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A Ascensão da Deusa e da Espiritualidade Feminista - parte 1

Um artigo para os Evangélicos que pensam poder flertar com o romanismo
Forcing Change, Volume 4, Edição 3.
Um artigo on-line recente anunciou que membros do Templo da Deusa da Mãe do Bosque celebrariam um ritual do Equinócio da Primavera no salão paroquial da Catedral Episcopal de Todas as Almas, localizada em Biltmore Village. Um membro do Templo da Deusa explicou o objetivo:
"Criar um santuário permanente, em que pessoas de todas as tradições e fés possam aberta e seguramente celebrar o divino feminino, a deusa. (Midwest Conservative Journal, 22 de março de 2010).
Segundo o MCJ, a "A celebração consistiria em criar um círculo, cantar, mentalizar seus desejos e lançar aviõezinhos de papel contendo orações escritas... em uma alegre expressão do início da primavera e de reunião como comunidade.”
A espiritualidade da deusa está crescendo de forma desmedida. Desde o filme Avatar até os salões das igrejas, a ascensão da espiritualidade da deusa é evidente em todo o mundo ocidental. É impressionante como esse conceito da deusa tem historicamente se inserido na estrutura de nossa sociedade. Basta viajar pelos EUA e manter seus olhos abertos para constatar que desde a Estátua da Liberdade em Nova York, até a estátua da Ísis Negra com Véu, diante da Biblioteca Herbert Hoover, em Iowa, estátuas e imagens da deusa pontilham a paisagem do país.
Por tempo demais os cristãos ignoraram a influência da espiritualidade da deusa; agora, estão descobrindo que estão se conformando com as práticas pagãs em nome da tolerância religiosa. Conceitos da deusa não são mais raros nos círculos cristãos. Portanto, é hora de enfrentarmos a ascensão da deusa.
Esta edição da Forcing Change tratará da questão da espiritualidade da deusa.



Parte 1 — Nosso Pai Que Estás no Céu, ou Nossa Mãe Terra?

Autora: Berit Kjos (http://www.crossroad.to)

