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O buraco no muro

A notícia nos causou dor no coração. Não era um casal normal. Era um casal que para muitos era um exemplo de cristianismo, dedicação um ao outro, amor verdadeiro, disposição em perdoar, dependência de Deus. Era um casal em quem víamos uma demonstração de como um casamento deveria ser realmente. Um casal a quem nos espelhávamos, almejando quem sabe, um dia, sermos daquele jeito. E então, a notícia veio, como uma bomba. Infelizmente, um dos cônjuges havia dado passos a mais do que o limite aceitável para uma pessoa casada com outra pessoa. Toda aquela imagem veio ao chão, e me senti arrasado. Fiquei pensando sobre isso por muito tempo. Como aquilo era possível?

Fiquei meditando sobre isso na presença de Deus. Queria uma explicação. Não foi a primeira vez que vi isso acontecer com pessoas próximas. Infelizmente, isso se repetiu mais vezes do que eu gostaria de ter visto. Acontece que sempre encontrei a razão na falta de relacionamento com Deus das pessoas. Ou seja, se Deus não estiver presente, você se torna presa fácil do inimigo, e ultrapassar os limites do aceitável em sua vida se torna algo muito mais possível. No entanto, para uma pessoa cujo relacionamento com Cristo era visível, e mesmo assim falhou em sua vida conjugal, foi algo que me deixou sem soluções. Por isso precisei refletir na presença do Senhor. Queria entender de todas as formas.

Não acho que encontrei a razão completa e total, algo que fosse suficiente para me deixar claro o que fazer em minha vida para que meu relacionamento não passe pelo mesmo fim. Contudo, me peguei sendo lembrado de algumas coisas que considero muito importantes partilhar com vocês que leem esse blog. Coisas que com certeza devem ser evitadas completamente, para que não nos coloquemos suscetíveis ao que possa nos acontecer no futuro.

Cuidado com o buraco no muro

“Busquei alguém para se colocar contra tudo isso, para reparar as defesas da cidade, para se colocar ao meu lado e também na fenda [do muro] para proteger essa terra… mas não encontrei ninguém”. (Ezequiel 22:30, THE MESSAGE).

Você entendeu o que está escrito nesse texto? Aqui diz que o Senhor buscou alguém com quem Ele pudesse contar para proteger a terra, a propriedade, o lar do Seu povo. Se Ele procurou alguém para proteger, é porque o lar, a terra, a família está correndo perigo. Sim, nos dias atuais, a família corre muito perigo.

Sutil, branda e lentamente, as fortificações familiares estão sendo destruídas. O que antes era algo que se obtinha na rua, quando se estava longe dos pais, como drogas, vícios, más companhias, etc, agora se obtém dentro do quarto, pela internet. O que antes era algo terrível de se pensar, agora é transformado em piada, todo mundo falando para todo mundo, ou mesmo transformado em entretenimento. O que antes se prezava, agora se banaliza. O que antes era secreto, agora é feito a céu aberto. Há coisas que parecem muito pequenas. Mas, com o passar do tempo, mais e mais imoralidade e mundanismo vai tomando conta de nosso lar, nosso divertimento, e nossa mente. E é na mente que as coisas realmente acontecem.

Se algo de imoral ou mundano influencia sutilmente nossa mente, e não evitamos ou lutamos contra isso imediatamente, pouco a pouco esse tipo de comportamento vai criando raiz. E, de uma hora para a outra, no futuro, percebemos que isso se transformou numa árvore gigante, que cresceu diante de nosso nariz, e nem mesmo percebemos.

As coisas que nos destroem e ao nosso lar são sempre coisas sutis, que vão ganhando relevância com o passar do tempo.

Um exemplo muito claro disso são as relações extraconjugais. A maioria das traições não ocorre repentinamente. Elas começam com um gostar de ficar perto de alguém do sexo oposto. Primeiro vamos tendo familiaridade, começamos a conversar mais profundamente. Então, começamos a elogiar, a sempre oferecer carinho e apoio quando a outra pessoa precisa. E em nossa mente começamos a pensar que realmente aquela pessoa é apenas nossa amiga, que não há nada demais. Com o passar do tempo, começamos a conversar sobre questões mais íntimas, mais picantes.

