades eram ensinadas pelos apóstolos e por todos os que eram acrescentados à igreja.
       A revelação era inspirada pelo Espírito Santo afim de que o pregador profetizasse a respeito das grandezas de Deus. O que acontecia, também, era uma aplicação Cristocêntrica do Antigo Testamento com a finalidade de formar a imagem do Filho de Deus na vida da comunidade. O resultado dessa aplicação era a Doutrina. A doutrina de Paulo era extraída do Antigo Testamento, ele não criou nada além do que estava revelado. Dá mesma forma os cristãos de Corinto não estavam criando algo novo, mas se aprofundando no que já estava estabelecido. Portanto, profetizar era algo inteligível que o pregador ou o irmão trazia para a igreja.
7 Até no caso de coisas inanimadas[40] que produzem sons, tais como a flauta ou a cítara, como alguém reconhecerá o que está sendo tocado, se os sons não forem distintos? 8 Além disso, se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha? 9 Assim acontece com vocês. Se não proferirem palavras compreensíveis com a língua, como alguém saberá o que está sendo dito? Vocês estarão simplesmente falando ao ar” (1 Co. 14:7-9).


“...falando ao ar” (v.9) – “...αερα λαλουντες” (1Co.14:9).
         No caso de coisas inanimadas como uma flauta ou outro instrumento musical, se não for dada a nota correta será um som inserto, ninguém saberá o que é. Uma criança com um violão, colocará as notas corretas? Não. Ela irá fazer barulho. Assim eram os que estavam falando em línguas na igreja, ninguém entendia porque não era um dialeto, mas um balbuciar desconexo, era como se eles estivessem falando ao “ar” e a igreja não era edificada.

Assim acontece com vocês. Se não proferirem palavras compreensíveis com a língua, como alguém saberá o que está sendo dito?” (1Co.14:9).
“ουτως και υμεις δια της γλωσσης εαν μη ευσημον λογον δωτε πως γνωσθησεται το λαλουμενον...” (1Co.14:9).
Assim acontece com vocês”. Assim acontece com todos aqueles que ainda hoje insistem em falar em línguas estranhas acreditando que é pelo Espírito de Deus! Estão perdendo tempo, porque só há conversão com profecia, só há edificação com o conhecimento da Palavra de Deus.
         O apóstolo Paulo proíbe aquele bla,bla,bla, sem sentido, que não se sabe o que está se falando e não edifica ninguém, aqueles irmãos estão perdendo tempo, estão falando ao “ar”. Da mesma forma acontece ainda hoje, muitas igrejas estão atribuindo esse bla,bla,bla, a obra do Espírito Santo. Mas será que o Espírito Santo age dessa forma: falando ao “ar”? No Pentecostes não foi um bla,bla,bla, sem sentido como o que estava acontecendo na igreja de Corinto? As línguas ali tinham um objetivo. Vejamos:
As línguas em Atos não precisavam de interpretes.
1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam  assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas (gr. glwssai, glossai) como de fogo e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas (gr. glwssai, glossai), segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, por quanto cada um os ouvia falar na sua própria língua(gr. glwssai, glossai). 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua (gr. dialektw, dialekto) materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frigia, da Panfilia, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas (gr. glwssai, glossai) as grandezas de Deus? 12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? (At. 2:1-12 grifo nosso).
1 και εν τω συμπληρουσθαι την ημεραν της πεντηκοστης ησαν απαντες ομοθυμαδον επι το αυτο 2 και εγενετο αφνω εκ του ουρανου ηχος ωσπερ φερομενης πνοης βιαιας και επληρωσεν ολον τον οικον ου ησαν καθημενοι 3
και ωφθησαν αυτοις διαμεριζομεναι γλωσσαι ωσει πυρος εκαθισεν τε εφ ενα εκαστον αυτων 4 και επλησθησαν απαντες πνευματος αγιου και ηρξαντο λαλειν ετεραις γλωσσαις καθως το πνευμα εδιδου αυτοις αποφθεγγεσθαι 5 ησαν δε εν ιερουσαλημ κατοικουντες ιουδαιοι ανδρες ευλαβεις απο παντος εθνους των υπο τον ουρανον 6
γενομενης δε της φωνης ταυτης συνηλθεν το πληθος και συνεχυθη οτι ηκουον εις εκαστος τη ιδια διαλεκτω λαλουντων αυτων 7 εξισταντο δε παντες και εθαυμαζον λεγοντες προς αλληλους ουκ ιδου παντες ουτοι εισιν οι λαλουντες γαλιλαιοι 8 και πως ημεις ακουομεν εκαστος τη ιδια διαλεκτω ημων εν η εγεννηθημεν 9 παρθοι και μηδοι και ελαμιται και οι κατοικουντες την μεσοποταμιαν ιουδαιαν τε και καππαδοκιαν ποντον και την ασιαν 10
φρυγιαν τε και παμφυλιαν αιγυπτον και τα μερη της λιβυης της κατα κυρηνην και οι επιδημουντες ρωμαιοι ιουδαιοι τε και προσηλυτοι 11 κρητες και αραβες ακουομεν λαλουντων αυτων ταις ημετεραις γλωσσαις τα μεγαλεια του θεου 12
εξισταντο δε παντες και διηπορουν αλλος προς αλλον λεγοντες τι αν θελοι τουτο ειναι” (Atos 2:1-12).