Nota do Editor: O artigo a seguir é um excerto do excelente livro A Twist of Faith (A Torção da Fé). Este artigo e o livro demonstram o impacto da espiritualidade da deusa nos indivíduos e na sociedade — o artigo é uma importante janela para a compreensão do pensamento e das motivações religiosas que estão por trás desta poderosa e crescente tendência.
As lutas de Peggy pareciam intermináveis. Ela queria estar perto de Deus, mas raramente sentia Sua presença. Ela queria que seu filho adolescente amasse a Deus, mas os pôsteres ocultistas no quarto dele tornaram-se lembretes diários das orações não respondidas. Ela se filiou a um ministério cristão, mas mesmo assim não conseguiu alcançar uma relação satisfatória com Deus. Após certo tempo, deixou o ministério para voltar à faculdade.
Peggy me procurou alguns anos mais tarde e me disse que começava a se encontrar. Sua busca a levara para além das vozes familiares que haviam dado "respostas convenientes" às suas questões espirituais. O Deus bíblico não parecia mais relevante ou benevolente. Uma professora da faculdade havia sido especialmente importante em sua jornada rumo ao autodescobrimento. Essa professora e orientadora chamava a si mesma de bruxa — alguém que acredita no poder das fórmulas e dos rituais mágicos para invocar o poder das forças espirituais.
Alguns anos se passaram. Quando me procurou novamente, ela havia se separado do marido e se mudado.
"— Eu precisava me encontrar. Minha jornada espiritual abriu meus olhos para todo um novo paradigma", explicou.
"— Um novo paradigma?"
"— Sim. Uma nova forma de ver Deus e a mim mesma — e tudo o mais. É como nascer de novo."
"— Quem é Jesus Cristo para você agora?", perguntei.
"— Ele é um símbolo da redenção. Não rejeitei a Bíblia, mas estou apenas tentando fazer minha experiência espiritual do meu jeito. Tenho de ouvir minha própria voz e não deixar que outra pessoa faça as escolhas por mim. Enquanto isso, estou disposta a viver em confusão e mistério, e sinto que estou nas mãos de Deus, independente de Deus ser ele, ou ela."
A jornada dela soa familiar para você? Como milhões de outras pessoas, Peggy anseia por uma espiritualidade prática, um senso de identidade, uma comunidade de seguidores que pensem de forma semelhante, e um Deus que ela possa sentir. Ela se recorda de versos bíblicos significativos, mas eles perderam a autoridade como diretrizes. De algum modo, a Bíblia não mais se encaixa com o modo dela de pensar ou com aquilo que ela quer.
Ela se indaga por que Deus não é mais tolerante e de mente aberta. Afinal de contas, ele é um Deus de amor, não é? Talvez uma divindade feminina fosse mais misericordiosa, compreensiva e relevante para as mulheres. Talvez seja tempo de ir além das antigas restrições da verdade bíblica, rumo ao reino ilimitado dos sonhos, das visões e do autodescobrimento.
Multidões já foram. As antigas e esparsas jornadas em experiências da Nova Era tornaram-se uma larga avenida cultural rumo a uma espiritualidade autoproduzida. Muitas mulheres que participam de igrejas fluíram para esses caminhos místicos e adaptaram suas antigas crenças às visões mais "inclusivas" de hoje. Afinal, segundo disseram para elas, a paz em um mundo pluralista exige uma visão mais aberta de todas as religiões e culturas.
Aquelas que concordam estão encontrando inúmeros caminhos para a "sabedoria" e a capacitação individual por meio de livros, revistas e novas formas de grupos femininos. Elas se reúnem em igrejas tradicionais, na YWCA (Associação Cristã de Moças), em retiros, em livrarias, em salas de estar... em qualquer lugar. Aqui, novas palavras e práticas estranhas — como eneagramas, labirintos, Círculos de Sofia, consciência global e "massa crítica" — oferecem fórmulas modernas para a transformação espiritual. Terapeutas, mentoras e diretoras espirituais prometem "locais seguros" em que as interessadas poderão descobrir sua própria verdade, aprender novos rituais, opinar sobre as experiências umas das outras e libertar-se das antigas regras e limitações.
Talvez você participe de um desses grupos. Você pode ter amigas ou parentes que estão explorando esses novos caminhos. Ou então você pode estar entre aqueles que se perguntam como essas estranhas atividades místicas poderiam tocar sua vida.
Ao contrário das mulheres que estão buscando a verdade em círculos pagãos, você pode conhecer seu destino e não sente necessidade de alternativas espirituais. Você está seguro em sua família, em sua igreja e entre seus amigos pessoais.
Tem certeza? Esse novo movimento espiritual está transformando nossas igrejas bem como nossa cultura. Ele atinge toda família que lê jornais, que assiste televisão e que envia seus filhos às escolas públicas. Ele está levando rapidamente nossa cultura para além do cristianismo, além do humanismo — e até além do relativismo — rumo a novos valores e crenças globais. Ninguém está imune às suas pressões sutis e aos seus estímulos silenciosos. O fato de ele se associar às outras mudanças sociais e movimentos globais apenas acelera a transformação. Entretanto, a maioria dos cristãos — como o sapo colocado na bacia com água fria aquecida no fogo brando — ainda não percebeu o que está acontecendo.
O movimento feminista exige novas divindades ou, pelo menos, uma redefinição das antigas deidades. Portanto, a busca por uma religião "mais relevante" propõe novas visões de Deus: imagens que troquem a santidade pela tolerância, o celestial pelo terreal e o Deus que está acima de nós por um deus que seja cada um de nós.
As imagens mais sedutoras são femininas. Elas podem parecer como os anjos dos cartões postais, fadas-madrinhas, deusas gregas terrenas, sacerdotisas radiantes da Nova Era, ou mesmo uma Maria mítica, mas todas prometem amor incondicional, paz, poder e transcendência pessoal. Para muitos, essas imagens parecem ser boas demais para rejeitar.

