05/03/2012

Você daria nove tiros no computador da sua filha?

Tommy Jordan ficou famoso após punir a filha adolescente por uma malcriação publicada no Facebook. Mas este tipo de atitude funciona? Opine
Como você reagiria ao descobrir que a sua filha adolescente está reclamando publicamente das tarefas domésticas que deve cumprir, sem poupar palavrões para descrever a educação que os pais lhe dão? O norte-americano Tommy Jordan não teve dúvidas: depois de ler uma mensagem malcriada da filha Hannah, de 15 anos, no Facebook, não só atirou no laptop da menina, como também gravou um vídeo da punição e publicou-o no perfil de Hannah. (Veja o vídeo no final da página).
A atitude, radical para alguns e justa para outros, rendeu a Tommy seus 15 minutos de fama inesperados, além de uma visita da polícia e de uma assistente social do Serviço de Proteção Infantil dos EUA, que queriam averiguar se estava realmente tudo bem entre pai e filha. 

Mas, mais do que isso, os nove tiros do norte-americano trouxeram à tona uma questão que muitos pais ao redor do mundo podem estar se fazendo: tomar uma atitude como a de Jordan pode ajudar a resolver o problema com Hannah? (Vote na enquete ao final da página).

Para o psiquiatra Gustavo Teixeira, especialista em infância e adolescência e idealizador do siteComportamento Infantil, uma pessoa que dá tiros em um laptop, grava o momento e coloca-o na internet não serve de exemplo para ninguém – nem para a filha. Para ele, nada justifica Jordan ter exposto para todo o mundo um problema que deveria ser resolvido dentro de casa. “Por mais imaturos que sejam os filhos, cabe aos pais darem respostas mais maduras”.

Privado x público


A ação do pai, embora planejada, não mostra responsabilidade; mostra descontrole. Para a psicanalista Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Unifesp, é possível que ele estivesse mais preocupado com a própria imagem do que com o futuro da relação com a filha. 


Ouvir as queixas dos adolescentes e se fazer a clássica pergunta “mas por quê? Eu faço tudo por ele!” é tão comum quanto ver adolescentes reclamando dos pais. “É natural e saudável que os adolescentes reclamem. Eles irão trocar experiências com os amigos e, desta forma, irão elaborando as relações com os familiares”, diz Vera. 


Mas quando o problema passa à esfera virtual e pública, o que seria uma pequena reclamação pode tomar proporções grandiosas. E desnecessárias. “Assim como o ciberbullying é muito pior do que o bullying em si, o mesmo acontece neste caso: a situação sai do privado e agride ainda mais”.


Reeducação


Para o psicólogo Caio Feijó, autor do livro “Pais Competentes, Filhos Brilhantes – Os Maiores Erros dos Pais na Educação dos Filhos e os Sete Princípios Fundamentais para Prevenir essas Falhas” (Novo Século Editora), radicalismos como o de Jordan tanto podem tanto trazer uma solução como uma tragédia.

Foto: Reprodução
Tommy no vídeo: o pai lê o post da filha e depois atira no computador




“A filha tanto poderia resolver sair de casa depois do ocorrido quanto poderia valorizar mais o papel dos pais na própria vida e assumir as responsabilidades que lhe são dadas”, acredita. 


Vera Zimmermann acredita que a situação poderia ter sido resolvida de forma mais pontual. “Não é uma coisa tão séria para tomar esse tipo de proporção. Adolescente é assim mesmo: vive falando que é um pobre coitado e explorado enquanto ganha mesada e outras coisas”, comenta. Na prática, portanto, o ideal é não potencializar a situação. E resolvê-la no plano privado.


