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O deus re(l)acional

Hb 13.9 Não se deixem levar pelos diversos ensinos estranhos…
Recentemente vimos catástrofes terríveis como a do terremoto no Japão, furacão Katrina, e o Tsunami no sul asiático. Provavelmente, se você é um cristão há muito tempo, já procurou respostas para cada uma dessas mega-catástrofes em outros blogs hoje ou em outros tempos. Mas o que me motivou escrever este artigo não foi dar uma resposta bíblica do porquê dessas coisas acontecerem para você que é um crente fiel, mas sim responder a algumas questões levantadas por pastores que, desviando o contexto e conteúdo da Bíblia, levam seu povo a um beco sem saída.
Apesar da minha pouca idade, não é de hoje que vejo algumas coisas apresentadas por Ricardo Gondim e me entristeço, ou até fico irado. Não o conheço, não posso e nem devo falar do seu caráter, até porque ele deve ser sim uma pessoa que tem suas boas intenções. Porém, a Bíblia faz diversas exortações contra ensinos estranhos na igreja, como em Hb 13.9, 2 Pe 2, 2 Tm 4.2-5 e Tt 3.9. Por isso, faz-se necessário dar uma resposta aos questionamentos feitos por este pastor que, infelizmente, é um dos expoentes dessa teologia chamada Teísmo Aberto, aqui no Brasil. E sempre que eventos catastróficos ocorrem, proeminentes nomes dessa corrente teológica se levantam para questionar o cristianismo ortodoxo.

O que diz o Teísmo Aberto?

1)Liberdade Libertária: Esse conceito contrasta com a doutrina bíblica do compatibilismo, que diz que nossas ações não são totalmente livres, pois estamos condicionados a uma causa(pecado), ainda que de certo modo livres. Para os teólogos da Liberdade Libertária, nossas ações, ainda que de certa forma não sejam totalmente arbitrárias, elas são livres.
Stephen Wellum ao descrever (combatendo) o Teísmo Aberto diz:
“David Basinger declara isso da seguinte maneira: para que uma pessoa seja livre para executar uma ação, ela precisa ter em seu  poder a opção de ‘escolher realizar a ação A ou escolher não realizar a ação A’. Tanto A quanto não A poderiam realmente ocorrer. O que realmente vai acontecer não foi determinado.”
Veja que essa afirmação tem implicações seríssimas sobre quem cremos ser o nosso Deus. Segundo Calvino, uma correta doutrina de Deus e uma boa compreensão de quem é Deus definirá toda nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Se cedermos às pressões da Liberdade Libertária, estaremos nos rendendo a um entendimento errado de quem é Deus, e isso afetará nossa compreensão do mundo e de nós mesmos.

Se Deus não determinou as coisas que aconteceriam, então realmente creremos como os teístas abertos. É uma implicação importante dessa teologia. Se nosso Deus não é soberano, se Deus não determinou que as coisas aconteceriam da forma que aconteceriam, então o homem é livre para tomar suas ações. Porém, existe um fator importantíssimo esquecido por tais teólogos: o pecado. O pecado não é simplesmente uma ação cometida pelo homem, mas é a força motriz por trás de cada ação tomada pelo homem. Ao negar a soberania de Deus, tais teólogos estão atacando um ponto importantíssimo que fala sobre a liberdade humana, mas não é o único ponto. Nós devemos ser gratos aos grandes reformadores que nos relembraram da condição pecaminosa humana – Sl 51.
Para Vincent Cheung:
Os cristãos devem rejeitar a defesa do livre-arbítrio simplesmente porque a Escritura rejeita o livre-arbítrio; antes, a Escritura ensina que Deus é o único que possui livre-arbítrio. Ele diz em Isaías 46:10, “O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade”. Por outro lado, a vontade do homem é sempre escrava, ou do pecado ou da justiça: “Mas graças a Deus que, embora tendo sido escravos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E libertos do pecado, fostes feitos escravos da justiça” (Romanos 6:17-18). O livre-arbítrio não existe — ele é um conceito assumido por muitos cristãos professos sem uma garantia bíblica.
Uma resposta bíblica:
Provérbios 21.1: O coração do Rei é como um rio controlado pelo Senhor; Ele o dirige para onde quer.
2)A Soberania de Deus: Para a grande maioria dos teólogos do Teísmo Aberto, Deus se limita em sua soberania para dar vazão à vontade humana de forma que o homem e Deus possam construir o futuro de forma conjunta. Dessa forma, Deus nunca pode garantir que aquilo que Ele quer será realizado. Clarck Pinnock afirma que “o que Deus quer que aconteça nem sempre se realiza por causa da liberdade humana.”
Ora, vejamos se isso não é um deísmo disfarçado. Se Deus não pode realizar seus propósitos, por que ele se relacionaria com os homens? É interessante perceber que os teólogos do Teísmo aberto, principalmente Ricardo Gondim, apelam para esse caráter relacional de Deus para que possam justificar um Deus que nunca determina as coisas. Porém, um Deus que não realiza seus propósitos será sempre um fraco. Peguemos a ilustração do casamento e transportemos para o próprio Deus, no seu relacionamento com sua igreja. Existe um líder, a parte forte (Ef 5, 1 Pe 3) e uma parte mais frágil (1 Pe 3.7). Se esse líder se torna a parte mais frágil, como garantir o prosseguimento feliz da história? É certo que os conflitos surgirão aos montes. Apelar para pensamentos como o de um Deus que não controla é, em ultima instância, apelar para um Deus que não se relaciona de forma alguma.

