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A Igreja de Cristo Internacional - Boston


Também conhecida como a Igreja de Cristo de Boston, Movimento do Discipulado, Movimento de Boston, Movimento do Pastoreio, entre outros nomes 

A história a seguir é uma composição tirada de casos conhecidos por mim e por tantos outros estudiosos no campo da heresiologia que já ajudaram pessoas envolvidas com a seitA Igreja de Cristo Internacional; ou que já fizeram parte da mesma.

Nossa história começa com Ana, jovem evangélica de vinte e poucos anos que, certo dia, em seu local de trabalho, estava almoçava sozinha e, subitamente, viu Maria vindo em sua direção. Maria era uma moça bonita, recatada, de trinta e poucos anos e, após apresentar-se a Ana, perguntou se poderia juntar-se a ela. Durante a conversa, descobriram que tinham um número de coisas em comum: eram descendentes russas, cresceram na mesma parte do país, tinham a mesma profissão e acreditavam ter um profundo relacionamento com Deus. 


Com a amizade iniciada, Maria convida Ana para um “bate-papo bíblico” numa quinta-feira à noite. Ana ficou apreensiva, pois era a primeira vez que ouvia a expressão “bate-papo bíblico”. Tentando satisfazer sua curiosidade, tratou logo de perguntar: “É um culto? De qual igreja? Quem estará pregando?”. Maria esboçou um enorme sorriso e respondeu: “É apenas um grupo de crentes que se reúne para estudar a Bíblia. Não tem nome!”. 

No dia marcado, Ana compareceu com Maria na reunião e foi apresentada às pessoas presentes. O grupo era composto por vários jovens sorridentes e corteses, com a Bíblia na mão, que não hesitavam em falar de sua fé a todo o momento. Ana ficou impressionada, e a reunião ainda não havia começado! Ana concluiu que aquelas pessoas eram genuinamente amáveis e atenciosas, e escutou, com atenção, cada palavra proferida, e não encontrou nada que fosse contrário à sua doutrina.

Nos dias que se seguiram à reunião, as pessoas que Ana conheceu lhe telefonaram para saber como estava passando. Certo dia, ao chegar em casa, foi interpelada por sua mãe, que lhe falou das correspondências que haviam chegado para ela. Seus novos amigos lhe enviaram vários cartões cheios de palavras de ânimo e encorajamento. À medida que ia conhecendo aquelas pessoas, observou que elas realmente tentavam viver sua fé, e não apenas aos domingos pela manhã, mas durante toda a semana. Quanto mais se envolvia com o grupo, mais e mais se sentia desmotivada em ir à igreja que anteriormente freqüentara. Seu pensamento era: “afinal, ninguém nunca demonstrou tamanha consideração e preocupação pela minha vida como essas pessoas”. Assim, Maria e Ana (seguindo sugestão da própria Maria) começaram a se encontrar para estudar a Bíblia. 

Nesses encontros, Maria falava incessantemente para Ana da importância de ela se arrepender e confessar seus pecados. Certo dia, Maria pediu a Ana que lesse, em voz alta, Gálatas 5.19-21, depois pediu a ela que fizesse uma lista de seus pecados num papel. Vários outros textos foram lidos e, à medida que ia terminando a leitura, Ana foi convidada a escrever seus pecados e a entregá-los a Maria. Em outro estudo, denominado: “Estudo da Cruz”, Ana teve de ler, também em voz alta, toda a narrativa da crucificação. Após a leitura, Maria pediu a Ana para dizer: “Eu sou Judas”. “Eu sou Pedro”. “Eu preguei Jesus na Cruz”. Enquanto, aos berros, Maria repetia: “Você o socou na face”. “Você escarneceu dele”. “Você o chicoteou”. Ana começou a se sentir mal com tudo isso. Estava emocionalmente arrasada, mas não conseguia se desprender de Maria, que ligava para ela todos os dias, sempre disposta a ajudar e a dar alguma orientação ou conselho. 

