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Crepúsculo e os vampiros mórmons no Jardim do Éden (I)

Se você visitou uma livraria, deu uma olhada nos jornais na fila do super mercado ou assitiuEntertainment Tonight [programa de variedades semelhante ao Vídeo Show] no aeroporto (ninguém que eu conheço admite que assiste esse programa em casa) nos últimos quatro anos, então você já viu alguma coisa sobre a série de livros Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Eles continuam a povoar o topo das listas de livros mais vendidos mesmo após um ano da publicação do último volume, e os filmes baseados na história, assim como os livros, perdem apenas para a série Harry Potter, de J. K. Rowling, em termos de popularidade.
Após entrar em contato com a série Crespúsculo contra minha vontade, tive o prazer de descobrir que a Srta. Meyer é uma excelente escritora, mesmo que não seja tão boa estilísticamente, e que sua popularidade se deve não só ao fim de Harry Potter, mas também pelas suas próprias capacidades e significado de sua obra. Apesar de conter vampiros, não é uma obra do gênero vampírico clássico; são uma brilhante mistura de romance juvenil, drama, histórias de super heróis e thrillerinternacional. Esse tipo de obra com dois ou três gêneros não é simples de escrever, mas a Srta. Meyer o fez.

Uma necessidade espiritual

Bella Swan, interpretada por Kristen Stweart
Bella Swan, a heroína, interpretada por Kristen Stewart
Eu digo que a série Crepúsculo é algo que merece a atenção das pessoas mais esclarecidas, primeiro, por causa de sua incrível disseminação no imaginário dos leitores freqüentadores de cinema americanos e, segundo e mais importante, por causa da razão pela qual esses livros são tão populares: eles suprem uma necessidade espiritual. Mircea Eliade, em seu livro The Sacred and the Profane [“O sagrado e o profano”], sugere que o entretenimento popular, especialmente a literatura e os filmes de ficção, exerce uma função religiosa/mitológica  na cultura secular. Quando Deus é deixado de lado na esfera pública, as capacidades espirituais precisam se exercitar, e normalmente o fazem na “suspensão da realidade” e no uso da imaginação que estão presentes nesses livros e filmes.
Os livros e filmes que satisfazem essa busca espiritual mais profundamente são os que tem  conteúdo religioso de algum tipo, mesmo que de qualquer tipo. Não apenas O Senhor dos Anéis ou As Crônicas de Nárnia, mas Harry Potter e Matrix também contém simbolismos e toques religiosos que ecoam nos leitores e fãs de cinema.
O que nos leva a Crepúsculo. Esse romance Gótico que contém vampiros atípicos e lobisomens heróicos é uma alegoria para o relacionamento de amor entre Deus e o Homem. São, de fato, uma reimaginação do drama do Jardim do Éden – com um toque Mórmon. Aqui, a Queda é uma coisa boa e até mesmo a chave para a salvação e divinização, assim como disse Joseph Smith Jr., o profeta dos Santos dos Últimos Dias. Crepúsculo traz a atraente mensagem de que os meios mais garantidos para chegar a Deus são o sexo e o casamento.

A história de Crepúsculo

Para aqueles que não leram a série, aqui estão os resumos de cada livro para te ajudar a acompanhar a discussão:
Os livros da série
Os livros da série
Crepúsculo: A heroína, Bella Swan, se muda de Phoenix, Arizona, para morar com seu pai na sempre chuvosa Forks, em Washington, na península Olympic. Na escola de Forks, ela conhece e se apaixona por Edward Cullen, um pálido e atraente estranho que guarda alguns segredos. Edward é um vampiro (apesar de nada parecido com o Conde Drácula), e faz o que pode para se conter e não devorá-la viva, apesar da determinação de sua família de se alimentar apenas do sangue de animais, não de seres humanos. James, um vampiro malvado com menos escrúpulos, decide caçar Bella para almoçar. Edward e sua família salvam o dia após Bella se oferecer sacrificialmente para James em troca da vida de sua mãe.
Lua Nova: Bella corta seu dedo acidentalmente na sua festa de aniversário, e o irmão de Edward a ataca. Jovem galante que é, Edward, no topo de seus 100 anos eternizados na aparência de um jovem, decide, após salvar Bella de seu irmão, que ele e sua família devem deixar a cidade, pelo bem de Bella. Ela somente é resgatada do sofrimento dessa perda por Jacob Black, seu amigo índio norte-americano, que também possui um segredo: ele e todos de sua tribo Quileute são lobisomens, que se transformam em grandes lobos para proteger sua reserva dos vampiros. Enquanto isso, Victoria, amante do falecido James, está atrás de Bella para vingar a morte de James. Edward recebe uma falsa notícia de que Bella se suicidou, e baseado nisso, recorre aos Volturi, líderes dos vampiros, na Itália, esperando que eles o matem e o livrem do sofrimento. Bella chega a Itália bem a tempo de salvar Edward, e eles passam por uma terrível entrevista com os Volturi, que os deixam ir com a condição de que Bella seja transformada em vampira logo. Edward concorda em transformar Bella, mas apenas quando ela se casar com ele.