        Como vimos, Deus não precisou usar interpretes para falar aos homens de várias nacionalidades que estavam ali para a festa do Pentecostes. Cada um ouvia na sua própria língua as grandezas de Deus. Só quem não entendeu foram os incrédulos, para estes, as línguas serviram como juízo.
       O dom de línguas (glossais), na dispensação do Espírito, no NT, ocorreu, pelo menos, depois do Pentecostes em Jerusalém, em dois lugares: Cesaréia, Éfeso.
Cesaréia
44 Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. 45 E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; 46 pois os ouviam falando em línguas(gr.glwssaiz, glossais)[41]e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: 47 Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? 48 E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então, lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias (At.10:44-48 grifo nosso).
44 ετι λαλουντος του πετρου τα ρηματα ταυτα επεπεσεν το πνευμα το αγιον επι παντας τους ακουοντας τον λογον
45 και εξεστησαν οι εκ περιτομης πιστοι οσοι συνηλθον τω πετρω οτι και επι τα εθνη η δωρεα του αγιου πνευματος εκκεχυται 46 ηκουον γαρ αυτων λαλουντων γλωσσαις και μεγαλυνοντων τον θεον τοτε απεκριθη ο πετρος 47
μητι το υδωρ κωλυσαι δυναται τις του μη βαπτισθηναι τουτους οιτινες το πνευμα το αγιον ελαβον καθως και ημεις 48 προσεταξεν τε αυτους βαπτισθηναι εν τω ονοματι του κυριου τοτε ηρωτησαν αυτον επιμειναι ημερας τινας”
(Atos 10:44-48).

        Em Cesaréia os gentios foram batizados com o Espírito Santo e falaram em línguas conhecidas (aramaico). Os gentios falavam grego ou algum tipo de dialeto, e os que eram da circuncisão, aramaico, língua falada na Palestina na época de Jesus, e os judeus ouviam os gentios falarem as grandezas de Deus em seu próprio idioma. Jamais os judeus acreditariam que os gentios seriam alcançados pela graça sem ter uma evidência como essa. Aqui também não foi preciso de interprete.
Éfeso
6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam. 7 Eram, ao todo, uns doze homens (At.19:6-7 grifo nosso).
6 “και επιθεντος αυτοις του παυλου τας χειρας ηλθεν το πνευμα το αγιον επ αυτους ελαλουν τε γλωσσαις και προεφητευον 7 ησαν δε οι παντες ανδρες ωσει δεκαδυο” 
“At. 19:6-7).

