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A norma, o normal e o normativo


Ajustar o foco é um santo remédio para se evitar desgastes desnecessários e se prevenir de possíveis assombrações na vida pastoral. Apresentamos neste breve artigo uma reflexão sobre alguns princípios e valores do ministério pastoral na perspectiva da gestão e cuidado de pessoas.

Se você não fica desconfiado com sugestões simples de um ponto de vista bíblico sobre o exercício pastoral, convido você a pensar um pouco sobre níveis normais de cuidado e gestão de pessoas no ministério pastoral. Antes de pensar em quais são as atribuições do pastor e os desafios próprios do dia a dia do ministério, devemos pensar no ajuste do foco em termos de nos submeter a uma disciplina que nos ajude a nortear a gestão e cuidado de pessoas no âmbito pastoral.


A norma, o normal e o normativo


Não desenvolvemos o ministério pastoral alheio a critérios de juízo bem definidos.
A "norma" nos aponta na direção de um modelo ou um exemplo. Nosso modelo e exemplo é Cristo. Remover ou menosprezar este critério de juízo nos tornará reféns de uma jornada sem rumo à busca de modelos a imitar. Por mais que possamos nos inspirar em ministérios de sucesso, não podemos colocar outro fundamento (outro critério). Jesus, o Bom Pastor, é nossa ampla e suficiente provisão.


A "norma" é, portanto, constituída por um caso concreto, o modelo ou um exemplo que nos sinaliza sempre o critério máximo de juízo de valor.


O "normal" é aquilo que está em conformidade com a "norma". Num sentido mais amplo o "normal" indica um caminho saudável, uma média aproximada, uma referência em relação ao equilíbrio. Quando falamos, por exemplo, em conduzir uma "vida normal", estamos nos reportando à vida de acordo com costumes de um grupo social específico. Portanto, em se tratando de princípios e valores "normais" do pastoreio, novamente nos reportamos a Jesus e sua prática ministerial no NT. Nele encontramos nossos critérios de normalidade.


O "normativo" é uma adjetivação que nos ajuda a encontrar a regra áurea da verdade, da beleza e do bem, ou seja, um valor absoluto. O "normativo" é aquilo que nos garante o desenvolvimento eficaz de uma atividade. O "normativo" não está a serviço do interesse particular e do individualismo. O "normativo" não é a credencial do privativo que busca o sucesso a qualquer preço. A igreja primitiva estabeleceu o fundamento apostólico pautado em uma caminhada com o Bom Pastor. O povo de Israel caminhou pelo deserto orientado pela revelação da Palavra e pelo testemunho profético e sacerdotal de homens e mulheres que encarnaram uma disciplina de cuidado e gestão de pessoas pautadas em "normativas".


Duas dicas bíblicas da "normalidade":
1º lugar, a ação pastoral é norteada pelo foco do ministério (Efésios 4.11-12; Atos 20.28-31; Ezequiel 34; Salmo 23; João 17; Êxodo 18.13-26; Marcos 3. 13-14; João 20. 15-19; 1 Timóteo 3.1-7; Tito 1. 5-9). Em outras palavras, aquilo que o pastor "é", define aquilo que irá "fazer". Nesse sentido, a ação pastoral é pautada por critérios "preventivos", ou seja, subsídios que apontam os limites e possibilidades do "papel" do pastor. Saber quem ele é e saber qual a sua função no corpo de Cristo é uma atitude que preserva o estado de normalidade do pastor. O pastor é gente que trabalha com gente! Carece de um constante convívio de pastoreio mútuo com seus pares, a fim de promover pastoreio a si mesmo, ajustando o foco pessoal e, "depois", ajudando a ajustar o foco ministerial do rebanho.


2º lugar, a ação pastoral segue critérios claros de cuidado e gestão de pessoas. Tanto no AT como no NT a Palavra de Deus nos adverte para o fato da prioridade absoluta da vida humana (seres humanos antecedem os afazeres humanos). Nesse sentido a palavra de Deus aponta alguns níveis de cuidado e gestão de pessoas que devemos nos submeter em temor e tremor diante do Pai e da comunidade que servimos.


Níveis normais de cuidado e gestão de pessoas:


A - a vida do pastor (At 20.28; 1 Tm 3; Mc 3...).


