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Rob Bell e o “evangelho” sem julgamento

(Sobre o mesmo assunto, sugerimos a leitura deste artigo.)
Em 2003, eu era um estudante universitário na Romênia precisando de algum incentivo de pastores e professores lá dos Estados Unidos. Um pastor americano, amigo meu, recomendou que eu escutasse as pregações de dois pastores: Rob Bell e James MacDonald (é incrível que apenas oito anos atrás os ministérios desses dois homens fossem vistos como complementares!).
Eu baixei dúzias de sermões do Rob de seus primeiros anos na Mars Hill. Eu gostava do seu estilo de pregação e apreciei seus sermões em Levítico. Sua mensagem mais memorável, “O bode saiu do prédio”, terminava com uma poderosa ilustração de que Cristo carrega nossos pecados.
Dois anos mais tarde, eu estava menos impressionado com o ensino de Rob. Eu li Velvet Elvis (Repintando a Igreja, em português) tão caridosamente quanto me foi possível, mas eu estava preocupado com algumas das afirmações do Rob. Rob gosta de fazer perguntas que parecem levar a uma certa direção; então ele volta atrás e diz algo mais parecido com o ensino cristão (veja a seção “nascimento virginal”, por exemplo).


A última vez que ouvi um sermão do Rob Bell foi em 2006. Rob estava sendo criticado porque ele negou que Jesus fosse o único caminho para Deus. Respondendo às críticas, Rob disse à sua congregação: “Deixe-me ajustar o registro. Jesus é nosso único caminho.” Depois disso, eu mudei de canal. “Jesus é NOSSO único caminho?”. Essa era a forma de Rob continuar tendo um bolo depois de comê-lo. Ele desviou da pergunta de uma forma pensada para responder as críticas, mas deixou a porta aberta para o pluralismo.

Bell é um Universalista?

Em 2008, eu li “The God Who Smokes: Scandalous Meditation on Faith” de Timothy Stoner. No livro, Tim conta uma conversa com alguns amigos sobre a visão de Rob da pessoa sem Cristo:
“Okay”, eu disse, “Entendi que é importante escutar outras ‘histórias’. Entendi que outros pontos de vista devem ser respeitados. E eu concordo. Mas…” e aqui eu tomei fôlego pra um efeito dramático “…no fim do dia, Rob está dizendo que há outras histórias que podem levar a Deus? Ele está só repetindo criativamente aquela velha linha dos anos 1900, que leva à divisão entre liberais e fundamentalistas? Ele acredita, lá no fundo, que aqueles que sinceramente seguem outros caminhos, que buscam a justiça e a compaixão, mesmo que rejeitem Jesus, serão salvos?”
Houve o momento de silêncio que inevitavelmente é seguido por explosões verbais. O que eu não esperava era o fervor da resposta.
Em nossa rodinha havia um jovem que conhecia Rob pessoalmente. Ele havia sido um dos membros fundadores de sua igreja, havia servido em posições de liderança, então era muito íntimo dele. Após o meio segundo de silêncio, ele disse abruptamente “É claro que isso é o que ele acredita!”.
A sentença não era depreciativa. Era uma afirmação.
O livro mais novo de Rob, Love Wins, promete bater na questão céu/inferno. O vídeo promocional é um clássico do Bell: provocador, ousado, feito para começar uma discussão.
Até que o livro saia, eu não acho que possamos rotular apropriadamente Rob como “universalista”. Baseado na tendência de Rob de fazer perguntas ousadas e depois voltar atrás, eu espero que em algum lugar no livro Rob irá afirmar que pessoas que não querem ser parte do reino de Deus não serão forçadas a isso. No fim, Rob vai terminar em algum lugar entre o inclusivismo otimista (quase todo mundo será salvo) e o universalismo (todos serão salvos).
O inclusivismo otimista de Rob leva a uma redefinição do ensino cristão. Eu suspeito que no livro Rob irá redefinir evangelismo como dizer às pessoas o que já é verdade sobre elas (que elas estão perdoadas, Deus não está zangado). Conversão será remodelada como “adequar-se ao seu estado de perdão”. Salvação de Deus é sobre perceber que você não precisa ser salvo de Deus.

A atratividade do “evangelho” sem julgamento.

