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Datas, Doutrinas & Defuntos (1)

Apesar das muitas concepções equivocadas associadas ao assunto, história da igreja não é algo trivial, chato ou irrelevante. É muito mais do que apenas nomes, datas, tempos e gráficos. Alguns podem pensar  “eu odeio história”. Tudo bem, mas esse assunto não fala de história. Fala da igreja, a noiva de Cristo, a instituição mais preciosa da terra. Fala do que Deus tem feito no mundo pelos últimos dois mil anos. E isso significa que isso deveria ser importante – em especial para homens se preparando para servirem no ministério pastoral.
Outros talvez se perguntem o porquê de estudarmos história quando supostamente deveríamos estar estudando a Bíblia. O que essa ideia deixa passar é que o estudo da história da igreja, propriamente feito, na verdade aumenta o amor que se tem pelas Escrituras. Eu tenho experimentado isso, pessoalmente. Quanto mais a fundo investigo a história da igreja, mais tem crescido meu apreço pelo poder e autoridade da Palavra de Deus – porque tenho viso esse poder vividamente ilustrado no testemunho das gerações de crentes. Apenas a Escritura é autoridade para tudo que cremos e fazemos; mas a história provê afirmações maravilhosas da veracidade dessas verdades bíblicas fundamentais.
Ao longo desses artigos, quero dar dez rações pelas quais o estudo da história da igreja é importante:

1. Estudar história da igreja é importante porque a maioria dos cristãos contemporâneos não tem a menor noção dela. E não deveria ser assim.

A triste realidade é que a maioria dos evangélicos sabe muito pouco sobre a história do Cristianismo. Mesmo nos círculos reformados, o entendimento da história da igreja muitas vezes só vai até a Reforma. Mas a história do evangelho se expande até o Novo Testamento.
Se o seu conhecimento da história da igreja pula do apóstolo João (em Patmos) para Martinho Lutero (em Wittenberg), sem praticamente nada entre eles, você deveria pensar seriamente em preencher esse vazio. Os 1500 anos entre o Pentecostes e a Reforma incluem muitas pessoas significativas – irmãos crentes e líderes fiéis – que Deus usou de formas estratégicas para avançar os propósitos de seu reino.
Um dos pontos fracos do evangelicalismo contemporâneo é sua falta de consciência histórica. Com sua perspicácia característica, Carl Trueman explicou o problema da seguinte forma:
Semana passada me perguntaram o porquê de alguns evangélicos se converterem à Ortodoxia Oriental ou ao Catolicismo Romano. As razões variam, estou certo disso, mas eu respondi comentando que um tema que tenho notado ao longo dos anos é o fato de que o evangelicalismo não possui raízes históricas. Isso não é dizer que não há história; é dizer que uma consciência dessa história não faz parte do pacote. Adoração rockband, pessoas belas, jovens e bem arrumadas (pessoas de meia idade um pouco infelizes, de jeito nenhum) fazem parte, mas não se vê história em canto algum, a não ser em alguma referência durante o sermão a algum dos primeiros álbuns do Coldplay. Nesse sentido, consigo entender por que pessoas que procuram algo sério, algo com seriedade teológica e histórica, simplesmente desistem do evangelicalismo e começam a procurar em outro lugar. Alguns adultos querem uma fé que é similarmente adulta, afinal de contas. (Fonte)

 História da igreja evangélica – todos os seus 2000 mil anos – é uma rica mina de tesouro teológica. Em suas tentativas de rejuvenescer a igreja, muitas congregações evangélicas desprezam história como se fosse algo antiquado ou desimportante. Mas, como Trueman aponta, fazemos um grande desserviço a nós mesmos se escolhemos permanecer ignorantes.
Deus considera a história importante? Certamente. Apesar de não ser história da igreja propriamente dita, Deus usou a história de Israel para lhes ensinar verdades espirituais ao longo do Antigo Testamento (cf. Deuteronômio 6.21-25). E no Novo Testamento, o Espírito Santo achou apropriado inspirar um livro de história da igreja, começando no Dia de Pentecostes e indo até o primeiro encarceramento romano de Paulo.
Enquanto qualquer relato inspirado da história da igreja tenha cessado no livro de Atos, os cristãos são abençoados por terem recursos maravilhosos que detalham a história da igreja desde o primeiro século até o presente. Aqueles que ignoram as profundas riquezas de sua própria herança espiritual não sabem o que estão perdendo – a saber, a oportunidade transformadora de ser desafiado, instruído e encorajado na fé por aqueles que vieram antes de nós.

2. Porque Deus age na história. Isso é, a história é um testemunho da providência soberana de Deus.

Com o perdão do clichê, história realmente é a história de Deus. Tudo está ocorrendo de acordo com Seus planos, e Ele está orquestrando tudo para Sua glória eterna (cf. 1 Coríntios 15.20-28). Deus declara a Si mesmo como o Senhor da história:
Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; (Isaías 46.9-10)
Estudar história da igreja nos lembra que nosso Deus está em Seu trono. Ele reina. Ele está fazendo prevalecer perfeitamente seus propósitos e providencialmente preservando Seu povo e Sua verdade em cada geração. Não importa o quão ruim se torne a sociedade – não importa o quão antagonista ou imoral – nós já sabemos como a história termina. Que grande conforto há em relembrar que o Senhor da história está fazendo todas as coisas colaborarem para Sua glória e o nosso bem.
Uma das maiores lições teológicas que qualquer crente pode aprender é a de descansar na soberania de Deus. As Escrituras estão cheias de exemplos de homens e mulheres que confiaram em Deus e agiram conforme sua fé nEle (cf Hebreus 11). A história da igreja, da mesma forma, consiste de maravilhosos exemplos de cristãos fiéis cujas vidas são testemunhos do cuidado providencial de seu Pai celestial.

