Começamos um novo ano e podemos nos perguntar: é novo? Por anos celebra-se o ano novo e nada ele é, senão velho e repetido. Quando eu era criança, sempre dizia: “Estamos celebrando a passagem de um dia para outro. Que diferença faz? Quem comemora a mudança de julho para agosto como se magicamente o mundo mudasse? O que há de sensacional em mudar da terça para a quarta?”. Aparentemente, a vocação para o cinismo pode vir cedo.
E isso nos lembra o que um certo pensador bíblico já disse:
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. ( Eclesiastes 1.10)
Salomão, porém, não é nem criança, nem cínico. Sim, ele fala que muito na nossa vida é canseira e repetição. As coisas se repetem, como um relógio batendo meia-noite toda… meia-noite. Ele fala que tudo é vaidade, inutilidade, vapor, futilidade. Talvez como um relógio numa casa vazia. Ele gira, mas ninguém sabe, ninguém vê. “Que grande inutilidade!” (Ec 1.2, NVI)
Os cristãos não devem se iludir. Não há realmente nada novo debaixo do sol (Ec 1.9). Pensamos que esse é o melhor dos tempos, pensamos que é o pior dos tempos. A idade da sabedoria ou a idade da tolice? A Palavra de Deus nos ensina por meio de Salomão que as diferenças entre ontem e hoje podem ser meramente superficiais.
Como, então, receber 2014?
Nossa resposta está na própria pergunta. A contagem de anos fala justamente de algo que aconteceu no tempo. Perceba que Salomão não é pessimista, cínico ou uma criança. Ele usa palavras com sabedoria e discernimento, e a vida que ele lamenta e registra em Eclesiastes é a vida debaixo do sol. O povo de Deus (e, por consequência, o mundo) se alegra hoje com uma contagem (ainda que inexata) que faz referência a algo que aconteceu há 2014 anos.
Esse número, 2014, não está ali por acaso. 2014 é 2014 em relação a algo. Significa 2014 d.C. Ano 2014 da Era Cristã. 2014, ano da salvação. 2014, ano do Senhor. 2014 Anno Domini.
Algo novo apareceu aqui na terra, debaixo do Sol, há alguns séculos… mas vindo de acima do sol. E, por isso, vivemos como nova humanidade em novidade de vida como parte da nova criação. Vês, isto é novo? Sim, é. Como as misericórdias do Senhor.
Feliz 2014 depois de Cristo.
Pois certamente vem o dia… para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria. (Malaquias 4.1,2)
 Obs.: Agradeço ao Rev. Emilio por algumas das ideias usadas nessa reflexão. Como não há nada de novo debaixo do sol, penso que não há problema em adaptar algumas das suas.
   Fonte: Reforma 21  Por: JOSAÍAS JR