Ana já não conseguia tomar nenhuma decisão em sua vida sem pedir orientação a Maria. Apesar de já estar freqüentando a Igreja de Cristo Internacional, e gostando da atmosfera de amizade entre as pessoas, nutria o sentimento de que não fazia parte daquela Organização. Provavelmente porque as mulheres do grupo eram chamadas de irmãs e ela, não. Um dia, no decorrer de uma mensagem sobre o batismo na Bíblia, o palestrante disse: “A menos que alguém seja batizado como discípulo, não é possível ser salvo”. E mais: “...O verdadeiro batismo é um batismo consciente, no qual a pessoa acredita no batismo como forma de perdão dos pecados”.

Diante disso, Ana começou a matutar: “Fui batizada, na minha igreja anterior, logo após ter entregado minha vida a Jesus Cristo. Mas será que o meu batismo não foi consciente, como o palestrante descreveu?”. Além disso, outro problema: ela não era uma discípula na época em que foi batizada, ao menos no sentido que a Igreja de Cristo Internacional definia um discípulo. Será que o seu batismo anterior foi válido? Ela começou a acreditar que não. Então, um novo pensamento começou a dominar a sua mente: “se não foi válido, fui realmente salva?”.

Ana chamou imediatamente Maria, que lhe explanou algumas passagens bíblicas que falam sobre o batismo. Ana, então, concluiu, por tudo que fora declarado por Maria e pelo evangelista da Igreja de Cristo Internacional, que o seu anterior batismo não era verdadeiro, e que ela não estava salva. Ana amava a Jesus e desejava servi-lo plenamente. Queria ser salva, e dizia isso a Maria. Resultado, Ana foi novamente batizada e “tornou-se uma cristã”. Ao sair da água, estava em êxtase. Lágrimas de felicidade corriam pelo seu rosto. Todos os novos amigos de Ana, componentes do grupo dos “bate-papo bíblico” e daquela Igreja, estavam felizes por ela. Sentindo-se uma nova pessoa agora, Ana refletiu que, se ela não estava salva antes desse batismo, as pessoas de sua anterior igreja também não, e muito menos sua família e amigos.

Em sua nova maneira de ver as coisas, seus antigos irmãos em Cristo estavam perdidos, a caminho do inferno! E isso a estava incomodando. Ao compartilhar esse sentimento com Maria, foi encorajada a “evangelizá-los”. Ao tomar conhecimento de um acampamento que seria realizado por sua igreja anterior, pensou que esta seria uma ótima oportunidade de falar com todos a respeito da sua fé recentemente descoberta. E fez justamente como havia planejado.

No acampamento, o pastor viu um grupo de jovens em uma calorosa discussão, e Ana no meio. Chamou-a à parte para saber dela sobre esse novo grupo religioso do qual estava fazendo parte. O ministro, que já possuía um sucinto conhecimento das principais heresias desse grupo, tentou conversar com Ana, mas ela ficou furiosa e saiu às pressas, com passos firmes, rumo ao alojamento, com intuito de arrumar suas coisas e ir embora. Enquanto fazia as malas, todos a ouviram lastimando-se e reclamando que aquelas pessoas, junto com o pastor, eram “frias e mortas espiritualmente”. Por fim, foi embora, deixando todos frustrados, principalmente seus pais, que não a viam há aproximadamente dois meses, desde que passou a morar em um apartamento com os jovens da Igreja de Cristo Internacional.

Depois de alguns dias, o pastor e os demais irmãos da antiga igreja de Ana tentaram conversar com ela, mas, seguindo as orientações de Maria para não falar com eles, deu o telefone do evangelista de sua nova Igreja.

Certa ocasião, Ana foi solicitada por seu chefe para trabalhar uma noite extra por mês. Infelizmente, as noites em que teria de trabalhar coincidiam com as noites das reuniões religiosas. Mas ela não pensou nisso, pois havia contraído uma dívida, devido à uma emergência, e estava precisando saldar seus compromissos. Alegre, com o que pensava ser a provisão de Deus, ligou para Maria para lhe contar as boas novas. Infelizmente, após a conversa, tudo o que se pôde ouvir da parte de Ana foi: “Sim, vejo que estou sendo egoísta. Estou-me colocando antes de Deus. Sinto muito”. Resultado: perdeu a oportunidade de conseguir um trabalho extra para assistir aos “bate-papos bíblicos”. 