Enquanto esse processo ocorre no social, em nosso lar, percebemos que a pessoa com quem nos casamos sempre nos frustra. Percebemos o quanto brigamos com nosso cônjuge, e como ele ou ela parece que não sabe reconhecer o valor que temos. Aí, ao irmos para o trabalho, recebemos toda a atenção e o carinho da pessoa com quem estamos cada dia mais próximos.

Esses passos de envolvimento vão abrindo brechas no muro de nosso lar. Eles vão, pouco a pouco, fazendo com que baixemos a guarda, e acalmemos a voz de nossa consciência, racionalizando que tudo aquilo é apenas uma grande amizade, que não é possível que as pessoas possam pensar mal sobre aquilo, que não há nenhum problema.

À medida que o tempo passa, nos pegamos mais e mais pensando na outra pessoa. Chegamos até mesmo a fantasiar com ele ou ela sobre momentos mais íntimos. E assim, sem percebermos, nos colocamos diante do abismo, que muitas vezes está ali para destruir nosso casamento.

Aqui ocorre um fato interessante: muitas pessoas nunca chegam a consumar nenhum tipo de contato físico com a outra pessoa. E por isso, acalmam a voz da consciência afirmando que não estão traindo, pois nada aconteceu.

Contudo, traição não é simplesmente uma questão de contato físico. Traição é eu roubar da pessoa que amo algo que é devido somente a ela. Quando fazemos os votos do casamento, dizemos que estamos abrindo mão de outras pessoas para nos dedicarmos somente ao nosso cônjuge. No entanto, quão rapidamente as pessoas se esquecem disso.

Sem perceber, e racionalizando os atos, muitos se colocam cada vez mais próximo de cometerem o erro que nem imaginam que estão perto de cometer. É como se um buraco no muro de proteção do seu lar estivesse sendo aberto, e você não percebe, e nem se preocupa com ele. E Deus, quando procura você para lhe alertar sobre esse buraco, não encontra você pronto a ouvir. E assim, seu lar fica desprotegido.

Muros de cobre

No entanto, essa não precisa ser a realidade da sua vida. Deus, sempre Ele, oferece uma alternativa. Ele diz, em Jeremias 1:19, que “você será como uma cidade cercada de muralhas, como um poste de ferro, como um muro de bronze. Eles não o derrotarão, pois eu estarei ao seu lado para protegê-lo” (NTLH). Sim, a promessa de Deus para você é que pode fazer transformar você em um muro de bronze. Aí, não há buraco que possa ser feito, não há situação que possa deixar você suscetível. Se você se permitir ser usado/usada por Deus, Ele fará de você e seu lar um ambiente protegido das maldades que ameaçam a felicidade de sua casa.

No entanto, para isso, precisamos nos colocar em Suas mãos, e depender dEle inteiramente. Em todos os momentos. Em todos os sentidos. E saber que, não importa o quanto estamos com Ele, a força só vem dEle, e qualquer vitória é obtida quando Ele vive em nosso lar, em nossa vida, e é o Senhor de quem somos. É Ele que vence o mal, não nós. Somente se Ele estiver como o Senhor de quem somos, e nós estivermos dependentes dEle, poderemos ser vitoriosos. Ele diz: “sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5).

Não sei o que causou o problema na vida do casal que mencionei no começo. O que sei é que a situação deles me fez voltar para perto de meu Deus, e rededicar minha vida e a de minha casa, para que por Sua graça, Ele nos conceda a vitória. Nunca confie que você poderá vencer sozinho. Lembre-se sempre de estar em comunhão com Deus, pois é Ele quem traz a vitória.

Agora, um último conselho: se você já caiu, e já sofreu por esse problema, por favor, não desista de recomeçar. Primeiramente, abandone qualquer contato com o pecado que você possa ter cometido. Em seguida, busque o perdão de Deus, da pessoa que você magoou, e confie na Sua graça para receber conforto e segurança. Mais uma coisa, não fuja das consequências dos seus atos. Parte do processo de se tornar uma nova pessoa é experimentar o sofrimento do erro, confiante que Deus está num processo de purificação de quem somos.

Deus nos fez para termos vida abundante, principalmente em nossa família. Confie que Ele pode fazer o que prometeu, e que fará também em sua família.

Que Ele abençoe sua família!

Osmar Reis Junior - Fonte:CEAFA
Psicólogo do CEAFA

1 comentários:

Pr Anselmo Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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