Particularmente, neste primeiro nível, encontramos importantes desafios para um pastor normal: "Cuida de ti mesmo" - Como isso acontece na prática? Podemos refletir sobre esta questão em diferentes prismas: (Por razões de espaço e para o objetivo deste artigo apontamos apenas três):


Do ponto de vista da saúde do pastor:


Antes de tudo o servo de Deus é uma pessoa e não um personagem. Nada mais normal do que isso? Bem, infelizmente, nem sempre encontramos padrões aceitáveis de normalidade nesse caso. É necessário levar a sério os conselhos sobre o cuidado consigo mesmo (lazer, descanso semanal, férias, alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares, delegação, partilha de tarefas, INSS, etc.).


Do ponto de vista dos relacionamentos do pastor:


Há muitos que reclamam da solidão ministerial, mas não fazem absolutamente nada para superar este fato. Logo, é fundamental que o pastor mantenha uma linha de comunicação aberta com o cônjuge, amigos de ministério - da mesma denominação e de outras correntes teológicas - e, na medida do possível, participe de encontros periódicos de partilha, discipulado e prestação de contas em um grupo pequeno onde exista um nível de confiança e fidelidade saudável.


Do ponto de vista da família do pastor:


Ser um homem integral dentro de casa é prioridade máxima para o bom desempenho no ministério. Estar inteiro dentro de casa confere autoridade para um padrão de excelência dentro da igreja. Liderança familiar é provisão afetiva para o cônjuge e filhos. Liderança familiar é estabelecer um ambiente de contentamento e satisfação no cotidiano do casal (carinho, diálogo, sexualidade, devocional, comunicação clara e precisa, orçamento familiar, foco no ministério compartilhado). O normal aqui é encontrarmos dificuldades! Ao menos os "caras normais" com quem converso costumam dizer que sempre estão crescendo um pouco mais nesta área como homens. Quando ouço coisas assim me sinto normal e desafiado a crescer também!


B - a vida da liderança (João 17; Efésios 4.11-12; Mc 3.13-14)


O pastor é, fundamentalmente, um provedor da sua equipe de trabalho. Liderar os líderes é promover um ambiente de segurança e valorização das pessoas por aquilo que elas são. Liderar os líderes é definir uma caminhada segura de corações aliançados em uma mesma visão bíblica e pastoral para toda a igreja. Liderança de líderes é partilha de uma "longa obediência na mesma direção" (Bill Hybels). Todo ambiente e contexto da ação pastoral são complexos e povoados de desafios. Logo, precisamos de uma constante dose de coragem e bom senso na condução, treinamento e ajuste do foco ministerial da equipe de líderes normais. Uma boa equipe normal apresenta problemas e crises! Portanto, preparar-se para eventuais más notícias é tão normal como estar apto para saber administrar as boas notícias com humildade e moderação.


C - a vida dos membros da igreja (Ez 34; Sl 23)


O cuidado e carinho com cada membro do corpo é uma tarefa de ordem sacerdotal e profética:


A dimensão sacerdotal: servir o corpo de Cristo com dedicação, equipando os santos para o ministério (Ef 4, Jo 17); dividir tarefas e motivar a equipe no bom desempenho do ministério (Ex 18); ter clareza na gestão - visão, metas e objetivos - do planejamento estratégico pessoal e ministerial - Sl 23).


A dimensão profética: alimentar bem o rebanho com a Palavra (aconselhamento, consolação, exortação, ensino e edificação, perdão, intercessão e acolhimento - Ez 34); Promover vida de constante discipulado e evangelismo (Mc 3.13-14); Corrigir e disciplinar em amor e humildade visando à saúde do corpo de Cristo.


Por último, o pastor não necessita ser um "expert" em gestão e cuidado de pessoas. É preciso aqui destacar algumas dicas em se tratando de aplicação prática destes princípios da normalidade da ação pastoral. Comece cuidando de você mesmo e "gerenciando" seu foco e, depois, siga o fluxo normal da vocação e do seu perfil ministerial.


A seguir algumas perguntas-chave para pastores normais em constante crescimento:


- Qual o foco do meu ministério hoje?
- Qual minha real paixão no ministério?
- Quais são meus pontos fortes e pontos fracos?
- Onde posso crescer com mais facilidade ministerialmente?
- Onde estou com dificuldade de delegar?
- Quais são os membros de minha equipe que podem enriquecer meu ministério?
- Quais são os membros de minha equipe que estão aptos para tarefas que não tenho tanta facilidade em desenvolver sozinho?
Por: Helerson Alves Nogueira ViAquiCreio

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