Algum tempo depois, um jovem da Igreja de Ana (de quem ela gostava muito) telefonou para ela, convidando-a para jantar. Com o coração batendo rápido, Ana aceitou o convite e ligou, em seguida, para Maria, com o intuito de contar o ocorrido. Após a chamada de Ana, Maria ligou para outra pessoa (sua discipuladora, ou o pastor), voltando, depois, a telefonar para Ana. Na conversa, Maria explicou a Ana que aquele rapaz não era “tão obediente a Cristo como deveria ser” e, até que ele mudasse, não seria prudente da parte de Ana começar um namoro com ele. Ana respondeu: “eu entendo”. Depois, ligou para o jovem, cancelando o jantar.

A saga de Ana sendo discipulada por Maria, como ilustração da metodologia da Igreja de Cristo Internacional, não termina aqui. Infelizmente, milhares de Marias e de Anas podem ser vistas por aí envolvidas por esse método de discipulado opressor da ICP.

Quem sabe, caro leitor, sua pergunta seja: “de onde surgiu tais ensinos?”. Ou: “O que é a Igreja de Cristo Internacional?”.

Origem da ICP

Em meados das décadas de 70 e 80, surgiu entre as igrejas evangélicas norte- americanas uma forte ênfase ao discipulado. Impulsionadas principalmente pelo livro “O plano mestre de evangelismo”, de Robert Coleman[1], essas igrejas realizaram grandes conferências sobre o assunto, que passou a ser a coqueluche do momento. E, como se era de esperar, não demorou muito para que surgissem alguns conceitos heréticos perigosos. Algumas igrejas fizeram do “seu programa de discipulado multiplicativo” uma bandeira contra todas as outras igrejas cristãs que não abraçavam sua “visão revolucionária de discipulado”. 

As igrejas fora dessa nova visão eram vistas como “mortas”. Como conseqüência, a liderança delas deveria ser suplantada (“restaurada”) pelos ministros das igrejas do movimento do discipulado. Envolto nessa filosofia, o norte-americano e ex-metodista Kip McKean, que no início da década de 70 estudava na Universidade da Flórida, em Gainesville (EUA), teve um encontro que mudou sua vida e ministério. Ele conheceu o pastor Chuck Lucas, responsável pela Igreja de Cristo de Crossroads, Flórida, EUA, e desenvolvia um trabalho evangelístico naquela Universidade. Lucas havia lido o livro de Coleman e chegou à conclusão que este ensinava que Jesus controlava a vida de seus apóstolos, instruindo-os a disciplinar outros controlando suas vidas. Se Jesus agiu dessa forma, logo os cristãos de hoje deveriam fazer o mesmo com as pessoas que aceitassem o evangelho.

Chuck Lucas colocou tal ensinamento em prática no seu evangelismo e treinou McKean e os demais nessa versão radical de discipulado, conhecida como “ministério multiplicador”.

Em 1976, certo número de estagiários, incluindo McKean, foi enviado para trabalhar com as Igrejas de Cristo[2], nas suas congregações localizadas perto do Campus da Universidade. O plano era que cada um deles iniciasse uma extensão no Campus usando a Igreja local como base. McKean foi para Heritage Chapel, Igreja de Cristo em Charleston, Illinois, iniciando, assim, uma extensão do “ministério multiplicador” nessa Universidade ali. Apesar de ter sido bem-sucedido, não demorou muito para que alguns membros da Igreja questionassem seu sistema de disciplina e fizessem mudanças no que se referia à manipulação e controle. Na verdade, houve muitas separações na congregação por causa desse rigoroso processo de discipulado.

