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MEU CASAMENTO ACABOU!

O telefone tocou. Depois de atender e conversar por alguns segundos, pude perceber que a pessoa do outro lado da linha estava desanimada, desiludida e desesperada. Uma voz trêmula pronunciou as seguintes palavras: Jaime, não agüento mais! Vou me separar. Com dois filhos e um casamento de dez anos, meu interlocutor estava "pendurando as chuteiras". Mais uma vez a história se repetia. E cada vez com maior incidência. Tentamos por alguns meses salvar aquele casamento. Com tristeza, porém, esse foi um caso devido a constante infidelidade e a um não arrependimento, não houve possibilidade de restauração.
O que você diria e faria, se estivesse em meu lugar e tivesse casos como esse em suas mãos?


Confesso que há momentos em que, olhando para a situação, só tenho uma atitude: "Senhor, tem misericórdia!". Cada caso é um caso e há situações tão "embaralhadas" que somente o Espírito Santo pode nos dirigir e orientar. Após, algum tempo de aconselhamento, não chegávamos a lugar nenhum. Somente um dos cônjuges lutava para salvar o casamento enquanto o outro afastava-se cada vez mais. A situação tornou-se então insustentável! Buscando ao Senhor em oração, pude passar àquela pessoa algumas orientações de ordem prática, porém, a separação foi inevitável. Situações como essas, também produzem desgaste, tristeza e frustração ao conselheiro.
Você, querido leitor, poderia ser a pessoa do outro lado da linha! Gostaria então, daqui para frente, de dirigir-me a você que está percorrendo o árduo caminho da separação.
A experiência do divórcio é encarada diferentemente por cada pessoa, dependendo da idade, crise de identidade, capacidade de lidar com o assunto, relacionamento com o Senhor, etc...
É quase impossível alguém estar preparado para uma situação dessas. Relacionamentos e sentimentos mudam inesperadamente e a vida torna-se mais "enrolada" devido à complicações legais, traumas emocionais, reviravoltas econômicas, luta por uma nova identidade e auto-estima. Muitas vezes, recebe-se diferentes e confusas influências de filhos, familiares e amigos.
Se você está atravessando esse difícil momento, há de concordar comigo. Caso você esteja começando a pensar em divorciar-se, ore e avalie cuidadosamente o alto preço a pagar e as implicações de tal medida. Você e seu cônjuge poderiam canalizar toda essa energia na restauração de seu casamento. Esse é o desejo de Deus... mas a decisão cabe a vocês!
Embora não se chegue a morrer devido a um divórcio, é bem provável que o recém-divorciado passe a questionar a validade de continuar vivendo. Apesar do desânimo natural da situação, é necessário continuar. Tendo em vista preparar o caminho a seguir, gostaria de chamar a atenção para algumas áreas que possivelmente passarão por dolorosas mudanças:
1. Relacionamento com a família;
2. Relacionamento com amigos;
3. Solidão;
4. Saúde física.


1. Relacionamento com a família


É possível que seus pais e/ou filhos, não compreendam nem aceitem seu divórcio. Eles, como você, estão trabalhando com a própria perda do relacionamento. Haverá momentos em que experimentarão os mesmos sentimentos: tristeza, raiva, desencorajamento, culpa, etc. Sendo este último, normalmente relacionado a um exagerado envolvimento e a um assumir de responsabilidade desnecessário. Os pais precisam equacionar seus próprios sentimentos e desapontamentos em relação ao caso.
Após o divórcio, provavelmente haverá um período em que, você se sentirá tentado a colocar-se novamente sob os cuidados de seus pais. Cuidado! Mesmo que nessa fase seja atraente sentir-se abrigado e cuidado e é importante saber-se não desamparado, você deverá por si mesmo, assumir a responsabilidade de suas decisões. Caso seja necessário voltar a morar com seus pais, mesmo que temporariamente, permita e respeite os sentimentos deles, ao passo que também cuida dos seus.


