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TENTAÇÕES DE UM PREGADOR PÓS-MODERNO


Nestes tempos de massificação evangélica, de febre pelo crescimento acelerado, da identificação de sucesso eclesial e ministerial via crescimento numérico criando uma identificação perigosa de vitória espiritual com números sempre crescentes, da busca de platéias cheias e empolgadas, da busca intensa pelo sentir em detrimento do pensar, refletir e agir. O pregador destes tempos pós-modernos, quase ultra-modernos, está exposto há algumas tentações que não diria serem novas, mas afirmo estarem mais exacerbadas hoje.
O mundo evangélico atual é muito competitivo, no sentido negativo do termo, a linguagem “marketeira” e psicológica invadiu a igreja e assim ele acaba absorvendo também muitos valores seculares do mundo bussiness e “terapêutico’”.



Nesta atmosfera o pregador acaba sendo tentado em algumas direções perigosas que quero destacar nesta reflexão para fins de análise.
A tentação de produzir o miraculoso – Sabemos que qualquer efeito considerado além do normal produz um impacto quase instantâneo nas massas, o pregador pós-moderno se vê tentado a produzir ele mesmo evidências do miraculoso em sua ministração, através de uma atmosfera estrategicamente preparada: luzes, sons, palavras chaves, gestualismos excêntricos, e ênfases proclamadas aos gritos, além de intensas expressões emocionais podem gerar uma aparência de miraculoso altamente atraente àqueles que desejam autenticar sua pregação com “sinais” miraculosos. Levando o pregador muitas vezes a buscar a qualquer custo derrubar uma meia dúzia e atirar “revelações” a esmo, para de todas as formas “ganhar alguns”.
Produzindo assim a imagem de um homem acima dos outros homens.
A tentação do sensacional – muito próximo a anterior, com a diferença de que neste caso o pregador parece mais um “showman”, com performances teatrais às vezes extremas, onde pelo seu carisma pessoal ele consegue manter a adrenalina do povo em alta, mantendo um intenso controle das ações com atos espetaculosos como saltos, gritos e uma oratória peculiar, levando a platéia do delírio ao silêncio total sob o seu comando. Gerando expectativas de que há qualquer momento o céu pode se abrir e o arrebatamento pode ocorrer somente naquele lugar.
O sensacionalismo atrai multidões e o pregador se apresenta como detentor do controle total capaz de conduzir as massas em qualquer direção.
A tentação do poder inusitado – é a busca de se estar sempre trazendo algo novo pela necessidade de se manter o povo interessado na última novidade capaz de levá-los aos limites das “bênçãos” celestiais. Um novo tipo de unção, um novo tipo de campanha, um novo tipo de pregador e pregação e etc. A apresentação de uma conexão direta com os seres angelicais e de um conhecimento das hierarquias nem biblicamente reveladas. Um esoterismo “gospel” ganha espaço, apresentando o pregador como uma figura inusitada capaz de trazer algo nunca antes conhecido, nem mesmo pelos apóstolos bíblicos. O inusitado muitas vezes beira o grotesco, mas se firma por se apresentar como novo, pois no inconsciente da comunidade se algo é visto como velho vê-se como fraco, ultrapassado e ineficaz.
O pregador é visto como o responsável por sempre criar um novo efeito e trazer algo inusitado a qualquer custo, pois na paróquia ao lado algo “novo” pode estar acontecendo.
A tentação dos atalhos imediatistas – é a busca de soluções rápidas para grandes questões na vida, crescimento espiritual instantâneo, santidade plena em um só encontro de fim de semana, autoridade máxima em uma campanha de poder, ordenação pastoral em 24 lições. Em fim não há tempo a perder, vivemos na era do fast-food, e a igreja precisa correr contra o tempo, atalhos são buscados e a confusão está feita.
Ignora-se que Deus trabalha através de processos na nossa vida, e que o próprio processo faz parte do seu sábio agir.
A clonagem já existe no meio evangelho há muito tempo, basta olhar como são produzidos em série alguns pregadores hoje, onde os trejeitos, gestos e até defeitos físicos são imitados dos seus líderes maiores, como se isso fosse parte do segredo e da busca do sucesso ministerial.
Os pregadores buscam segurar as pessoas através de processos rápidos de assimilação eclesiástica, pois o “mercado” é feroz. Gerando atalhos imediatistas perigosos e igrejas cheias de superficialismo.
A tentação do relativismo teológico – um relativismo inconseqüente cresce a cada dia. Tendo em vista a liberdade e a fragilidade para a formação de perspectivas de temas como a pessoa de Deus, a igreja, a vida cristã e outros temas chaves da fé. Não há muito ensino, Há muita emoção, o nível de emoções sentidas acaba se transformando no padrão de qualidade da fé. O conteúdo da fé muitas vezes acaba ignorado. O mais importante passa a ser os sentidos não os pensamentos. Acaba tudo ficando no mundo relativo daquilo que cada crente acha, a partir de seu sentir, levando o pregador a referendar o seu sucesso pelo poder que ele tem de arrancar expressões bastante emocionais do povo a ele exposto e não pelo nível de transformação de vida que a experiência de vivencia compreensiva da fé pode produzir. Verdade e erro se misturam, produzindo gerações de crentes confusos e até supersticiosos.
A tentação do status vocabular – as palavras têm peso, elas são ferramentas ou símbolos que usados estrategicamente produzirão resultados bem específicos. Um adjetivo ou verbo colocado dentro de determinados contextos trazem em si uma carga de significados capaz de gerar reações e respostas bastantes características dentro do momento e ambiente em que são utilizadas. Daí a proliferação de expressões como:

“Eu profetizo…” Pois isso causa mais impacto do que dizer: “eu desejo que…”; “eu determino…”, pois é mais forte do que: “eu oro para que…”.
A popularização de títulos eclesiásticos como apóstolos, (já ouvi falar até em apóstolo arcanjo), soam mais fortes do que simplesmente pastor.
Estas expressões produzem status, um status vocabular por se estabelecerem através do uso dos símbolos/palavra em um contexto sensível a receber o impacto que a palavra/símbolo tem como ferramenta de comunicação.
Neste contexto o pregador se vê usando jargões que ele mesmo não entende suas implicações, mas o faz pelo modismo que se estabeleceu e pela autoridade que lhe parece auferir.
Faço estas observações com o fim de nos levar a pensar no empobrecimento e perigo que corremos quando nos afastamos da simplicidade do evangelho e nos deixamos enredar pelos apelos tentadores e estranhos que o mundo nos faz.
Estas tentações e outras estão por ai todos os dias, a nos convidar, como pregadores, a que nos desviemos da rota de levar pessoas ao conhecimento de Cristo e a crescerem à sua semelhança no contexto de igrejas sadias que cresçam de verdade em todos os aspectos e direções o crescimento que vem de Deus e não por ações artificialmente engendradas, alimentadas por tentações como as acima citadas.
Sejamos pregadores bíblicos que anunciam o evangelho ao mundo em todas as suas épocas, não sejamos pregadores de épocas que anunciam ao mundo uma mensagem truncada, travestida de evangelho.
Entre tantos conselhos preciosos, Paulo nos lembra que a prevenção para não cairmos nestas tentações listadas acima, passa pelo cuidado com a nossa própria vida com Deus e pelo zelo daquilo que ensinamos (doutrina), conforme Paulo fala a Timóteo dizendo:
“Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem.” (1 Tm 4.16 NVI) E pela dependência do poder que deve permear todo o nosso ministério, conforme testemunha o mesmo Apóstolo afirmando:
“Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.”(1 Co. 2.4-5).
Precisamos ser pregadores corretos e poderosos, que edificam igrejas poderosas e equilibradas, marcadas pela presença e pelo agir soberano de Deus.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos abençoe.
Ednilson Correia de Abreu

8 comentários:

Cida Kuntze disse...

Olá!
Infelizmente temos visto muito disso, a tentação do poder, muitos buscando a glória para si mesmos.

Mas que o Senhor seja louvado e honrado através de homens e mulheres retos na Sua presença, que sejam usados para conduzir as Suas ovelhas.

Que possamos estar com nossos olhos abertos para não sermos enganados.
Abraços.

Anselmo Melo disse...

Graças a Deus nem tudo esta perdido Cida.
Paz!

disse...

Verdade, gostei do artigo demais. Paz Anselmo.

César disse...

Pastor Anselmo, não é por causa desses lobos disfarçados de ovelhas que o evangelho vai parar.
Sabemos que o joio quer isto, mas ele é controlado por Deus e tem limites por enquanto, até que se manifeste o filho da perdição, e depois Jesus Cristo voltará para buscar sua igrejas.
O evangelho é poder de Deus para salvação, e nunca vai parar, e quem é o homem para pará-lo.
A obra é Santa.
E Deus está no controle de tudo.
Tenho dó destas pessoas que estão brincando com Deus.

Pr. Anselmo Melo disse...

Ate gostaria que não, mas como temos visto isto em nosso meio,e como tem se tornado cada dia mais difícil não sucumbir a essa tentação.
Paz minha irmã.

Pr. Anselmo Melo disse...

Certamente a obra vai continuar irmão Cesar.Existem muitos que não vão sucumbir ao apelo do estrelado a despeito do genuíno Evangelho de Cristo.
Paz meu irmão.

Anônimo disse...

Pr. Anselmo, é a respeito disso que eu estava falando. Esse artigo realmente é maravilhoso. Existem formas de se expressar levando o leitor a pensar e refletir sobre o assunto.

Concordo plenamente!!! Já dizia Lucas: "Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem." Lucas 21:36

Como o irmão Cesar falou: Não é por causa de alguns que a Obra do Senhor vai parar. Deus esta no controle. Uma hora o Joio aparece.

vou terminar com umas a ultima frase do texto que diz:

"Precisamos ser pregadores corretos e poderosos, que edificam igrejas poderosas e equilibradas, marcadas pela presença e pelo agir soberano de Deus."

Que Assim seja - AMÉM.

Bela.

Pr. Anselmo Melo disse...

Que bom que você gostou Bela.O texto é realmente pertinente e trata de verdades incontestáveis.
Obrigado por deixar sua opinião.
Paz!

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