Em 1979, McKean mudou-se para o subúrbio de Lexington, em Boston, onde ele se envolveu com a Igreja de Cristo. No primeiro dia do mês de junho daquele ano, McKean reuniu-se com trinta pessoas, cada qual comprometeu-se com o Senhor e seu trabalho. McKean estabeleceu um programa agressivo de evangelização e discipulado. O resultado foi notório. No primeiro ano, 103 pessoas batizadas, no segundo, 200, no terceiro, 256, no quarto, 368, no quinto, 457, e no décimo, a soma chegou a 1.621. No total, 6.790 pessoas foram batizadas[3]. Ao chegar 1983, a Igreja teve de alugar o teatro de óperas de Boston para as reuniões aos domingos, sendo que os encontros semanais, chamados “bate-papos bíblicos”, eram promovidos nas residências. Posteriormente, a Igreja de Cristo de Lexington mudou seu nome para Igreja de Cristo de Boston. 

Entre 1981 e 1982, o “Movimento de Boston” iniciou um agressivo programa de missões, enviando grupos de pessoas para estabelecerem Igrejas por toda a América do Norte. Essas igrejas passaram a ser conhecidas como “igrejas-pilares” (eram constituídas em “cidades-chaves” ao redor do mundo). Assim como Jerusalém foi o centro de onde se difundiu o Cristianismo por todo o mundo, Boston também seria o quartel-general da Igreja de Cristo Internacional. A partir de então, igrejas foram estabelecidas em Londres (1981), Chicago (1982), Nova Iorque (1983), Toronto e Providence (1985), Joanesburgo, Paris e Estocolmo (1986), e México, Hong-Kong, Bombaim, Cairo e São Paulo (1987-1988). 

De seu início modesto, o “Movimento de Boston” cresceu no mundo inteiro cerca de 10% ao ano. Atualmente, a membresia mundial gira em torno de 175 mil. E isso em mais de 292 igrejas.

A ICI no Brasil

No “Dicionário de religiões, crenças e ocultismo”, de George A. Mather & Larry A. Nichols (Editora Vida, 2000), encontramos alguns fatos de extrema relevância sobre a ICI no Brasil. A seita teve início oficialmente “em maio de 1987, embora a sua base tenha sido lançada em julho de 1986, quando um grupo de 15 pessoas, liderado por Miguel e Anne Brigitte Taliaferro, de Nova Iorque, desembarcou em São Paulo”[4]. No ano seguinte, os Taliaferro foram à África e John e Barbara Porter assumiram a liderança da igreja na cidade paulista. No Rio de Janeiro, a ICI foi formada em 1991. Em 1993, os Porter voltam aos Estados Unidos e quem assume a liderança da igreja em São Paulo é o casal Othon e Gabriela Neves (líderes do setor geográfico do Brasil).

Como o desenvolvimento que experimentou, a ICI expandiu-se para outras cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte (1994) e Salvador (1997), atraindo, principalmente, os jovens desiludidos com a religião de modo geral. Com isso, a ICI alcança muitos universitários.

Em agosto de 1996, utilizando-se da H.O.P.E. Worldwide (“Ajudando as pessoas ao redor do mundo”), uma ONG (organização não governamental), com sede em São Paulo, criada pela própria ICI em 1987 para ser seu “braço benevolente”, a liderança dessa igreja promoveu uma campanha de doação de sangue, reunindo cerca de 32 mil pessoas na cidade de São Paulo. Para esse evento, contratou o grupo musical baiano “Olodum”, com raízes no Candomblé, para fazer um show e, dessa forma, atrair pessoas para evangelizá-las. Na ocasião, os adeptos da ICI juntaram-se aos participantes, evangelizando-os. Com sua atividade diária de proselitismo, a ICI já conta com cinco igrejas implantadas no Brasil. O número total de membros ativos dessas igrejas soma 2.600, mas, aos domingos, cerca de 4 mil pessoas dão assistência aos seus cultos. Segundo informou John Porter, numa palestra realizada em São Paulo em novembro de 1997, “dos 800 novos convertidos naquele ano, o movimento perdeu 500! Uma perda de 65%. A ICI tem como desafio principal trazê-los de volta ao rebanho de McKean.”.