As Máscaras Sedutoras dos Deuses Femininos

Provavelmente você não esperaria encontrar deusas em uma cidadezinha conservadora no interior do estado do Dakota do Norte. Eu não esperava. Mas, um dia, ao visitar a cidade natal de meu marido, uma vizinha nos disse que uma livraria tinha acabado de ser aberta na casa pastoral da velha Igreja Luterana. "Vocês deveriam ir lá conhecer", ela nos incentivou.
Concordei e então fui até a linda igreja branca, caminhei até a casa pastoral ao lado e toquei a campainha. A mulher do pastor abriu a porta e me levou até um quarto amplo que ela tinha transformado em uma livraria, deixando-me à vontade para folhear os livros. Percorrendo as prateleiras ao longo das paredes, observei autores conhecidos como Lynn Andrews, que livremente mistura feitiçaria com rituais dos índios americanos, autocapacitação de Nova Era e outras tradições ocultistas para formar sua própria espiritualidade.
Entre os livros multiculturais na seção infantil, um que chamou minha atenção foi As Muitas Faces da Grande Deusa, "um livro de colorir para todas as idades". As páginas continham desenhos de deusas voluptuosos e famosas. Nuas, com os seios à mostra, grávidas ou com serpentes enroladas no corpo, elas certamente abririam as mentes dos jovens artistas para a atração o sexo "sagrado" e dos mitos antigos.
Enquanto voltava para casa, fiquei considerando a rápida mudança do cristianismo para o paganismo. Aparentemente, os mitos e a sensualidade espiritualizada pareciam bons para aqueles que buscam novas revelações e verdades "mais elevadas". Muitos dos mitos modernos retratam deidades que se encaixam em algum ponto entre uma versão feminina de Deus e as deusas atemporais retratadas nas histórias e nas culturas centradas na terra. Todavia, cada uma delas pode ser feita de encomenda para se encaixar nos gostos e exigências diversos das mulheres de hoje.