       Aqui, da mesma forma, todos eles falavam em línguas, as quais, Paulo conhecia muito bem. O apóstolo sabia que eles não entendiam o hebraico nem o aramaico. Eles, porém, profetizavam em uma dessas línguas, justamente para que Paulo pudesse ter a certeza de que eles foram batizados com o Espírito Santo. Falar das grandezas de Deus em grego, isso eles já faziam, tinha que ser em uma língua que chamasse a atenção do apóstolo. Percebemos que as línguas, depois do Pentecostes, só aconteceram de gentio para judeu. Não havia sentido um judeu falando em línguas para outro judeu, ou um gentio falando para outro gentio, visto que isso não seria necessário.
       Algumas pessoas por não ter conhecimento, afirmam que o batismo com o Espírito Santo é uma segunda obra da graça. Porque os que estavam sendo batizados já eram crentes e foram revestidos posteriormente. Se a promessa foi para o futuro, e se cumpriu naquele maravilhoso dia, com toda certeza os eleitos de Deus foram alcançados pela promessa que foi feita a eles. O Espírito Santo foi derramado e estará presente, na igreja, até o fim do mundo: “Estarei convosco todos os dias, não vos deixarei órfãs, disse Jesus”. Não podemos pensar que alguém é alcançado pela graça e só depois recebe o batismo com o Espírito Santo! Pois o batismo com ou no Espírito Santo é o agente que opera a nossa salvação[42] convencendo-nos do pecado, da justiça e do juízo. Aqui também, em Efeso, não precisou de interprete.
As Línguas de Coríntios Precisavam de Interpretes.
No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete (1Co.14:27 – negrito meu).
“ειτε γλωσση τις λαλει κατα δυο η το πλειστον τρεις και ανα μερος και εις διερμηνευετω” (1Co. 14:27).
        Vimos que quando Deus queria falar não usava desses artifícios, Ele falava diretamente através de Seus mensageiros, anjos, profetas; atualmente Ele fala através das Escrituras. Hoje, também, temos muitos falsos profetas afirmando que Deus lhe disse algo em secreto. Portanto, devemos ter muito cuidado, qualquer profecia que não esteja embasada nas Escrituras Sagradas, é falsa.
       O apóstolo não proíbe diretamente o falar em línguas, porém, procura através de artifícios barrar tais práticas. Por quê? Primeiro, a igreja era composta de crentes vindo do judaísmo e do paganismo. As línguas que eles estavam falando em Corinto eram usadas nos templos pagãos. Ao entrar em estado de êstase (em um desses templos) muitos falavam em línguas, que na verdade eram línguas de demônios. As pessoas que viam tudo aquilo ficavam fascinadas acreditando que eles estavam em contato com os deuses. Tais manifestações davam certo destaque espiritual e muitos trouxeram para dentro da igreja essa bagagem cultural. Todavia, Paulo corrige a falha doutrinando-os de forma a eliminar aquelas manifestações que não traziam crescimento à igreja. Quando ele diz que fale um de cada vez e no máximo três e se tiver quem interprete, era porque não havia quem interpretasse. Será que hoje não está da mesma forma, ou até pior? Quando entramos em uma igreja e vemos todos falando em línguas, que é o costume dos Pentecostais, será que Deus está operando ali? Será que é um mover do Espírito, como afirmam alguns? Ou será que o Espírito Santo vai de encontro ao que está estabelecido em Sua Palavra? Claro que não! Se a Bíblia diz que fale no máximo três e vemos todos falando ao mesmo tempo, com certeza não é o Espírito Santo de Deus, pois Ele não vai de encontro a Sua Palavra. Outros falam e não interpretam, é Deus que está operando? Não! E o que é tudo aquilo? São obras da carne como diz o apóstolo Paulo: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co.3:1). E o mais agravante é que o Pentecostalismo dividiu o Corpo de Cristo, e o que faz isso é a heresia. Vejamos o que diz Tito 3:10: “Evita o homem faccioso[43], depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (negrito meu). Toda essa divisão que aconteceu na igreja, devido ao movimento Pentecostal, enquadra-se nesse versículo. Ainda com relação ao Pentecostalismo, quais foram os benefícios que o movimento trouxe à igreja de Jesus Cristo em matéria de crescimento espiritual (maturidade cristã)? Só pelo conhecimento da Palavra de Deus há crescimento espiritual. É o que menos os líderes desse movimento tinham. As experiências místicas era o que movia o grupo. Todavia, o Diabo é especialista em imitar os carismas, porém, o verdadeiro amor, o maior de todos os dons[44], ele não consegue imitar. O amor a Deus, é o amor a Sua Palavra: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo.14:21).
As línguas em Atos completaram seu objetivo.
       O dom de línguas tinha seus objetivos, falar das grandezas de Deus para o mundo comprovando as profecias de Joel e Ezequiel. Há uma propagação dos eventos numa dispensação que cumpre seu objetivo, autenticar as profecias falando das grandezas de Deus aos homens.