Em 1988, o Movimento começou a passar por severas crises internas como resultado de seus métodos extrabíblicos de discipulado. A Igreja de Cristo de Crossroads ( onde o Movimento teve seu início) se separou do Movimento de Boston, tachando-o como autoritário por dar excessivo poder ao líder e ensinar que o discípulo deve obedecer ao discipulador em qualquer assunto. Os anciãos da Igreja de Cristo de Tampa Bay também decidiram romper com o Movimento de Boston por causa de quatro práticas doutrinárias que ensinavam e que eram contrárias às Escrituras: 1. Autoridade e controle, 2. Sua liderança e organização, 3. Seu exclusivismo e elitismo e 4. O espírito jactancioso do seu sucesso numérico. 

Em 21 de outubro de 1988, foi remetida uma carta por um dos líderes das Igrejas “Caseiras” de Bridgewater aos superiores da Igreja de Cristo de Boston. Esta carta mencionava problemas similares àqueles indicados pelas duas anteriores Igrejas. Diante de tamanha crise, Kip Mckean tentou realizar algumas mudanças doutrinárias no Movimento, chegando a dizer: “Estava errado em alguns de meus pensamentos sobre autoridade bíblica. Eu achava que os líderes poderiam chamar as pessoas para obedecerem e seguirem a eles em todas as áreas. Isso estava incorreto. Sinto-me mal pelas pessoas que foram prejudicadas por esse erro”.[5]

Apesar dessa tácita declaração, McKean continuou com seu errôneo ensino, de tal modo que a Universidade de Boston, a Universidade de Marquete, a Universidade da Califórnia Meridional, a Universidade do Nordeste e a Universidade de Vanderbitt são algumas das instituições de ensino americanas que proibiram a Igreja de Cristo de Boston de agir nos seus Campus.[6] 

A ICI, apesar de incutir em seus membros fortes valores morais e características positivas, tais como: visão missionária, comunidades unidas e fortes, reuniões cheias de energia, entre outras, é altamente proselitista, pois dedica-se em retirar e rebatizar membros de outras igrejas evangélicas com a afirmação de que o batismo original delas foi realizado numa falsa Igreja, sem nenhuma compreensão formal do batismo, o que o torna inválido. Infelizmente, as principais vítimas dessa seita são jovens idealistas e inteligentes, membros de várias Igrejas genuinamente cristãs. 

Seus adeptos gostam de atuar onde há grandes ajuntamentos, de preferência em universidades. Os jovens são o alvo principal desse movimento. Ocultam sua verdadeira identidade religiosa, apresentando-se apenas como “cristãos” ou membros da Igreja de Cristo, e convidam seus interpelados para um “bate-papo bíblico”, no qual tentarão levar as pessoas a viverem uma vida cristã nos moldes do Novo Testamento (segundo a sua visão particular de vida cristã). Caso a pessoa seja membro de uma igreja evangélica, incutirão a idéia de que, se o batismo dela não foi ministrado visando o perdão dos pecados, ela deverá ser rebatizada, pois seria nesse momento que se daria, de fato, a sua conversão. Com esse argumento, convence a pessoa a deixar “sua igreja apóstata” e filiar-se à única verdadeira - a Igreja de Cristo de Boston.

Doutrinas

Deus 

A ICI mantém-se fiel a um ponto de vista bíblico e ortodoxo de Deus. Deus é auto-existente, auto-suficiente e auto-sustentado. Deus é perfeito, imutável, infinito, incorpóreo, onipresente, onisciente e eterno. Ele é Todo-Poderoso e soberano em relação a todas as coisas. 

Jesus Cristo

Eles são trinitários. Eles não negam a deidade de Cristo, nem sua humanidade. Reconhecem a obra de Cristo na cruz e sua necessidade dele, mas, após a salvação inicial, tendem a concentrar-se em suas próprias obras para que possam manter a salvação. Em certo sentido, tal doutrina diminui o papel de Cristo como sumo sacerdote e Mediador. Eles enfatizam a importância de confessar o pecado a um discipulador, mas não a Deus. Ao fazerem isso, crêem que são libertos do poder do pecado[7]. Na visão da ICI, Jesus não é o objeto de nossa fé , mas, sim, o exemplo a ser seguido.