Anjos. Terry usa um broche na forma de anjo em sua jaqueta. Ela acredita que os estimados anjos de hoje ofereçam todo tipo de ajuda, direção e encorajamento pessoal. Embora Deus lhe pareça distante e impessoal, ela conta com seu anjo particular para ajudá-la e amá-la. Ela me mostrou um jogo de cartas de anjos em uma prateleira em sua loja de presentes. "Que este anjo da guarda possa... lhe dar esperança e vigor para enfrentar cada novo amanhecer", sugeria um cartão de amizade, que vinha com um broche de um anjinho dourado.
Sofia. "Sofia, Deusa Criadora, que teu leite e mel manem... Inunda-nos com teu amor..." entoaram mais de 2.000 mulheres reunidas na Conferência da Reimaginação de 1993, em Minnesota. "Celebramos a vida sensual que nos dás... Celebramos nossa corporeidade... as sensações de prazer, nossa unidade com a terra e com a água", prosseguiu uma das líderes. Representando as grandes denominações, as mulheres vieram da Igreja Presbiteriana dos EUA (cerca de 400 mulheres), da Igreja Metodista Unida (cerca de 400), da Igreja Evangélica Luterana da América (313), da Igreja Unida de Cristo (144) e das igrejas batista, episcopal e Igreja dos Irmãos (cerca de 150). Cerca de 230 eram católicas romanas. Para a maioria dessas adoradoras, Sofia simbolizava a sabedoria interna e "a imagem feminina do Divino". Brincalhona, permissiva e sensual, ela "tornou-se a mais nova febre entre as mulheres das igrejas progressistas."
Mãe Terra. Para preparar as meninas escoteiras (entre 10 e 12 anos) para uma cerimônia regional de "iniciação na vida adulta", a líder regional Tracy, do Condado de Santa Clara, na Califórnia, utiliza imagens guiadas para alterar suas consciências e ajudá-las a encontrar seu próprio espírito-guia. De acordo com outra líder preocupada, que observou a cerimônia da fogueira, Tracy, vestida como uma índia americana, invocou o Grande Espírito e os espíritos das matas, o Norte, Sul, Leste e o Oeste. Após explicar a entrada das meninas na condição de mulheres e marcar suas frontes com cinzas, ela as levou a uma jornada de meditação.
"Image um campo"... entonou sua voz misteriosa. "Veja uma moça sentada debaixo da sombra de uma árvore. Converse com ela. Essa pessoa sábia será sua companheira e auxiliadora durante toda a vida." Com esse constante e fiel espírito-guia, quem quererá seguir os conselhos da mamãe, do papai, ou de Deus? Por que convidar uma opinião contrária quando o guia fala aquilo que a pessoa quer ouvir — pelo menos no início?
Uma deusa. Sharon cresceu em um lar cristão. Desapontada com a fria resposta de sua igreja às suas preocupações com o meio ambiente, ela se voltou para a feitiçaria. Como seu conciliábulo aceita qualquer expressão panteísta, Sharon simplesmente transferiu aquilo que gostava em Deus para a sua imagem autoproduzida da deusa. Ela descreve seu substituto feminino de Deus como um ser amável e não julgador que preenche toda a criação com sua vida sagrada. Ocasionalmente, essa deusa aparece para ela e a reveste com uma luz brilhante e uma presença espiritual "amorosa".
Essas e incontáveis outras mulheres compartilham duas visões radicais: o cristianismo tradicional, com suas restrições bíblicas, está ultrapassado, e novos panoramas ilimitados de emoções e dons espirituais estão em alta. Vale tudo — exceto a verdade e os padrões absolutos de Deus. O amplo guarda-chuva da espiritualidade feminista abrange todas as religiões pagãs do mundo, mais as atuais distorções populares do cristianismo. A maioria das buscadoras simplesmente recolhe e mistura as "melhores partes" de diversas tradições. A pessoa pode iniciar como a meditação budista, depois adicionar a medicina chinesa, Yôga hindu e a iniciação no deserto dos índios americanos chamada de "Busca Espiritual". Algumas dessas combinações se encaixam melhor com as visões das feministas atuais do que outras, porém a maioria envolve o seguinte:
Panteísmo. Tudo é deus. Um espírito, força, energia ou deus(a) permeia todas as coisas, infundindo todas as partes da criação com sua vida espiritual.
Monismo. Tudo é um. Como o deus panteísta é tudo e está em todos, todas as coisas estão conectadas.
Politeísmo. Muitos deuses. Como a força panteísta ou deus(a) torna tudo sagrado, qualquer coisa pode ser adorada: o sol, as árvores, as montanhas e as águias — e inclusive nós mesmos.
Paganismo. Confiar na sabedoria e nos poderes do ocultismo. Em toda a história, xamãs tribais, curandeiros, pajés ou sacerdotes contactaram o mundo espiritual usando rituais e fórmulas mágicas atemporais que são surpreendentemente similares em todas as culturas pagãs do mundo.
Neopaganismo. Novas combinações idealizadas das antigas religiões pagãs. Para tornar o paganismo atraente na atmosfera autofocada dos dias atuais, seus promotores idealizam culturas tribais e religiões pagãs. Em vez de dizer toda a verdade e nada além da verdade, eles nos dizem que forças espirituais vinculam cada pessoa a cada outra parte da natureza. Qualquer mulher pode funcionar como uma sacerdotisa, contactar o mundo espiritual, manipular as forças espirituais e ajudar a criar a paz e a unidade globais.

