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Uma resposta ao ateísmo religioso

Especialmente no Antigo Testamento, descortina-se diante do leitor , mesmo o menos atento, o ódio de Deus com relação a idolatria praticada pelo seu povo e por todos os outros. Uma das muitas razões desta ira divina, relacionava-se com o fato inegável de serem os ídolos representações patológicas do ser divino. A enorme dificuldade de crer em um Deus invisível, não perceptível pelos sentidos humanos comuns, criava a inconsciente necessidade do povo de ter provas mais concretas da sua presença. Esta carência por materialidade, os levava a construir ídolos para os quais faziam sacrifícios, prostravam-se em adoração, confiavam o seu amanhã e consultavam sua “vontade”. Acontece que um ídolo era uma representação terrivelmente pequena de um Deus tão maravilhosamente grande. Na inerte figura de um ídolo habita naturalmente a morte, enquanto em Deus essencialmente fluí a vida. Em Deus tudo é movimento, crescimento, essência, existência, eternidade… no ídolo tudo é inércia, aparência, morte, temporalidade. Como então Deus não ficar irado ao enxergar a confiança, a veneração, a adoração oferecida aos ídolos? Como sendo a ele a origem da própria vida, a essência de toda existência não seria queimado pelo fogo da indignação a se ver representado de maneira tão oposta ao que realmente é?
O ateísmo religioso que estamos denunciando nestes artigos é a idolatria moderna. Os ídolos desta neo idolatria não são feitos de objetos matérias, mas sim construídos de conceitos equivocados sobre quem Deus é. Assim como um ídolo nos tempos bíblicos, por assim dizer, matava a verdadeira imagem de Deus na fé cega dos que o adoravam, igualmente hoje estas concepções errôneas promovem, metaforicamente falando, sua morte. Mas como sabemos , somente podemos falar da morte de Deus como um recurso figurativo de linguagem. Isto porque, toda a essência da vida encontra-se Nele. Tudo que vive dele descende. Ele já vivia antes de toda vida. Sua eternidade é a prova da total ausência de morte em seu ser.Portanto, Deus não pode morrer, o que pode (e deve!) são as representações idolátricas que construímos sobre ele das quais nós somos as principais vítimas, posto que, são elas mesmas as barreiras a nos afastar de experimentar as delícias inerentes a sua real presença. Este ateísmo religioso, o nome moderno para a antiga idolatrai, deve morrer a fim de que o Deus que sempre viveu, viva em nós.

Eis porque creio ser hoje a mente o principal campo de batalha da existência. É nela e através dela que nascem as percepções que podem nos levar a vida ou a morte espiritual. É pela via da razão, embora não somente por ela, que podemos cultivar uma saudável visão de quem Deus é. Sendo isto assim, fica evidente a necessidade de uma baliza, de uma referência, de um ponto de partida a partir do qual possamos ancorara nossas idéias sobre Deus. Para nós cristãos, a Bíblia é este farol. Nas linhas e entrelinhas do texto sagrado Deus revela-se de maneira fascinante. Porém este mesmo texto tem sido o pai de muitas visões absurdas. Reside então aí uma ironia: o texto que deveria revelar saudavelmente quem Deus é, se interpretado de maneira equivocada pode ser uma fonte de idéias as mais patológicas sobre ele. Então, a teologia, o estudo racional sobre Deus, se torna uma indispensável ferramenta para nos ajudar a não transformar o Deu vivo revelado nas Escrituras num ídolo pagão e sem vida.

Hoje neste mundo encharcado de divindades, temos a difícil mais necessária tarefa do discernimento – que significava ver no escuro – a fim de podermos abandonar os ídolos e nos voltar para o Deus vivo! Que toda a nossa adoração seja canalizada exclusivamente para o Deus de quem toda vida emana, eterna vida que nenhuma morte é capaz de suprimir!

Pr. Eduardo Rosa Pedreira
Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca

1 comentários:

Casal 20 disse...

Poxa! Outro texto pedreira!

Também fico pensando que a grande batalha é na mente mesmo. Mas, desde pequenos, somos moldados a pensar conforme o curso deste mundo. Daí, quando Deus nos resgata, começa um processo maravilhoso de decodificação dessa pedagogia mundana que empurraram para dentro de nós. Mas não é fácil, não é simples e nem rápido. Embora, algumas coisas realmente mudem de uma hora para outra, outras podem demorar muito tempo para tomarmos consciência.

Falo isso, porque, ainda que fosse cristão já há 10 anos, só naquela altura da caminhada, eu descobri que muitas "verdades", que naturalmenete eu defendia, eram totalmente contrárias à fé que eu professava.

Precisei ler dois livros e passar por uma crise profunda para perceber que havia uma profunda contradição no meu cristianismo.

Depois disso, assim faço todo dia: oro e vigio, reformando-me sempre.

Abraços sempre muito afetuosos.

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