“Sem dúvida, há diversos idiomas no mundo; todavia, nenhum deles é sem sentido” (1Co. 14:10 – negrito meu).


“...sem sentido” (v.10)“...ουδεν αφωνον” (1Co.14:10)
       O que o apóstolo está dizendo é que há vários dialetos e todos têm o seu significado. Porém, na Igreja de Corinto aquelas línguas que estavam sendo faladas, como se fossem línguas espirituais, eram na verdade, algo “sem sentido”. Como algo sem sentido pode edificar a vida de quem fala? Será que o emocionalismo tem o poder de edificar? Não. O emocionalismo é algo passageiro que pode ser causado por vários fatores, inclusive a ação de demônios. Todavia, a profecia é algo inteligível e edifica a vida dos ouvintes e a própria vida de quem está profetizando.

“Portanto, se eu não entender o significado do que alguém está falando, serei estrangeiro para quem fala, e ele, estrangeiro para mim. Assim acontece com vocês. Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem a edificação para a igreja” (1Co. 14:11-12).

“Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem a edificação para a igreja” (1Co.14:12).

 “επει ζηλωται εστε πνευματων προς την οικοδομην της εκκλησιας ζητειτε ινα περισσευητε” (1 Co. 14:12).

       Procurar crescer nos dons que edificam a igreja é profetizar e não falar em línguas como se fossem bárbaros uns para com os outros. O apóstolo pede que a igreja cresça nos dons que edificam o corpo de Cristo. As línguas produzem edificação? Não.

“Por isso, quem fala em língua, ore para que a possa interpretar” (1Co. 14:13).
“διοπερ ο λαλων γλωσση προσευχεσθω ινα διερμηνευη” 
(1 Co. 14:13).



      Quando o apóstolo diz, “ore para que a possa interpretar” é porque não havia quem interpretasse aquela língua que estava sendo falada na Igreja em Corinto.  Por quê? Vejamos: Não era um dialeto como as outras línguas falada no mundo (cf. 1Co.14:10); não era uma língua humana, visto que só Deus entendia (cf. 1Co.14:2); não tinha significado, pois era como se estivesse falando ao “ar” (cf. 1Co. 14:9).
14 Pois, se oro em língua, meu espírito ora, mas a minha mente fica infrutífera. 15 Então, que farei? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. 16 Se você estiver louvando a Deus em espírito, como poderá aquele que está entre os não instruídos dizer o "Amém" à sua ação de graças, visto que não sabe o que você está dizendo? 17 Pode ser que você esteja dando graças muito bem, mas o outro não é edificado” (1 Co. 14:14-17).
“Pois, se oro em língua, meu espírito ora, mas a minha mente fica infrutífera” (1Co.14:14).
“εαν γαρ προσευχωμαι γλωσση το πνευμα μου προσευχεται ο δε νους μου ακαρπος εστιν” (1Co.14:14).
        Como a língua falada em Corinto não era um dialeto falado no mundo, mas algo sem sentido que só Deus conhecia, dessa forma, o espírito da pessoa que ora em língua fica infrutífero. O meu espírito ora porque estou com sinceridade, mas como não há entendimento eu próprio não sou edificado. Só há edificação com entendimento. Muita gente pensa que quando Paulo diz, “quem ora em língua edifica a si próprio” está afirmando que realmente essas pessoas são edificadas. Mas, a afirmação é apenas uma expressão irônica para mostrar o individualismo delas. Temos que edificar a Igreja, essa é a visão do apóstolo. Se a mente de quem está orando fica infrutífera, como pode a igreja ser edificada? O correto é orar com a mente e o espírito e isso só acontece se a língua for entendida por quem está orando.
18 Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vocês. 19 Todavia, na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em língua” (1Co. 14:18-19).