Portais para a Deusa

Como a maioria dos neopagãos, Daiane acredita que a espiritualidade centrada na terra traga paz e capacitação pessoal. Ela é uma linda moça com cabelos pretos longos, delgada e com a aparência de ser vegetariana. Ela é cabeleireira, é casada, deseja ter filhos e é membro da Assembleia Pagã de San Francisco. Certa vez, enquanto cortava meu cabelo, ela me contou como descobriu a deusa que a capacita.
"— Sempre gostei de ler, especialmente livros sobre magia e feitiçaria."
"— Qual era seu favorito", perguntei.
"— Drawing Down the Moon (Baixando a Lua), de Margot Adler. (NT: O título se refere a um ritual da Wicca, em que a sacerdotisa do conciliábulo entra em transe e começa a canalizar mensagens e a representar o papel da deusa.).
"— Esse livro é quase uma enciclopédia sobre feitiçaria. Quantos anos você tinha quando o leu?"
"— Eu estava concluindo o ensino médio."
"— Onde você encontrou o livro?"
"— Na biblioteca. Mas eu já tinha lido alguns outros livros, como Medicine Women, de Lynn Andrews.
Meus pensamentos se voltaram para outra moça que tinha lido esse livro alguns anos antes. A professora de Lori no colegial a incentivou a explorar diversas tradições espirituais — até mesmo a criar sua própria religião. Fascinada com a combinação neopagã da autora Lynn Andrews do xamanismo dos índios americanos com a espiritualidade da deusa, Lori encomendou de um catálogo uma tenda indígena, armou-a em seu quintal e a utilizou para realizar rituais à luz de velas inspirados pela Wicca (magia branca). Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ela aprendeu a misturar diversas tradições em uma expressão pessoal que se ajusta à sua própria busca por poder e "sabedoria interior".
Alguns meses antes de Daiane cortar meu cabelo pela primeira vez, eu tinha conhecido uma charmosa aluna da Universidade de Stanford que também chamava a si mesma de pagã. Bete, uma estudante de Pedagogia com Ênfase em Filosofia, tinha lido meu livro sobre espiritualidade ambiental e queria discuti-lo comigo. Um dia, durante um almoço na lanchonete da faculdade, ela compartilhou comigo suas crenças.
"— Quem levou você à feitiçaria e ao lesbianismo?", perguntei após certo tempo.
"— Duas professoras que tive durante o ensino médio", ela respondeu.
Eu não fiquei surpresa. Naquela época, eu já sabia que um número exorbitante de mulheres pagãs escolhem a sala de aula como plataforma para ampliar sua fé e transformar nossa cultura. Como o restante de nós, elas desejam construir um mundo melhor — que reflita suas crenças e valores.
Enquanto Bete falava, observei as joias que estava usando. O pentagrama dourado e a miniatura de uma deusa voluptuosa em uma corrente ao redor do pescoço diziam muito sobre seus valores. Assim também os brincos: dois enormes triângulos cor-de-rosa apontando para baixo, um antigo símbolo da deusa, bem como um moderno símbolo do lesbianismo.
"— E essas suas joias? As pessoas sabem o que o pentáculo e os triângulos simbolizam? Elas criticam você por usar uma miniatura da deusa?"
Ela riu. "— Não, não. Aqui, todos são tolerantes com os estilos de vida dos outros; ninguém ousaria dizer coisa alguma."
Refleti sobre essa afirmação. O que significa ser tolerante — ou intolerante — hoje em dia? Se a intolerância for a postura autocentrada, que despreza as pessoas com valores "diferentes", ela é errada. Jesus Cristo sempre demonstrou amor e compaixão em relação às mulheres excluídas e maltratadas de Seu tempo. No entanto, Ele nunca concordou com estilos de vida destrutivos ou com ações que ameaçassem os demais. O que aconteceria com uma cultura que tolerasse tudo?
Um resultado é óbvio. As três últimas décadas produziram uma abertura sem precedentes para aquilo que era antes considerado como território proibido. A adivinhação, os jogos com temática ocultista, os rituais dos índios americanos e incontáveis outras portas para o paganismo se propagaram desde os quartos secretos dos ocultistas profissionais e dos xamãs indígenas para as salas de aula, para os programas ambientais, para os acampamentos das meninas escoteiras e para as igrejas em todo o país.
Os teólogos "cristãos" mais conhecidos não mais ocultam suas preferências espirituais. "A desconstrução da religião patriarcal — em termos suaves, o suicídio assistido de Deus, o Pai — deixou muitos de nós destituídos de uma divindade", explica a teóloga feminista Mary Hunt. "Mas, a fome humana por valor e significado... encontra uma nova expressão na adoração à deusa."
Essa fome humana por significado e sentido foi planejada para levar as pessoas a Deus. Ele nos criou para que precisemos Dele, não das falsificações criadas pelo homem. Como o filósofo do século 17 Blaise Pascal escreveu: "Há um vazio no formato de Deus em todo coração." Todavia, um número extraordinário de pessoas procura encher esse vazio com substituições sedutoras.