Adolescentes não têm o senso de responsabilidade que os adultos gostariam que eles tivessem. Biologicamente, eles ainda não estão com a formação neurológica completa. Por isso é fácil ver um adolescente de 15 anos esperneando porque o irmão mais velho tomou todo o suco de laranja que estava na geladeira: ele ainda não sabe muito bem lidar com frustrações. 
Para trabalhar com isso, a comunicação entre pai e filho é essencial. Lembrar-se dos limites estabelecidos e deixar sempre claro quais são as regras do jogo são outras atitudes que devem fazer parte do dia a dia com um adolescente. E, sobretudo, resolver os problemas no ambiente familiar. Levá-los à esfera pública, segundo Vera, só faz acirrar o conflito e pode até criar uma situação traumática, que nunca será esquecida. 

Se a relação entre pais e filho está desgastada a ponto do adulto preferir atirar em um computador, Caio Feijó sugere a presença de uma terceira pessoa para resgatar a relação. Pode ser um psicólogo, um avô ou outro familiar, mas alguém que seja respeitado por ambos. A proposta é que essa terceira pessoa ajude-os a conviverem melhor, dando sempre atenção um ao outro – antes que um vídeo sobre problemas da família vire hit na web.
Renata Losso, especial para o iG São Paulo 03/03/2012 Fonte:IG


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Anselmo Melo
Anselmo Melo, Carioca, casado e pai de três filhos (herança do Senhor). Pastor Evangélico e empresário. Moro atualmente no Estado de São Paulo onde pastoreio a Igreja de Nova Vida em Limeira. Sou fundador e presidente da Associação Projeto Resgate Vida.

5 comentários:

  1. Pastor Anselmo, eu também acho muito radical a atitude do pai, mas não por achar que foi uma atitude errada, mas só porque talvez, talvez, eu não fizesse o mesmo.

    Acho que agora será fácil julgarem a ou b sobre a situação, todavia, o que o episódio mostra para mim é o limite, é a corda estourada de uma convivência que já vinha, há muito, se desgastando. O que se tornou público foi o "crime", mas toda a trama que já deve se desenrolar por anos está oculta. Então, para mim, o máximo que eu conseguiria pensar é se faria ou não o mesmo. E só acho que não faria porque sou muito tranquilão e diante de problemas minha tendência é sempre "entrar na concha" e nunca atacar.

    Tenho pena dessa família e de milhares de outras que têm sido corroídas pela ácidez do espírito deste século. É preciso orar.

    Abraços sempre afetuosos.

    Fábio.

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  2. Dar nove tiros não, porque não tenho arma, mas atirar o note pela janela seria uma opção boa e olha que moro no segundo andar...

    Brincadeira...

    Falando sério agora, numa interpretação precipitada quase dei razão ao pai, mas quando assisti ao vídeo estava junto com minha esposa e ela ficou chocada, horrorizada com o descontrole do pai e me fez pensar melhor, ela é uma bênção. A solução é, como disse o Fábio, orar...

    Abração Fábio e Anselmo.

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  3. Meus queridos amigos Fábio e Anderson.Que a menina agiu de forma grosseira é fato.Mas, a reação do pai foi destemperada. Me passou um ar arrogante,talvez a filha tenha muito dele e exatamente por isso uma resposta tão desproporcional.Eu já tive uma reação parecida um vídeo game dos meninos aqui.Não atirei,exatamente pelo motivo do Anderson,não tenho uma arma e nem tenho qualquer vontade de ter uma.Agi por impulso,e foi horrível.Educar é uma responsabilidade que nem todos estão preparados para suportar.Que Deus tenha misericórdia desse pai,que Deus tenha misericórdia dessa filha.
    Um abração meus amigos.

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  4. Educar filhos não é mole mesmo não, e ainda tem uns pais "abençoados" que acham que a responsabilidade é da igreja ou do pastor...
    Abração...

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    1. Que Deus nos de graça Anderson.Educar tem se tornado uma tarefa cada dia mais difícil.
      Paz!

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Autor


Anselmo Melo, Carioca, casado e pai de três filhos (herança do Senhor). Pastor Evangélico e empresário. Presidente do COPEL, Conselho de Pastores Evangélicos de Limeira. Moro atualmente no Estado de São Paulo onde pastoreio a Igreja de Nova Vida em Limeira. Fundador e Presidente da Associação Projeto Resgate Vida.
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