18 “ευχαριστω τω θεω μου παντων υμων μαλλον γλωσσαις λαλων 19 αλλ εν εκκλησια θελω πεντε λογους δια του νοος μου λαλησαι ινα και αλλους κατηχησω η μυριους λογους εν γλωσση” (1Co. 14:18-19).

        Aqui há outro caso em que o apóstolo limita a ação dos que falam em línguas estranhas: “...prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em língua”. As línguas que o apóstolo Paulo diz que fala mais do que todos os coríntios não é a língua estranha que eles estão acostumados a falar, mas um dialeto compreendido em outras regiões.
20  Irmãos, deixem de pensar como crianças. Com respeito ao mal, sejam crianças; mas, quanto ao modo de pensar, sejam adultos. 21 Pois está escrito na Lei: "Por meio de homens de outras línguas e por meio de lábios de estrangeiros falarei a este povo, mas, mesmo assim, eles não me ouvirão", diz o Senhor. 22 Portanto, as línguas são um sinal para os descrentes, e não para os que crêem; a profecia, porém, é para os que crêem, e não para os descrentes” (1 Co. 14:20-22).

20 “αδελφοι μη παιδια γινεσθε ταις φρεσιν αλλα τη κακια νηπιαζετε tαις δε φρεσιν τελειοι γινεσθε 21 εν τω νομω γεγραπται οτι εν ετερογλωσσοις και εν χειλεσιν ετεροις λαλησω τω λαω τουτω και ουδ ουτως εισακουσονται μου λεγει κυριος 22 ωστε αι γλωσσαι εις σημειον εισιν ου τοις πιστευουσιν αλλα τοις απιστοις η δε προφητεια ου τοις απιστοις αλλα τοις πιστευουσιν” (1Co. 14:20-22).

        O apóstolo Paulo deixa claro que as línguas estranhas foram um sinal do castigo de Deus para os judeus incrédulos e os coríntios estavam agindo como crianças ao buscarem ardentemente o falar em línguas estranhas. Qual o proveito?

23 Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos? 24 Mas se entrar algum descrente ou não instruído quando todos estiverem profetizando, ele por todos será convencido de que é pecador e por todos será julgado, 25 e os segredos do seu coração serão expostos. Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus, exclamando: "Deus realmente está entre vocês! " 26 Portanto, que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja” (1 Co. 14:23-26).

23 “εαν ουνσυνελθη η εκκλησια ολη επι το αυτο και παντες γλωσσαις λαλωσιν εισελθωσιν δε ιδιωται η απιστοι ουκ ερουσιν οτι μαινεσθε 24 εαν δε παντες προφητευωσιν εισελθη δε τις απιστος η ιδιωτης ελεγχεται υπο παντων ανακρινεται υπο παντων 25 και ουτως τα κρυπτα της καρδιας αυτου φανερα γινεται και ουτως πεσων επι προσωπον προσκυνησει τω θεω απαγγελλων οτι ο θεος οντως εν υμιν εστιν 26 τι ουν εστιν αδελφοι οταν συνερχησθε εκαστος υμων ψαλμον εχει διδαχην εχειγλωσσαν εχει αποκαλυψιν εχει ερμηνειαν εχει παντα προς οικοδομην γενεσθω” (1Co. 14:23-26).