Edward Cullen, o vampiro galã, interpretado por Robert Pattinson
Edward Cullen, o vampiro galã, interpretado por Robert Pattinson
Eclipse: Edward ou Jacob? Como uma garota pode decidir? Mas a maior preocupação de Bella é se manter viva; Victoria não desiste de seu plano de se vingar da morte de James, e cria um exército de novos vampiros para atacar Bella e seus protetores em Forks. Ao fim de toda a ação, Edward salva a garota e mata Victoria, e Bella decide se casar com ele, apesar de ainda amar Jacob também. Jacob se transforma em lobo e corre para a floresta de North Woods.
Amanhecer: Um lindo casamento, lua-de-mel em uma ilha deserta – e a concepção de um bebê vampiro-humano, cujo parto quase resulta na morte de Bella. Edward impede que ela morra ao transformá-la em vampira, mas os Volturi, que têm dúvidas sobre a real natureza do bebê, aparecem em peso para destruir Edward, Bella, o bebê e qualquer outra pessoa que esteja em seu caminho. Após os Cullens reunirem uma multidão de testemunhas para afirmar que o bebê é inofensivo, os Volturi finalmente recuam quando descobrem uma índia sul-americana que também é parte humana, parte vampira. Fim.

Um sonho inspirador

Os livros foram inspirados por um sonho que Stephenie Meyer teve em 2003, que ela descreve da seguinte forma: “Em meu sonho, duas pessoas estavam tendo uma intensa conversa em uma clareira na floresta. Uma dessas pessoas era apenas uma garota comum. A outra pessoa era incrivelmente bela, brilhante, e era um vampiro. Eles estavam discutindo as dificuldades inerentes aos fatos que 1, eles estavam se apaixonando enquanto 2, o vampiro era atraído particularmente pelo cheiro do sangue da garota, e estava tendo dificuldades para se segurar e não matá-la imediatamente”.
Stephenie Meyer
Stephenie Meyer
A palavra-chave no sonho da Srta. Meyer não é “vampiro” ou “namorada”, mas “clareira”. Todas as cenas importantes de confronto nos quatro livros da série Crepúsculo acontecem em clareiras, normalmente nas montanhas Olympic. James, o vampiro malvado, encontra Bella lá em Crepúsculo, o exército de vampiros de Victoria lutam contra os Cullens lá em Eclipse, e o confronto final contra os Volturi também acontece lá, em Amanhecer.Edward se revela para Bella na clareira “perfeitamente circular” do sonho inspirador da Srta. Meyer, e ela vê Jacob Black, seu amigo Quileute, transformado em lobisomem pela primeira vez na mesma clareira em Lua Nova.
“Clareiras nas montanhas”, entretanto, significam algo muito menos pastoral e positivo e muito mais visceral e doloroso para os Santos dos Últimos Dias (SUDs) americanos. O verão de 2003 viu a publicação de três livros que focavam o Massacre da Clareira das Montanhas de 1857, quando tragicamente, fiéis Mórmons do sul de Utah executaram mais de 120 homens, mulheres e crianças em seu caminho da Califórnia para o Arkansas.
Os três livros pintam a fé Mórmon como sanguinária, violenta, preconceituosa e abusiva com mulheres e não-crentes. A série Crepúsculo, especialmente em Amanhecer, pode ser entendida como uma resposta ao desafio proposto aos Mórmons como a Srta. Meyer. Resumidamente, Meyer foi inspirada a escrever uma obra aonde ela endereça e resolve de forma metafórica as críticas que vinham sendo feitas ao Mormonismo por ateístas e gentios não-crentes.
Por por John Granger  Fonte: I Pródigo
Em breve, a segunda parte do texto
Traduzido por Filipe Schulz | iProdigo.com | Texto original aqui

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