Espírito Santo
O Movimento de Boston possui uma crença correta em relação à pessoa do Espírito Santo. Afirma que o Espírito Santo é uma pessoa distinta da divindade e opera na vida do homem como Conselheiro, Consolador e uma fonte de poder. Mas, por outro lado, ensina que a pessoa não é habitada pelo Espírito Santo até que seja batizada “com água no nome de Jesus Cristo para o perdão de pecados.”[8]

Bíblia

Enquanto a doutrina da ICI sobre a Bíblia não é perceptivelmente diferente da ortodoxa – que a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e infalível – o uso dela o é. Originalmente, McKean ensinou o seguinte princípio aos seus discípulos: “Falar quando a Bíblia fala e silenciar quando ela silencia”[9]. Isto, é claro, levou a algumas práticas bizarras dentro da ICI, incluindo a banimento dos instrumentos musicais e a dissolução das sociedades missionárias. Ele, desconsiderando suas anteriores declarações, fazendo “ouvido de mercador”, disse: “Nós devemos nos calar onde a Bíblia fala e falar onde a Bíblia se cala. Em outras palavras, um cristão deve simplesmente obedecer onde a Bíblia fala e somente ter opiniões onde a Bíblia se cala”.[10]

Pecado

Para os adeptos da ICI não existe pecado original. Eles afirmam que o pecado original foi uma invenção do século VII d.C. para apoiar o batismo infantil.[11] Cada pessoa é responsável pela sua própria vida; portanto a culpa pelo pecado de Adão não foi transmitida. A natureza humana é capaz, por si só, sem nenhum auxílio sobrenatural, de evitar o pecado e praticar a vontade de Deus. Assim, quando alguém entra na ICI pode arrepender-se de seus pecados e mudar seu padrão de vida sem a intervenção do Espírito Santo. Demostrando a mudança, então é batizada para receber o Espírito Santo e ser salva. “Essa forma de pensar é conhecida como Pelagianismo. Foi rejeitada pela Igreja no 5° século. O pecado original (hereditário) não consiste na imitação de Adão (como pretendia Pelágio), mas na falta e corrupção da natureza humana, gerada naturalmente da semente de Adão (Gn 6.5; Sl 51.5; Jr 17.9; Mt 15.18-20; Rm 1.21-25; 3.9-23; 5.12-19; Ef 2.1)”[12] 

A ICI declara ser a única religião verdadeira, assim como as Testemunhas de Jeová, os Mórmons e outras seitas “restauracionistas”. Afirma, ainda, ser a restauração da verdadeira Igreja que supostamente se apostatou. Isso teria ocorrido por volta do ano 100 d.C., segundo informa uma de suas literaturas para os novos discípulos.[13] Nem mesmo a Reforma Protestante foi capaz de devolver a identidade do Corpo de Cristo. A genuína “restauração” iniciou-se em 1979, por intermédio de Kip McKean, que declarou: “Com essa convicção das Escrituras, veio a característica principal, só encontrada em nosso movimento - A igreja verdadeira e composta só de discípulos. (...) Não conheço nenhuma outra Igreja, grupo ou movimento que ensine e pratique o que ensinamos”.[14]

De acordo com as Santas Escritruras e a história eclesiastica, alguns - e não todos - apostatariam da fé (1Tm 4.1). Todos os textos bíblicos que tratam do tema da apostasia sempre apontam para uma apostasia parcial, e nunca total (2Pe 2.1, 2; Jd 17-24; 2Ts 2.3-12). A Bíblia freqüentemente enfatiza a indestrutibilidade da Igreja de JESUS (Mt 16.18; 7.24, 25; 28.20; Ap 17.14; Jo 15.16; 1Tm 3.15; Ef 3.20, 21).