 “Assim, se toda a igreja se reunir e todos falarem em línguas, e entrarem alguns não instruídos ou descrentes não dirão que vocês estão loucos?” (1Co.14:23).
“εαν ουνσυνελθη η εκκλησια ολη επι το αυτο και παντες γλωσσαις λαλωσιν εισελθωσιν δε ιδιωται η απιστοι ουκ ερουσιν οτι μαινεσθε” (1Co.14:23).
        Sem sombra de dúvida, se entrar uma pessoa não instruída na igreja e ver todos falando em línguas estranhas irá pensar que estão loucos. Atualmente vemos com freqüência isso acontecer nas igrejas pentecostais. Mas, se alguém estiver profetizando as grandezas de Deus os descrentes serão convencidos pelo Espírito Santo de que são pecadores e adorarão a Deus. As línguas estranhas, ainda hoje, causam um grande fascínio porque é algo visível e mexe com o emocionalismo, principalmente em lugares que o sincretismo religioso é forte: religiões da África e indígena.



“Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar. Se não houver intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1Co. 14:27-28).
“ειτε γλωσση τις λαλει κατα δυο η το πλειστον τρεις και ανα μερος και εις διερμηνευετω εαν δε μη η διερμηνευτης σιγατω εν εκκλησια εαυτω δε λαλειτω και τω θεω” (1Co. 14:27-28).
         Outra forma de limitar tais manifestações: “...devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar”. O apóstolo Paulo não proibia, mas, doutrinou a igreja no sentido de eliminar tais práticas.
“Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem (gr. διακρινετωσαν) cuidadosamente o que foi dito” (1Co. 14:29).
“προφηται δεδυο η τρεις λαλειτωσαν και οι αλλοι διακρινετωσαν” (1Co. 14:29).

Diacrimeton. Significa julgar corretamente, fazer distinção.  Paulo limita em três o número dos profetas para que não haja confusão com muita gente profetizando. Os outros devem julgar o que está sendo dito; essa avaliação, segundo João Calvino, deve ser feita em seus próprios corações. Esse julgamento é realizado pelo Espírito de Deus, pois os homens estão sempre ultrapassando a sã doutrina. Atualmente devemos avaliar, de acordo com as Escrituras, o que está sendo ensinado nas igrejas.

“Se vier uma revelação a alguém que está sentado, cale-se o primeiro” (1Co. 14:30).
“εαν δε αλλω αποκαλυφθη καθημενω ο πρωτος σιγατω” 
(1 Co. 14:30).


        Todos têm oportunidade de falar, a única condição é que ninguém se precipite satisfazendo seu próprio ego ao invés das necessidades da comunidade. Não se trata aqui de ficar tagarelando, mas de trazer algo significativo, direcionado pelo Espírito Santo, para edificação dos demais.
31 Pois vocês todos podem profetizar, cada um por sua vez, de forma que todos sejam instruídos e encorajados. 32 Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. 33 Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz. Como em todas as congregações dos santos, 34 permaneçam as mulheres em silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; antes permaneçam em submissão, como diz a lei. 35 Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja. 36 Acaso a palavra de Deus originou-se entre vocês? São vocês o único povo que ela alcançou? 37 Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor. 38 Se ignorar isso, ele mesmo será ignorado. 39 Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar e não proíbam o falar em línguas. 40 Mas tudo deve ser feito com decência e ordem” (1 Co. 14:31-40).
31 “δυνασθε γαρ καθ ενα παντες προφητευειν ινα παντες μανθανωσιν 32 και παντες παρακαλωνται και πνευματα προφητων προφηταις υποτασσεται 33 ου γαρ εστιν ακαταστασιας ο θεος αλλ ειρηνης ως εν πασαις ταις εκκλησιαις των αγιων 34 αι γυναικες υμων εν ταις εκκλησιαις σιγατωσαν ου γαρ επιτετραπται αυταις λαλειν αλλ υποτασσεσθαι καθως και ο νομος  λεγει 35 ει δε τι μαθειν θελουσιν εν οικω τους ιδιους ανδρας επερωτατωσαν αισχρον γαρ εστιν γυναιξιν εν εκκλησια λαλειν 36 η αφ υμων ο λογος του θεου εξηλθεν η εις υμας μονους κατηντησεν 37 ει τις δοκει προφητης ειναι η πνευματικος επιγινωσκετω α γραφω υμιν οτι του κυριου εισιν εντολαι 38 ει δε τις αγνοει αγνοειτω
39 ωστε αδελφοι ζηλουτε το προφητευειν και το λαλειν γλωσσαις μη κωλυετε 40 παντα ευσχημονως και κατα ταξιν γινεσθω” (1 Co. 14:31-40).