Celebrando a Deusa

Em 2 de junho de 1994, esse desejo espiritual levou centenas de mulheres à Conferência da Renascença do Sagrado Feminino, em San Francisco. Contrariando a proximidade do Solstício de Verão, um vento frio passava pelas paredes de pedra da Catedral da Graça enquanto eu aguardava com a multidão enfileirada nas laterais — e orava.

O frio aumentou. Abotoamos nossas jaquetas e nos agrupamos mais. Algumas mulheres estudavam o programação oficial do evento. A capa mostrava uma deusa sensual dançando diante de um grande círculo — talvez um sol sagrado, ou uma roda budista da vida, ou uma roda da medicina dos índios sioux... Não fazia diferença qual fosse. A deusa do hoje é universal o suficiente para englobar todas as religiões centradas na terra e divindades femininas de todo o mundo.
Um parágrafo introdutório sugeria que essa deusa panteísta unificaria as pessoas e salvaria o planeta:
"Este evento celebra e honra a presença da Mãe Divina no centro da civilização global emergente. O Sagrado Feminino tem um papel central na restauração das nossas mentes divididas e de nosso planeta ameaçado de extinção... Sem a transformação espiritual em uma escala maciça e sem precedentes, a humanidade não conseguirá sobreviver..."
Não sobreviveremos sem uma transformação ocultista?
Olhei para os rostos das pessoas que estavam ao meu redor. Elas estavam se tornando impacientes. O horário de entrada, 18h30min tinha passado e os apelos para abrigo no interior tinham caído em ouvidos antipáticos. "Lembrem-se que estamos em um caminho cíclico, não linear como no antigo caminho patriarcal", foi a única desculpa dada. Eu ri, esperando que a espiritualidade da deusa continuasse a se mostrar como de fato é.
Com vinte e cinco minutos de atraso as portas foram abertas e a multidão entrou rapidamente, lotando a enorme catedral episcopal. Enquanto estranhos cantos à Mãe Terra ecoavam entre os pilares góticos, dei uma olhada em uma pequena folha de papel verde que uma pessoa distribuiu na porta de entrada. "Fracasso", estava escrito no meu papel.
Curiosa, voltei-me para a mulher que estava ao meu lado e perguntei: "— O que está escrito no seu papel?"
A mulher leu e respondeu, franzindo a testa: "Escravidão".
"Ah Ma-ma! Ah Ma-ma! Ah Ma-ma..." cantava o Conjunto Coral de Lésbicas de San Francisco.
À medida que outras também começaram a cantar acompanhando o conjunto, imagens da deusa de várias partes do mundo eram projetadas em um telão. As imagens iam de voluptuosas deusas da fertilidade para assustadoras e vingadoras deusas bebedoras de sangue que exigiam sacrifícios humanos.
A deusa supostamente deveria ser gentil e compassiva, pensei comigo mesma. Todavia, em muitos de seus próprios mitos, ela é mais cruel do que se pode descrever com palavras. Lembrei-me da deusa hindu Kali com sua língua sanguinária e seu colar de crânios humanos.
Uma voz invocou a presença da deusa de muitas faces: "Saudações à grande imperatriz que saiu do fogo da pura consciência..." Silenciosamente, continuei a louvar a Deus. Em seguida, Alan Jones, deão da catedral, compartilhou sua satisfação com nossa cultura "pós-tradicional" e "os novos modos e formas de expressar o espírito".
