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Satanás, o orgulhoso e poderoso (I)

De onde surgiu a ideia de um Diabo de pele vermelha, carregando um tridente? As raízes dessa caricatura grotesca de Satanás vêm da Idade Média. Era um esporte popular da época medieval zombar do Diabo, descrevendo-o em termos ridículos. Havia um método nesta loucura. A igreja medieval acreditava na realidade de Satanás. Ela estava consciente de que Satanás era um anjo caído que sofreu de uma overdose de orgulho. Orgulho era a suprema fraqueza de Satanás. Resistir a Satanás, aquela criatura orgulhosa, mas caída, requer um combate feroz. O combate era focado no ponto mais vulnerável de Satanás, seu orgulho. A teoria era esta: Ataque Satanás no seu ponto de fraqueza e ele fugirá de vocês.
Qual a melhor maneira de atacar o orgulho de Satanás do que mostrá-lo como um bobo da corte, de casco fendido e em um terno vermelho? Estas imagens tolas de Satanás eram caricaturas intencionais. Infelizmente, as gerações posteriores responderam a estas caricaturas como se elas fossem verdadeiras.
A visão bíblica de Satanás é muito mais sofisticada do que a caricatura. As imagens bíblicas incluem a de um “anjo de luz” (2 Coríntios 11.14). A imagem de um “anjo de luz” indica a capacidade inteligente de Satanás manifestar-se sub species boni (sob a aparência do bem). Satanás é sutil. Ele é sedutor. A serpente no jardim foi descrita como “astuta” (Gênesis 3.1). Satanás não surge como um tolo. Ele é uma falsificação sedutora. Ele é um orador eloqüente. Sua aparência é deslumbrante. O príncipe das trevas veste um manto de luz.
A segunda imagem que temos de Satanás é a de um leão que ruge e está à procura de quem irá devorar (1 Pedro 5.8). Notem que a mesma figura usada por Cristo, o leão, é usada por Satanás, o protótipo do Anticristo. O anti-leão devora. O Leão de Judá redime.
Com ambas as alusões ao leão, encontramos como símbolo a força, embora com Satanás seja uma força do mal e demoníaca. Sua força não se compara com a de Cristo, mas certamente é uma força superior às nossas. Ele não é mais forte que Cristo, mas é mais forte que nós.
Existem dois caminhos que Satanás freqüentemente nos engana. De um lado, ele nos faz subestimar a sua força. De outro lado, há momentos que nos faz superestimar a sua força. Em qualquer caso, ele nos engana e pode nos fazer tropeçar.


O pêndulo da crença popular sobre Satanás tende a oscilar entre esses dois extremos. De um lado estão os que não acreditam que ele exista, ou se ele existe, é uma mera “força” impessoal maligna, uma espécie de mal coletivo que encontra sua origem no pecado da sociedade. Do outro lado há aqueles que têm uma preocupante fixação, um foco de atenção quase ocultista sobre ele, e desviam seus olhares de Cristo.
Em qualquer caminho, Satanás conquista algum espaço. Se ele conseguir convencer as pessoas que ele não existe, ele pode trabalhar seus enganos sem ser detectado e sem resistência. Se ele levar as pessoas a ficarem preocupadas com ele, pode atraí-las para o ocultismo.
Pedro subestimava Satanás. Quando Jesus avisou Pedro sobre sua iminente traição, Pedro protestou, dizendo: “Senhor, estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte” (Lucas 22.33). Pedro estava muito confiante. Ele subestimou a força do adversário. Momentos antes, Jesus o alertou sobre a força de Satanás, mas Pedro rejeitou esse aviso. Jesus disse: “Simão, Simão! Satanás pediu vocês para peneirá-los como trigo” (Lucas 22.31).
Os protestos de Pedro rapidamente viraram massa nas mãos de Satanás. Foi tão fácil para Satanás seduzir Pedro como é fácil separar o trigo numa peneira. No jargão comum, foi como se Jesus dissesse a ele: “Pedro, você é moleque. Você não é páreo para a terrível força de Satanás”.
Ainda assim, o poder de Satanás sobre nós é limitado. Ele pode ser mais forte do que nós, mas temos um campeão que pode e, de fato, nos defende. As Escrituras declaram: “Maior é aquele que está em vocês do que aquele que está no mundo” (1 João 4.4). Tiago acrescenta essas palavras: “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7). Quando resistimos ao rugido do leão no poder do Espírito Santo, ele foge com o rabo entre as pernas.
Satanás peneirou Pedro, mas sua vitória foi temporária. Com o aviso, Jesus também trouxe a consolação: “Mas eu orei por você, para que sua fé não desfaleça. E quando você se converter, fortaleça seus irmãos” (Lucas 22.32). Jesus predisse tanto a queda, quanto a restauração de Pedro.
Subestimar Satanás é sofrer o orgulho que precede a destruição. Superestimá-lo é dar a ele mais honra e respeito que ele merece.
Satanás é uma criatura. Ele é finito e limitado. Ele é subordinado a Deus. O Cristianismo nunca aceita um princípio dualista de poderes opostos e iguais. Satanás é mais forte que os homens, mas não é páreo para Deus. Ele não tem atributos divinos. Seu conhecimento pode exceder o nosso, mas ele não é onisciente. Sua força pode ser maior do que a nossa, mas não é onipotente. Ele pode ter uma esfera de influência mais ampla do que a nossa, mas ele não é onipresente.