E as tragédias?

Já que para os teólogos aqui combatidos Deus é limitado e não pode garantir nada no futuro, então as tragédias sempre pegam Deus de surpresa. Mas será que é assim que a Bíblia fala que o mal acometeria à humanidade? Será que os males que nos assaltam são sempre frutos de causas inesperadas até para o Senhor?
Para John Piper:
“Seus propósitos [Deus] não são simples. Jó era um homem piedoso e suas misérias não eram uma punição de Deus (Jó 1:1,8). O desígnio delas era purificação, não punição (Jó 42:6). Mas nós não conhecemos a condição espiritual dos filhos de Jó. Jó certamente estava preocupado com eles (Jó 1:5). Deus pode ter tirado as suas vidas em julgamento. Se isto for verdade, então a mesma calamidade prova ser, no fim, misericórdia para Jó e julgamento para os seus filhos. Esta é a verdade de todas as calamidades. Elas são um misto de julgamento e misericórdia. Elas são tanto punição como purificação. O sofrimento, e até mesmo a morte, pode ser um ou outro.”
O problema do mal
Rm 8.19-13
A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.
Rm 5. 10-12
Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem recebemos agora a reconciliação. Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram;
No primeiro texto, entendemos que o mal existe, mas, no segundo texto, entendemos que se negamos a imputação do pecado de Adão sobre nós, estaremos negando a imputação da justiça de Cristo sobre nós do mesmo modo. Teólogos do Teísmo Aberto diversas vezes não querem ser culpados por Adão e não querem a maldição que Ele traz. Mas compreender a maldição – que é a causa do mal no mundo – nos faz entender a graça de Deus em Jesus.
O propósito de Deus sempre foi revelar ao mundo seu Filho! Deus não foi pego de surpresa nem quando Adão e Eva pecaram. Ele sempre teve tudo sob seu controle, e a Glória do Unigênito precisava ser revelada ao mundo para julgamento e para salvação.
Pensar em tragédias a parte de Deus como um mal que não merecemos é minimizar o pecado. Nós cristãos ortodoxos somos acusados de diminuir o Deus de amor da Bíblia e aumentar o caráter julgador dEle. Mas veja se não é exatamente o contrário: temos uma consciência enorme do pecado, porém a graça de Deus é ainda maior. Isso só nos faz exultar ainda mais no amor de Deus, mesmo em meio a tragédias como no Japão. É claro que não estou dizendo que fico feliz ao ver pessoas morrendo, mas sei que um Deus soberano exerce sua vontade exercendo juízo e misericórdia.
Conclusão
Diminuir Deus não faz do homem um ser livre. Diminuir o poder e a influência do pecado original nos livra da salvação em Cristo. Como então crer nessa doutrina? Como crer que um Deus pequeno e um homem maior do que o homem bíblico pode ser levado à salvação? A única resposta só pode ser encontrada ao analisar a doutrina das Escrituras no Teísmo Aberto. Infelizmente, mesmo que de forma velada, se existe alguma simpatia pelo Teísmo Aberto, a Palavra de Deus será menosprezada em algum sentido, ainda que eles mesmos não saibam explicar muito bem.
Por Rafael Bello  Fonte: IProdigo
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