2. Relacionamento com amigos.


Durante o processo de divórcio, será uma boa oportunidade para reconhecer a importância de bons amigos. Dentro de seu círculo, alguns amigos continuarão, outros não. Novos amigos surgirão, ao passo que amizades antigas esfriarão, especialmente entre casais. Será também importante que você identifique nas novas amizades, as reais expectativas, de forma a poder decidir os que serão seus novos amigos em sua nova fase de descasado. Será também uma fase de redescobrimento de sua identidade como indivíduo e não como uma das partes de um casal.
Enquanto você, durante o processo de divórcio está aos poucos assumindo o papel de descasado, seus amigos passarão por diversas reações.
Alguns tentarão assumir o papel de mediadores, tentando "consertar" seu casamento. Outros, externarão ansiedade e surpresa. Haverá inclusive alguns que lhe proporão uma relação sexual. É provável que amigos com problemas no casamento se aproximem e desabafem com você, enquanto outros poderão ter ciúmes, com medo que você possa "tentar" seu cônjuge. E, certamente encontrará os que assumirão o papel de "Cupido" e Santo Antônio, procurando outro par para você.
Ao verificar as diversas reações, é interessante perguntar-se: Caso eu desenvolva uma amizade com fulano, poderei ser autêntico, sem máscaras? Haverá possibilidade de um novo enfoque de amizade, sem o peso de uma cobrança relativa a um comportamento passado? O relacionamento será favorável ou não à minha auto-estima?
Será uma atitude sábia, se enquanto você estiver reconstruindo seu mundo, lembrar-se que é impossível para qualquer relacionamento a nível humano, suprir todas as suas necessidades.


3. Solidão


Cedo ou tarde, chegará o momento em que você se sentirá profundamente só. Esse sentimento poderá surgir em meio à uma multidão, à uma festa, quando tiver que tomar decisões importantes, ou quando a autocomiseração e desespero parecerem sufocar. Mesmo que todos nós seres humanos, já tenhamos passado pela solidão, o modo como ela se manifesta ao divorciado, é muito doloroso e característico à situação, sendo portanto difícil de ser compreendido por quem não percorreu esse caminho. Você pode até conseguir verbalizar seu sentimento a algum amigo, mas a profundidade da dor ficará lá no fundo de seu coração. Durante o processo em si, você se confrontará com solidão, tristeza, raiva, rejeição; embora dolorosos, esses sentimentos fazem parte da fase que você atravessa. Animo... o tempo passa e a poeira tornará a sentar-se!
Com a "morte" do relacionamento, será necessário que se percorra estágios de dor, como se realmente alguém tivesse morrido. Tal atitude poderá capacitá-lo a lidar com seu passado. Olhando para trás, você certamente identificará situações nas quais você não poderia ter agido de forma diferente. Em outras porém, concluirá que poderia ter tido outra reação. A volta ao passado pode ser doída, mas poderá ser uma oportunidade de fazer as pazes consigo mesmo, resolvendo suas culpas, redefinindo sua identidade e redescobrindo seu valor pessoal. A solidão que induz a uma introspecção positiva, pode tornar-se um agente terapêutico de restauração.
Reconheça sua solidão, mas não tente envolver-se o tempo todo com pessoas com o intuito de não querer estar só. Procure também, não manter rádio e televisão ligados ininterruptamente visando fugir de seus próprios pensamentos. Outra tendência, também será envolver-se excessivamente em atividades da igreja ou comunidade, como fuga. Dê um tempo para você. Reconheça a presença e genuinidade de seus sentimentos. Seu sofrimento tem razão de ser, você não pode simplesmente ignorá-los fugindo deles. Seria interessante se, como se travasse um diálogo com sua dor, explicasse a ela que à bem de sua vida como um todo, você não poderá permitir que ela o domine, mas que você estará tratando e cuidando dela nas horas certas.