Uma jornada de quatro passos rumo à unidade consciente com esse "sagrado feminino" teve início com a rendição coletiva: "Nós nos curvamos ao teu sagrado poder, à santa sabedoria de Sofia, nossa amada mãe que está no céu e na terra..."
"Nosso Pai que estás nos céus, santificado seja o teu nome...", orei silenciosamente como forma de tapar minha mente aos outros sons.
O segundo passo, Caos e Tribulações, significava experimentar os sofrimentos do nascimento, do útero e da transformação. Fomos instruídas a imaginar a condição escrita em nosso pedaço de papel de cor verde, entrar naquelas trevas, sentir a dor, invocar a deusa-mãe, depois gemer, chorar e se lamentar. À medida que os sons de lamentos pelas dores imaginadas começaram a ser ouvidos por todo o ambiente, continuei a agradecer a Deus por Seu triunfo sobre as trevas.
O terceiro passo, Abraçar e Compreender, ofereceu somente mitos pagãos e afirmações rasas como soluções para os problemas da vida. Uma história sobre a deusa-solar japonesa terminou com uma fútil solução para o medo: um espelho para olhar para sua própria glória.
Exaltação e Transformação, o quarto passo na jornada rumo ao "sagrado feminino, a fonte do nosso ser", foi liderada por Andrew Harvey, um guru para ocidentais que buscam as experiências místicas do Oriente. Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ele mistura as crenças e práticas de muitas tradições centradas na terra para criar sua própria expressão. Sua mistura de meditação oriental, feitiçaria ocidental, mistérios do sufismo e Psicologia Junguiana pareciam ter conquistado para ele o status de um mestre reverenciado. Imitando os Dez Mandamentos, ele listou "Dez Sugestões Bastante Firmes". A nona sugestão tipifica o foco sensual do paganismo contemporâneo:
As Dez Sugestões Bastante Firmes:
  1. Adore-me... a Mãe. Saiba que eu, a Mãe, sou imanente e transcendente.
  2. Adore todo ser que sente emoções... com minha total ternura.
  3. Atreva-se a adorar a si mesma como minha criança divina.
  4. Saiba... que a natureza é o corpo sagrado da minha vida sagrada.
  5. Saiba que meu amor é eternamente ativo...
  6. Brilhe em todas as quatro direções.
  7. Dissolva todas as barreiras sociais entre seitas e religiões.
  8. Dissolva todas as barreiras entre... o sagrado e o profano.
  9. Descubra e cultive o Eros sagrado em todas suas conexões extáticas.
  10. Saiba que posso ser contactada em qualquer lugar e a qualquer momento por meio de uma sílaba sagrada: 'Ma'. Nenhum intermediário é necessário.
Como Harvey se comunica diretamente com espíritos pagãos, ele recebe os tipos místicos de mensagens que alimentam a rebelião espiritual moderna. Recentemente, a "Mãe Divina" lhe disse que "tudo será transformado quando você conhecer e me ver... Determinei o fim da homofobia. Determinei o fim da razão. Determinei o fim da negação da santidade do corpo.... Determinei o fim da exploração da natureza. Determinei que haverá um jardim..."
A Conferência Sobre o Sagrado Feminino iria continuar por mais dois dias em uma igreja unitariana da cidade, mas eu já tinha visto o suficiente. Dirigindo meu carro de volta para casa, agradeci ao meu Senhor por sua vitória sobre as deidades ocultistas e as forças que elas representam. Somente Ele pode trazer um renascimento da verdade e da luz nessas trevas que estão se propagando.

