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Oxi, uma geração de zumbis


Oxi, uma nova e devastadora droga se espalha pelo país

Ele é mais barato e agressivo do que o crack. E a ciência ainda tenta entender seus efeitos no organismo

Natalia Cuminale
Pedras Oxi na Polícia Federal de Rio Branco, Acre
Pedras Oxi na Polícia Federal de Rio Branco, Acre (Regiclay Alves Saady )
Desde a década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, uma mistura de pasta-base de cocaína, querosene e cal virgem mais devastadora do que o temível crack. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste. "Ela já chegou ao Piauí, à Paraíba, ao Maranhão, a Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro", diz Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos. Uma amostra da penetração da droga em São Paulo pôde ser vista na última quinta-feira, quando a Polícia deteve, na capital, um casal que carregava uma pedra de meio quilo de oxi.
Ao menos duas característias da droga ajudam a explicar por que ela se espalha pelo país. A primeira é seu potencial alucinógeno. Assim como o crack, o oxi pode estimular em um usuário o dobro da euforia provocada pela cocaína. A segunda razão é seu preço. "O crack não é uma droga cara, mas o oxi é ainda mais barato", diz Philip Ribeiro, especialista em dependência química do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). "Quando surge uma droga mais poderosa, mais barata e fácil de produzir, a tendência é que ela se dissemine", diz Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes."
O lado mais assustador do oxi talvez seja a carência de dados sobre seu alcance no território brasileiro. Quem se debruça sobre o assunto, avalia que a droga atinge todas as classes sociais. "Não há um perfil estabelecido de usuário: ela é usado tanto pelos estratos mais pobres quanto pelos mais ricos da população", diz Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead).
Também faltam estudos científicos sobre sua ação sobre o ser humano. Por ora, sabe-se que, por causa da composição mais "suja", formada por elementos químicos agressivos, ela afeta o organismo mais rapidamente. A única pesquisa conhecida sobre a droga – conduzida por Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos, em parceria com o Ministério da Saúde – acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a uma terrível constatação: a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano.
Além, é claro, do risco de óbito no longo prazo, seu uso contínuo provoca reações intensas. São comuns vômito e diarreia, aparecimento de lesões precoces no sistema nervoso central e degeneração das funções hepáticas. "Solventes na composição da droga podem aumentar seu potencial cancerígeno", explica Ivan Mario Braun, psiquiatra e autor do livro Drogas: Perguntas e Respostas.
Por último, mas não menos importante, uma particularidade do oxi assusta os profissionais de saúde: a "fórmula" da droga varia de acordo com "receitas caseiras" de usuários. É possível, por exemplo, encontrar a presença de ingredientes como cimento, acetona, ácido sulfúrico, amônia e soda cáustica - muitos dos itens podem ser facilmente encontrados em lojas de material de construção. A variedade amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.
Confira a seguir as informações conhecidas sobre o oxi e uma comparação dele com o crack:
Fonte:Veja

7 comentários:

Francisco Araújo Netto disse...

Excelente mensagem, gostei...

Att.,
Profº Francisco Netto.

"LABAREDAS DE FOGO" disse...

Como sempre derivados da cocaína! Temos que estar bem atento a ela; “a cocaína”. Quase não se fala mais nela, principalmente nos noticiários. A cocaína tem avançado sobre todas as partes de nossa sociedade de uma forma silenciosa mas, muito perigosa!

“Isso ocorre especialmente porque não se criou no Brasil até agora um sistema eficaz de tratamento de dependentes”. - essa afirmação é totalmente equivocada! No Brasil não se cria, mas sim, se destrói todo o sistema eficaz que se levanta na área de tratamento de dependentes. Basta ver as Clínicas Populares criadas no governo Garotinho-Rosinha. A dificuldade que tínhamos com as autoridades federais dessa área para internarmos os viciados.

Hoje no Brasil tem muitas famílias apelando à Justiça para obterem autorização judicial com fins de internar seus filhos viciados.

Não acredito que essa droga atinja a camada rica da sociedade, duvido! Nem o crack atinge. Não se pode dizer, que por um certo tipo de droga ser usada por uns, muito poucos, elementos de uma camada social, esta camada esta sendo atingida por ela. A droga dos ricos é a cocaína! Pode ter um modismo com outras, como por exemplo foi com o LSD e hoje o Ecstay. Mas vejam: A quanto tempo a cocaína reina sozinha na alta sociedade?

Não quero dizer que, esse problema apresentado aqui não seja terrível para as pessoas de nosso país. Reconheço que essa droga irá atingir uma camada totalmente frágil para com esses comportamentos destruidores. O que eu quero é chamar a atenção para a raiz de tudo isso: “a cocaína”. Temos que por o machado na raiz!

Anselmo Melo disse...

Obrigado meu irmão.Deus abençoe sua vida ricamente.Paz!

Anselmo Melo disse...

Concordo com você Labaredas.Infelizmente não existem no Brasil politicas públicas eficientes em quaisquer das áreas de enfrentamento desse problema.É mais um descaso com nossa população.Cabe a nós enquanto Igreja fazermos então nossa parte.Paz!

Cida Melo disse...

O crack já é uma epidemia,e o ox?Em que vai se tornar?

Cesar M. R. disse...

Gostei do comentário de um jornalista da Band (Joelmir B.) sobre o Crack: "Já passou da hora de perceber que o crack não é uma droga, mas uma arma química!"
É verdade. O crack e, agora, o oxi devastam regiões inteiras e tiram a paz necessária para que as pessoas usem suas mentes para atentar para coisas importantes, inclusive a mais importante de todas, que é o Evangelho. O crack se coloca, então, como uma baita arma contra a Igreja de Cristo.
Muito pertinente falar sobre isso.
Abraço,
Cesar

Anselmo Melo disse...

Cesar,estou ha alguns anos nessa luta.É duro conseguir recuperar um dependente do crack.Só mesmo a misericórdia de Deus.Paz!

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