4. Saúde física


As tensões do divórcio podem desencadear diversos sintomas físicos: dores na coluna, problemas de estômago, dores de cabeça, erupções cutâneas, etc... Não deixe de comer e nem de dormir. Procure manter uma dieta e rotina diárias o mais estruturada possível. Bons hábitos alimentares ajudam a superar os momentos de tensão emocional. Esteja porém atento e, caso haja continuidade dos sintomas físicos, procure um médico. Uma antiga receita, que oferece um grande alívio, é Isaías 26.3: "Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em Ti". I Pedro 5.7: "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós". E muitos outros trechos como Salmos 31, 40, 42, 62, 86, etc., podem levar paz à alma aflita. Quando conseguimos lançar sobre o Senhor nossas preocupações, reputação e até mesmo o próprio divórcio, o peso torna-se mais leve. Se você, porém, achar que Deus espera algum tipo de perfeição de sua parte, as tensões do divórcio poderão aumentar seus sentimentos de inadequação, culpa, ira e amargura. O fato de adotar uma perspectiva bíblica, fará com que perceba que Ele está disposto a nos receber e nos ajudar mesmo em situações em que nos consideramos fracassados. Ele é especialista em reparar vidas, em construir sobre cinzas, mesmo sobre um divórcio.


Finalizando, gostaria de deixar seis sugestões:
1. Não viva exclusivamente no passado e nem faça projetos irreais para o futuro. Viva seu presente, seu dia-a-dia da melhor forma possível, dependendo da graça de Deus.
2. Procure desenvolver sua própria identidade como descasado, não projetando-se em outras pessoas.
3. Trate de seus sentimentos e quando a tristeza chegar, procure não entregar-se à autocomiseração.
4. Lembre-se, Deus o criou como um ser social. Procure não isolar-se das outras pessoas. Bons amigos valem ouro!
5. Não exerça pressão sobre você mesmo e nem receba pressão de terceiros no que diz respeito a um outro casamento.
6. Estabeleça limites para sua sexualidade e dependa da graça e poder de Deus para ser fiel consigo mesmo e com Ele.


Pr. Jaime Kemp
Líder do Ministério Lar Cristão
Conselheiro, conferencista e autor de vários livros relacionados à família.
Artigo publicado em 1990, na Revista Lar Cristão.

3 comentários:

Casal 20 disse...

Realmente, é só dor! É tanta vida envolvida, tanta estrada que foi construída... Claro, cada caso é um caso.

Certa vez, acompanhei de perto um casal que tentava retornar depois de 5 anos de separação... Bem, ele, o marido tentou. Enquanto ele estava casado, judiou, humilhou, traiu e até doença venérea ele trouxe para a esposa. viveram assim 10 anos e depois se separaram por 5. Tentaram retornar, mas, aí, foi a vez dela. O que ela pode fazer para ele sofrer ela fez, mas aí já tinha um problema, os filhos já maiores viram tudo o que ela estava fazendo e a situação só virou contra ela mesma.

Enfim, são sempre relatos de dor. Mas, Pastor, muitos e muitos desses casos de divórcio começaram mal desde o namoro. Algumas histórias são longas e o divórcio é apenas a saída final para algo que, muitas vezes, já nasceu torto.

Só o ES para restaurar, remendar, curar estragos cujos únicos responsáveis são o próprio casal.

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Bella Dourado disse...

O comentário do Fábio traduz o que eu penso.

Ultimamente também tem outro lado da moeda que é cruél o indíce de separações por motivos fúteis tanto de homens quanto de mulheres e pasmem as aberrações que presencio neste momento são: "A grama do (da) vizinha é mais verde", " O kara é lindo e a conta do banco também" ...

Gente me perdoem mas estas duas situações não consigo aceitar obra diabólica para desfazer uniões e sim pessoas irresponsáveis que deixam um rastro de dor e sangue abandonando casa e filhos.

Bem só digo que a colheita vem, com certeza.

Paz que Deus abençõe.

Anônimo disse...

vivenciei uma quase separação pq o meu marido tinha uma "banda"e era totalmente dedicado a esta obra.E (ele) sempre ouvia:Deixa aquela nas minhas mãos...essa era a parte mais dolorida. Depois de 7 ans de peleja O SENHOR restaurou nossa união.A banda acabou e nos reconciliamos em AMOR .Somos outra pessoa um para com o outro o amor é recíproco e demonstrado a cada manhã.Glória à DEUS.

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