Quando discussões teológicas como essas aparecem, é sempre uma boa idéia pensar sobre por que certos pontos de vista são populares. Uma das seis falsificações que eu abordo em “Evangelhos Falsificados” é “O Evangelho sem julgamento” e, naquele capítulo, eu aponto três razões por que ele é atraente.
1 . Ele remove uma barreira emocional ao Cristianismo.
Vamos encarar. Uma das razões porque somos atraídos por essa falsificação é porque ela nos ajuda a passar por uma grande barreira emocional de compartilhar nossa fé. Se nós removermos o obstáculo e a ofensa do julgamento eterno, estaremos em uma posição melhor para tornar o cristianismo mais palatável a uma sociedade que não tem espaço para julgamento em sua compreensão de Deus.
2. Ele tranquiliza nossa consciência.
Outra razão porque essa falsificação nos atrai é que ela tranquiliza nossa consciência quando nós falhamos em evangelizar. Tiraria uma carga dos meus ombros afirmar, junto com Orígenes, que todos serão eventualmente salvos, incluindo o diabo. Mas a Bíblia não me deixa seguir por esse caminho. Adotar essa falsificação também nos ajuda a lidar emocionalmente com o fato de que temos amigos e parentes não salvos que já morreram. Nós não queremos imaginar que o vovô pode estar no inferno. Subestimar o julgamento nos ajuda a lidar com isso.
3. Ele nos livra de termos que encarar nossa própria maldade.
A maioria de nós no Ocidente tem sido protegida das atrocidades da humanidade. Se nós tivéssemos que experimentar os campos de assassinato no Camboja, ou Auschwitz, ou Ruanda, poderíamos estar mais preocupados com justiça. Os Guiness cita Winston Churchill quando este diz que a evidência da existência de Deus era “a existência de Lenin e Trotsky, para os quais um inferno é necessário”.
Uma vez que nós admitimos que a justiça é necessária, nós abrimos a porta para lidar com os nossos próprios pecados. Talvez este evangelho seja atraente porque há uma parte de nós que gostaria de suprimir a justiça em vez de admitir a justiça e então acusar a nós mesmos.

A Beleza do Evangelho Bíblico

No fim das contas, o evangelho sem julgamento não é um evangelho. Ele nos deixa com um Deus diminuído e sem nenhuma necessidade da graça:
Leve embora a noção de julgamento e você rouba do cristianismo qualquer esperança de satisfazer nosso desejo por justiça, um desejo construído em nós pelo nosso justo e sábio Deus. O evangelho sem julgamento não consegue lidar com o problema do mal e a forma prejudicial com que nós humanos tratamos uns aos outros (e, por extensão, a Deus). Uma vez que nós tiramos o julgamento, perdemos a gravidade de nosso pecado. Quando deixamos de ver nossa pecaminosidade, nós causamos um curto-circuito em nossa experiência da poderosa gratidão que vem quando recebemos graça.
O que o evangelho sem julgamento nos deixa é com um Deus de uma única dimensão – uma divindade viçosa, limpinha, que podemos facilmente controlar. Ele acena e pisca para o nosso comportamento, como um idoso gentil que não está realmente envolvido com nossas vidas. Mas o mal de nosso mundo é sério demais para nós olharmos para Deus como um papai alcoviteiro.
A figura de Deus na Bíblia é muito mais satisfatória. Ele está zangado PORQUE ele é amor. Ele olha para o mundo e vê o tráfico de garotas inocentes, o uso destrutivo de drogas, as atrocidades genocidas na África, os ataques terroristas que mantém as pessoas em um medo eterno, e ele – a partir do amor pela criação que o reflete como criador – está corretamente e gloriosamente furioso. O verdadeiro amor sempre quer o melhor para o amado.
O Deus que é realmente assustador não é o Deus irado da Bíblia, mas o deus do evangelho sem julgamento, que fecha os olhos para o mal deste mundo, dá de ombros e ignora tudo em nome do “amor”. Que tipo de “amor” é esse? Um deus que nunca fica com raiva do pecado e que deixa o mal seguir impune não é digno de adoração.
O problema não é que o Deus que não julga ame demais; o problema é que ele não ama o suficiente.
Eu oro para que Rob possa novamente pregar as glórias do Deus que realmente ama, o Deus que sustenta sua própria glória a todo custo, o Deus que nos ama apesar do nosso pecado, o Deus que recebe em sua carne e morre por nós para que possamos encontrar eterna satisfação nele. Nas palavras de Tim Stoner, o amor Santo vence:
… O amor que vence é um amor santo.
O amor que venceu na cruz e vence o mundo é um amor que é dirigido, determinado e definido pela santidade.
É um amor que flui do coração de um Deus que é transcendente, majestoso, infinito em retidão, que ama a justiça tanto quanto ama a misericórdia, que odeia a impiedade tanto quanto ama a bondade, que se inflama com um amor ardente e apaixonado por si mesmo sobre todas as coisas.
Ele é Criador, Sustentador, Princípio e Fim.
Ele vestiu-se em uma pureza e esplendor eterno que cegam.
Ele domina, ele reina, ele se enfurece e grita, então se inclina para sussurrar canções de amor às suas criaturas.
Seu amor é vasto e irresistível.
Ele também é terrível, e não poupará esforços para nos dar tudo para nos libertar da escravidão do pecado, purificando para si mesmo um povo que seja dedicado à sua glória, um povo que não tem “nenhuma ambição, a não ser para fazer o bem”.
Então ele esmaga seu precioso Filho para resgatar e restaurar a humanidade junto com toda a sua criação.
Ele libera um julgamento perfeito sobre o sacrifício perfeitamente obediente e então o puxa para fora da sepultura em uma vitória absoluta sensacional.
Ele é um Deus que triunfa.
Ele é um ciclone queimando de amor apaixonado.
O amor Santo vence.
 por Trevin Wax  Fonte: IProdigo
Traduzido por Daniel TC | iPródigo | Original aqui.

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