3. Porque o Senhor Jesus disse que iria edificar Sua igreja. Estudar história da igreja é ver Sua promessa se realizar.

Em Mateus 16.15-18, lemos:
Mas vós, continuou ele [Jesus], quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
A igreja é estabelecida sobre a verdade de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo. A história invencível da igreja é evidência de que Ele, de fato, é quem afirmou ser.
Comentando sobre essa passagem, John MacArthur explica bem:
Não importa o quão liberais, fanáticos, ritualísticos, apáticos ou apóstatas sejam os seus aderentes externos, e não importa o quão decadente o resto do mundo se torne, Cristo irá edificar Sua igreja. Assim, não importa o quão opressivas e desencorajadoras as circunstâncias externas de um ponto de vista humano aparentem, o povo de Deus faz parte de uma causa que não irá falhar.
A igreja é a única instituição que Jesus estabeleceu. Só isso já é razão o suficiente para estudar história da igreja. Mais ainda, Sua promessa – de que os portões do inferno jamais prevalecerão contra a igreja – nos dá razão para termos esperança, mesmo quando a igreja parece estar fraca e vacilante. Por vezes o cenário evangélico contemporâneo nos dá razão para nos sentirmos pessimistas e desencorajados. Mas a promessa de Cristo nos mantém otimistas, pois a nossa esperança está nEle, não nas coisas desse mundo.
Quando estudamos história da igreja, somos lembrados daqueles tempos em que os portões do inferno pareciam poderosos e ameaçadores, e mesmo assim a igreja sobreviveu e prevaleceu por meio do poder de Deus. Quando cristãos corajosos foram perseguidos até a morte por causa da verdade – ou quando o Arianismo ameaçava tomar conta do Império Romano e Atanásio permaneceu firme, quase sozinho, contra o mundo – ou quando o sistema sacramental da igreja do fim da idade média ameaçava eclipsar o evangelho da graça – ou quando a teologia liberal se infiltrou nas universidades do Século XIX – e na sociedade ocidental do Século XX…
Esses e inumeráveis outros exemplos nos encorajam a enfrentar os desafios e perseguições atuais com a confiança de saber que pertencemos à causa que não irá falhar.

4. Porque a história da igreja é a nossa história como membros de Seu corpo

Quando estudamos história da igreja, não estamos meramente estudando pessoas, lugares e eventos, estamos estudando a história da noiva de Cristo. Se pertencemos a Cristo, então também somos parte dessa noiva. Como Paulo explicou aos efésios:
Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. (Efésios 5.25-27)
Então, quando estudamos história da igreja, vemos quem nós somos, de onde viemos e como nos encaixamos no fluxo da obra do reino de Deus no mundo. Estamos estudando nossa árvore genealógica espiritual. O próprio Senhor Jesus se importa profundamente com Sua noiva (cf Apocalipse 1-3), e nós também deveríamos.
Dando uma aplicação prática, uma das boas formas de nos relembrarmos que somos parte de um corpo de crentes que se expande pelos séculos é cantar hinos. Nessa linha, Carl Trueman dá uma boa sugestão:
Deliberadamente busque a tradição histórica da salmodia e dos hinos para adoração. Não que qualquer coisa escrita por alguém ainda vivo deve ser excluído. Longe disso. Mas tente se assegurar que as músicas da adoração refletem a abrangência cronológica da vida da igreja, do Livro de Salmos em diante. Conscientize as pessoas de que louvor e adoração não é algo que começou apenas seis meses atrás.
Quando cantamos hinos como Sê minha vida (um hino irlandês do Século VI), Fronte Ensanguentada (escrito por Arnulf de Louvain no Século XIII) ou Castelo Forte (escrito por Martinho Lutero no Século XVI), nos conectamos à história da igreja.
Conhecer a história por trás dos hinos nos lembra que pertencemos ao corpo congregacional dos crentes, a igreja universal. E assim como temos irmãos e irmãs por todo o mundo, também temos irmãos e irmãs de gerações passadas que agora estão no céu se regozijando ao redor do trono de Cristo. O estudo da história da igreja nos permite encontrá-los, conforme lemos seus testemunhos e aprendemos sobre suas vidas. Isso também nos lembra de que um dia, em breve, nos uniremos a eles no louvor eterno, quando encontrarmos nosso salvador face a face.
Estudar história da igreja nos lembra que somos parte de algo maior que nós mesmos, ou que as nossas congregações locais ou mesmo que o século em que vivemos. Somos parte da noiva de Cristo – e a Sua noiva consiste de todos os redimidos de todas as gerações.
Traduzido por Filipe Schulz | iProdigo.com | Texto original aqui aqui
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