Discipulado Manipulativo
Discipulado tornou-se a divisa do movimento e o sinal mais notório de que essa Igreja é uma seita perniciosa. O discipulado, à maneira da ICI, consiste em que cada recém-chegado ao movimento fique sob os cuidados de uma outra pessoa, que será ,daí por diante, seu discipulador, a quem o neófito prestará contas de tudo o que fizer ou desejar fazer. O discípulo deverá confessar seus pecados diariamente fazendo uma lista deles e entregando ao discipulador, baseando-se em Tiago 5:16[15]. Deve estar disposto a ir a qualquer lugar, deixar qualquer coisa, incluindo emprego, faculdade, enfim, tudo o que o discipulador determinar (como na história de Ana). Deve prestar contas de seu dízimo e de suas atividades de proselitismo: Quantos você convidou? Por que não convidou? Quando vai convidar? Você já orou hoje? Por que você não veio na reunião de quinta-feira? Você diz que estava doente, mas por que não se esforçou e veio assim mesmo? Seja radical! “Se eu confio no meu discipulador, na realidade estou confiando em Deus”.[16]

A imputação de culpa e fobias é uma parte importante na metodologia de discipulado da ICI. 

O verdadeiro discipulado baseia-se no amor e na profunda dependência do Espírito Santo. Nenhum cristão é chamado para policiar e dominar a vida espiritual dos seus irmãos (Gl 5.5; 2Co 1.24; Rm 14; Jo 8.31). 

Batismo

McKean apresenta quatro requisitos para a salvação: fé, arrependimento, confissão e batismo. Ele é categórico: “Para recebermos o perdão dos nossos pecados precisamos ser batizados. (...) Para nos tornarmos filhos de Deus é preciso receber o batismo. (...) Recebemos o Espírito de Deus no batismo.”[17] Para corroborar a tese de que o batismo é essencial para a salvação, a ICI cita as seguintes passagens bíblicas: At 2.38; 22.16; Mc 16.16; 1Pe 3.20, 21.

Uma análise mais acurada dos textos citados por McKean é deveras importante. Vejamos:

· Atos 2.38: “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de JESUS Cristo, para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espirito Santo”. A ICI toma a preposição “para” como “para o propósito de”, e depois conclui que a pessoa deve ser batizada para o propósito do perdão dos seus pecados. Estudantes da língua grega sabem que “eis” (para) é a preposição de referência usada para significar uma relação entre coisas, e que pode ter vários significados, podendo ser entendida, por exemplo, como causativa: “como resultante”, “devido a”. Então, a pessoa deve ser batizada porque já possui o perdão dos pecados. A palavra-chave é “arrependimento”. Ninguém recebe o perdão de seus pecados por ser batizado, mas por se arrepender dos mesmos. Pedro queria dizer o seguinte: ‘Arrependei-vos e sereis batizados; arrependei-vos, e tereis vossos pecados remidos; arrependei-vos, e recebereis o dom do Espírito Santo’. Sem o genuíno arrependimento, que somente o Espírito de Deus pode proporcionar, o batismo, a remissão de pecados e o recebimento do dom do Espírito Santo não se tornariam uma realidade ( At 3.19; 5:31; 20.21).

· Atos 22.16: “Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando o seu nome”. Saulo teria seus pecados lavados, não por ser batizado, mas por invocar o nome de JESUS, em sinal de arrependimento, como uma evidência da atuação do Espírito Santo em sua vida (Jo 16.7-11; 1Co 12.3).

· Marcos 16.16: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Se alguém afirma crer em JESUS será batizado. Este é o sinal externo de sua conversão. Logo, a pessoa é salva não por ser batizada, mas por crer. O texto termina dizendo: “quem não crer será condenado”. A passagem não diz: ‘Quem não crer e não for batizado’. E quem batizaria alguém que nega a fé em JESUS? A ênfase está no verbo “crer”, e não no substantivo “batismo”.

· 1 Pedro 3.20, 21: “Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água, que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo”. Esse é o texto mais difícil das Escrituras sobre o assunto. Pedro disse que Paulo escreveu “coisas difíceis de se entender” (2Pe 3.16). Pelo visto, Pedro também escreveu. Em função das passagens anteriores e pela exegese dos mesmos, não podemos afirmar que o batismo salva. Então, como entender esse texto? Podemos dizer o seguinte: o batismo nas águas é símbolo da morte e do sepultamento do velho homem para uma nova vida. É apenas um símbolo que aponta para a realidade do que Cristo realiza em nós. Somos sepultados com Cristo e com Ele ressuscitamos. A salvação do homem somente se torna possível mediante a morte e ressurreição de Senhor JESUS Cristo (Rm 6.3-11). O sangue de Cristo tem poder para salvar e purificar. A água do batismo, não.