        A ordem no culto deve ser mantida, cada um deve dar oportunidade aos outros. Essa ordem está ligada ao espírito do profeta que é sujeito a ele, pois Deus não é Deus de confusão. As mulheres, deveriam permanecer caladas. O apóstolo Paulo finaliza dizendo: “Portanto, meus irmãos, busquem com dedicação o profetizar e não proíbam o falar em línguas. Mas tudo deve ser feito com decência e ordem”. Não se deve proibir o falar em línguas porque o próprio Espírito Santo é quem aplica em nossas vidas o desejo de profetizar e não o de falar em uma língua sem sentido.


 “Cremos que a igreja em Corinto obedeceu às exortações recebidas, porque o assunto línguas não é mencionado na segunda carta que foi escrita logo depois. De fato, não aparece mais na Bíblia. Em vão procurará alguém mais referência a este dom nos vinte e um livros restantes do Novo Testamento”

(Fonte: Vigiai e Orai, n.º 77,78 - Samuel R. Davidson – Monergismo).


Conclusão        Como vimos o apóstolo Paulo não proíbe as línguas, mas, doutrina, ensina a igreja a procurar os dons que trazem edificação à igreja, como o de profetizar. Vejamos:“Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (1Co.14:2).
       Como podemos perceber, os crentes de Corinto devem ter ouvido a voz do Espírito porque o apóstolo Paulo na sua segunda carta aos coríntios não menciona a questão das línguas estranhas, que provavelmente devem ter cessado: E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete” (1 Co. 14:27). Como não havia quem as interpretassem, os coríntios foram se certificando da inutilidade das mesmas.
       Hoje, também, devemos ouvir a voz do Espírito que soa da mesma forma: “Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1Co. 14:19). Amém!

 Por Carlos R. Cavalcanti
O grego usado é o Texto Receptus

 Referências Bibliográfica

Bíblia de Estudo Sheed.

Bíblia de Estudo de Genebra.

Bíblia on line NVI.

BOOR, Werner de.Cartas aos Coríntios: Comentário Esperança. Curitiba. Editora Evangélica Esperança, 2004. 487pg.

CALVINO, João. 1Coríntios. São Paulo. Editora Parakletos, 2003. 525pg.

Léxico do Novo Testamento Grego/Portugês. Vida Nova.

wwww.monergismo.com
NICODEMOS, Augustus. Cheios do Espírito. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 78pg.

NOVO TESTAMENTO Interlinear Grego/Português, 2004.

PRIOR, David. 1Corítios: A vida na igreja local. São Paulo. Editora ABU, 2001. 305pg.

SOUZA, Alderi de Matos. NICODEMOS, Augustus Lopes. SOLANO, Francisco Portela Neto. Carlos Heber Campos de. Fé Cristã Misticismo: Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2000. 171pg.
Fonte:Ube Blogs

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