Olhando Para Frente

Haverá um jardim sob o reinado da deusa? A "Mãe Divina" de Harvey disse que sim, mas quem é ela? Ela sussurra mistérios que o mundo deseja ouvir, mas o que torna seus mitos tão aceitáveis de acreditar — até para líderes de igrejas? O que acontece com as mulheres seduzidas por suas promessas e para aonde ela está levando nossos filhos? O que acontece com as nações que se voltam para "outros deuses" e valores? O que acontece com os cristãos nessas culturas?
Estas e outras questões cruciais são discutidas no restante deste livro. [Nota do Editor: Recomendo a aquisição de A Twist of Faith.] Em cada capítulo, veremos uma frase na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos, depois mostramos como ela é virada de cabeça para baixo pelo movimento de espiritualidade feminista. Após a estrutura de tópicos da oração a seguir, exploraremos os principais mitos que alimentam o reavivamento pagão da atualidade e as principais verdades que nos levam de volta à intimidade com Deus. Considere as diferenças:
Orando a Deus:
  • Nosso Pai que estás nos céus.
  • Santificado seja o teu nome.
  • Venha o teu reino.
  • Seja feita a tua vontade.
  • Dá-nos... o pão nosso de cada dia.
  • Perdoa... como temos perdoado.
  • Não nos deixes cair em tentação.
  • Livra-nos do mal.
  • Pois teu é o reino e o poder.
  • ... para sempre.
Afirmando a deusa:
  • Nossa Mãe, a Terra.
  • Sagrado e perfeito eu sou.
  • Venha a minha visão.
  • Seja feita a minha vontade.
  • Eu não dou... eu possuo.
  • Decido perdoar, ou amaldiçoar.
  • Tentação? Crio meus próprios valores.
  • Não existe o pecado, nem o mal.
  • Meu é o poder.
  • Nada é permanente ou absoluto.
Para as mulheres que buscam novas direções, rostos femininos para Deus e uma imagem melhor de si mesmas, o caminho da espiritualidade feminista pode parecer brilhante e promissor. Entretanto, como Peggy, muitas se encontram nas profundezas da confusão e da solidão espiritual assim que a euforia inicial acaba. Algumas ficam presas em uma espiral espiritual descendente e da qual não conseguem escapar. Quando já é tarde demais, elas se encontram imersas na opressão e na confusão, em vez de obterem amor e paz.
Uma irmandade global de militantes feministas iradas está ascendendo ao poder. A Conferência Mundial das Nações Unidas Sobre a Mulher, em Pequim, na China, deu uma amostra de sua influência. Ela deu às líderes ordens de marcha destinadas a revolucionar nossos lares, escolas, igrejas, serviços sociais, a sociedade civil e a cultura. Se o movimento feminista receber aquilo que exige, ninguém escapará de sua influência global. Os cristãos enfrentarão o tipo de ódio e perseguição que levou os puritanos à América do Norte, mas não haverá lugar para se esconderem além de Cristo.
Conforme observamos essas transformações à luz da Sua Palavra, Deus nos ajuda a compreender esta crise e a nos prepararmos para o conflito vindouro. Quando confiamos Nele e contamos com Suas promessas, Ele não apenas nos mantém espiritualmente ilesos durante nossa jornada, mas também nos mostra um contentamento e uma vitória que apenas são possíveis para aqueles que ousam enfrentar a realidade, recusam a contemporização e concentram suas mentes em seguir o Sumo Pastor das ovelhas.
Fonte:Espada do Espírito

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