Vida espiritual inatingível


A ICI é uma seita agressiva e perigosa, porque suas doutrinas parecem estar superficialmente alinhadas com a ortodoxia. Seus adeptos, na maioria, são sinceros no que crêem (Jo 16.2). Todavia, os ensinos dessa seita levam as pessoas para bem longe de Jesus e criam, na mente de seus adeptos, uma frustração sem precedentes, pois o seu ideal espiritual nunca é tangível. É como diz Provérbios 14.12: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte”.

Conforme disseram Stephen Arterburn e Jack Felton, a “fé tóxica é um relacionamento perigoso e destrutivo com uma religião que permite que a religião, não o relacionamento com Deus, controle a vida da pessoa”. 


BIBLIOGRAFIA:

· Algumas informações do presente artigo foram extraídas e adaptadas do excelente trabalho do Dr. James Bjornstad, “At What Price Sucess? The Boston Church of Christ Movement: Christian Research Journal; Winter 1993. (“ Sucesso – A que Preço?” Revista de Pesquisas Cristãs, Inverno de 1993 – Um periódico do Instituto Cristão de Pesquisas nos EUA. 

· Ken Blue, Abuso Espiritual (São Paulo: ABU Editora, 2000)

Revista Defesa da Fé – Julho/Setembro 1996, pp. 21-23. 
Robert Matthew Schraeder & Russel Edward Young: Faculdade de Teologia Talbot Seitas na America; outono 1993, Dr. Alan W. Gomes.) 
Ron & Vicky Berk, Damaged Disciples (Grand Rapids, Michigan. Zondervan, 1992). 
Donald Sloat, The Dangers of Growing Up in a Christian Home (Nashiville: Thomas Nelson, 1986) 

NOTAS:

[1] Colemam é um pastor dedicado que ama o Senhor e tem despertado a Igreja para a importância de um “evangelismo Integral”. Ele é diretor da Escola Mundial de Evangelismo e Missões no Trinity Evangelical Divinity Scool, em Deefiel, e do Instituto de Evangelismo do Billy Graham Center, nos EUA.

[2] É uma denominação proveniente dos Discípulos de Cristo (um movimento desenvolvido nos EUA, em 1809, que tencionava restaurar o cristianismo primitivo, unindo os cristãos e eliminando as barreiras denominacionais).

[3] O que o Movimento de Boston Ensina?, do Dr. Jerry Jones, Vol. 1, p. 125.

[4] Igreja de Cristo São Paulo, 13 de outubro, 1991, p.2.

[5] Revista Igreja de Cristo em São Paulo – Seis Anos de História (1993), p. 30.

[6] Arauto de Miami, 25 de março de 1992, pp. 1A 15A.

[7] Jeff Brown, “Stop Sinning.” Tape 1094, Sandiego Tape Ministry.

[8] O Que a Bíblia Diz, lição 3, p. 5.

[9] Idem, lição 5. 

[10] Boston Church of Christ, Acts Study Series. 

[11] Revista Igreja de Cristo em São Paulo – seis anos de história (1993), p 19.

[12] Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. George A. Mather & A. Nichols; São Paulo; Editora Vida, 2000.

[13] O que a Bíblia Ensina, lição 9

[14] Revista Igreja de Cristo em São Paulo – seis anos de história (1993), p.19.

[15] Este texto foi muito usado na Igreja Romanista para apoiar o ensino da confissão “auricular”. Este versículo ensina simplesmente que, se eu pecar contra você, devo confessá-lo a você, e vice versa. Neste sentido, trata-se de um ato recíproco. Sobretudo, a confissão deve ser feita a Deus por meio de Jesus Cristo (1 Jo 1.7 a 2.2). 

[16] Theresa Ferguson, “Forever Growing” Boston Bulletin 22 de outubro de 1989.

[17] O que a Bíblia Diz, lição 5.

Fonte: Revista Defesa da Fé - www.icp.com.br


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