Subestimar Satanás é sofrer o orgulho que precede a destruição. Superestimá-lo é dar mais respeito do que ele merece
Satanás não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele é uma criatura limitada, como todos os anjos bons ou maus, pelo espaço e pelo tempo. É provável que na sua vida inteira você nunca experimentará um encontro direto e imediato com o próprio Satanás. Você pode encontrar um de seus capangas de segunda classe ou alguém de sua série de discípulos, mas é provável que ele gaste seu tempo e espaço em objetivos maiores do que eu ou você. Mesmo em seu ataque concentrado em Jesus, Satanás se apartou d’Ele por um longo tempo (Lucas 4.13).
Traduzido por André Carvalho | iPródigo.com | Original aqui
Por 
R.C. Sproul  -  Fonte:IProdigo

3 comentários:

Pb Fernando disse...

Muito bom e elucidativo esse comentário concernente ao príncipe das trevas. Sabemos que há muitos Cristão que, por ignorância Bíblica o desafia como se esse inimigo fosse um fracote. Talvez essa seja a causa da derrota de muitos crentes Brasil afora.

Anônimo disse...

Pastor, sugiro ler o livro: "Onde a Religião Termina. Marcelo da Luz. Gratuito no google books." Procure em search pelas palavras: falácia do falso dilema. Há muitas outras falácias como a do apelo a tradição, emoções, medo, argumento circular e outras. Compreendo que a postura de fé continua sendo uma das maiores fontes de manipulação anticosmoética da humanidade. Ao negligenciar a duvida em relacao a aceitacao daquilo que não se conhece, a consciencia deixa de aprender também a reconhecer suas proprias limitacoes, considerar outras possibilidades, investiga-las e adquirir novos aprendizados. A intencao não é impor, mas chamar a atencao pela responsabilidade do uso da razao. Na sua opniao existe fé racional? ffbjunior@gmail.com Um abraço.

Pr. Anselmo Melo disse...

Obrigado pela sugestão Junior. Vou procurar o livro e dar uma conferida.
Respondendo sua pergunta quero dizer que acredito sim em fé racional, ou melhor, uma fé que da razão.
Minha fé sempre foi inquietante no sentido de manter-me aberto ao dialogo com o que se contrapõe.
Não creio na afirmação de que a postura de fé continua sendo uma das maiores fontes de manipulação anticosmoética da humanidade. Talvez isso seja verdade em parte, mas não por causa da fé ou do objeto e sim por conta do próprio homem. De sua índole preguiçosa e mais afeita ao comodismo.
Um grande abraço

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